Artigo · Ciência · 6 min de leitura
Sinal Wow: a história e as hipóteses do registro captado em 1977
Entenda como o radiotelescópio Big Ear detectou o Sinal Wow em 1977, as medições de 1420 MHz, as buscas posteriores e as hipóteses explicativas do evento.
O Sinal Wow foi um forte sinal de rádio de banda estreita captado em 15 de agosto de 1977 pelo radiotelescópio Big Ear, pertencente à Universidade Estadual de Ohio, nos Estados Unidos. A emissão apresentou características técnicas consideradas compatíveis com o padrão esperado para uma transmissão de origem extraterrestre e teve como origem aparente a direção da constelação de Sagitário.
A anomalia foi identificada dias após a recepção pelo astrônomo voluntário Jerry R. Ehman, durante a revisão manual dos dados gravados em papel por um computador IBM 1130. Ao observar a sequência alfanumérica 6EQUJ5, que marcava a intensidade do sinal, Ehman circulou os caracteres com caneta vermelha e anotou a palavra Wow ao lado. Toda a transmissão durou exatamente 72 segundos, tempo máximo em que o radiotelescópio conseguia observar um mesmo ponto no céu devido ao movimento de rotação da Terra.
Apesar de o sinal ter sido mantido na frequência de 1420 MHz — conhecida como a linha do hidrogênio —, nenhuma modulação de mensagem foi identificada e o registro jamais voltou a ser detectado. A ausência de reincidência impede a confirmação científica de sua origem, fazendo com que o evento permaneça como um dos registros mais debatidos no âmbito da busca por inteligência extraterrestre (SETI).
Estrutura técnica e medição do registro
O termo 6EQUJ5 impresso nos relatórios do computador não consistia em uma mensagem codificada, mas sim na representação da variação da intensidade do sinal ao longo do tempo. O sistema de medição adotado no experimento comparava a relação sinal-ruído em intervalos de amostragem de 10 segundos, seguidos por 2 segundos de processamento computacional. A intensidade era expressa como um múltiplo do desvio padrão acima do ruído de fundo.
Na escala utilizada pelo software do Big Ear, o caractere de espaço indicava intensidade entre zero e um desvio padrão. Números de 1 a 9 representavam os respectivos múltiplos de intensidade, enquanto letras eram empregadas para valores a partir de 10. O pico máximo atingido pelo Sinal Wow foi representado pela letra U, o que significava uma intensidade entre 30 e 31 desvios padrão acima do ruído de fundo baseline.
Outra característica marcante foi a largura de banda estreita do sinal, estimada em menos de 10 kHz. O receptor do Big Ear acompanhava cinquenta canais distintos dessa largura, e a emissão ficou concentrada quase exclusivamente em uma única coluna do relatório. Além disso, a curva de intensidade variou exatamente conforme a janela de observação do telescópio: um aumento gradual durante os primeiros 36 segundos até atingir o pico, seguido de uma queda simétrica à medida que a rotação terrestre afastava a antena da fonte.
A frequência calculada para o evento ficou próxima da linha de emissão natural do hidrogênio neutro, estipulada em 1420,4058 MHz. Em análises posteriores, Ehman determinou a frequência de 1420,4556 MHz, levando em conta um erro tipográfico cometido anteriormente pelo departamento de compras da universidade ao encomendar o primeiro oscilador local do equipamento, falha que havia sido corrigida no software do telescópio.
Localização no céu e incertezas nas coordenadas
A determinação exata da origem celestial do sinal apresentou ambiguidades devido ao projeto de construção do Big Ear. O radiotelescópio utilizava duas antenas de recepção dispostas em direções ligeiramente diferentes para rastrear o céu. Como o sinal foi registrado por apenas uma das antenas e o processamento dos dados não discriminou qual delas realizou a captação, foram estabelecidos dois valores possíveis de ascensão reta.
Em contrapartida, a declinação do sinal pôde ser fixada de forma inequívoca. Ambas as coordenadas apontam para uma região situada a noroeste do aglomerado globular M55, na constelação de Sagitário, próxima às estrelas Chi Sagittarii e Tau Sagittarii, cerca de 19 graus ao sudeste do plano galáctico.
Estudos efetuados nas décadas seguintes buscaram mapear os corpos celestes presentes naquela região. Em 2020, o astrônomo amador Alberto Caballero utilizou dados da missão Gaia, da Agência Espacial Europeia, para identificar estrelas semelhantes ao Sol nas coordenadas apontadas. Uma das candidatas catalogadas foi a estrela 2MASS 19281982-2640123, localizada a cerca de 1.800 anos-luz da Terra. Pesquisas subsequentes publicadas em 2022 catalogaram outras duas estrelas com características solares na mesma região.
Tentativas de busca e hipóteses explicativas
Nas décadas seguintes ao evento, astrônomos realizaram diversas varreduras na tentativa de recalcular ou captar novamente a emissão, sem obter sucesso. O próprio Ehman fez buscas nos meses posteriores à detecção usando o Big Ear. Outras tentativas ocorreram em 1987 e 1989 no Oak Ridge Observatory, em 1995 e 1996 no Very Large Array, e em 1999 no Observatório Mount Pleasant, na Tasmânia. Em maio de 2022, o projeto Breakthrough Listen utilizou simultaneamente o Green Bank Telescope e o Allen Telescope Array para examinar as estrelas candidatas apontadas na região, mas nenhum sinal de tecnoassinatura foi detectado.
Diversas hipóteses foram formuladas para tentar explicar a natureza do Sinal Wow:
- Reflexão por lixo espacial: Inicialmente ponderou-se que um sinal de rádio terrestre poderia ter sido refletido por destroços orbitais. O próprio Ehman ponderou essa possibilidade, mas estudos posteriores demonstraram a inviabilidade física de um refletor espacial manter as características observadas.
- Passagem de cometas: Em 2017, uma proposta sugeriu que nuvens de hidrogênio dos cometas 266P/Christensen e P/2008 Y2 teriam gerado o sinal ao passar pelo campo de visão. A hipótese foi amplamente descartada pela comunidade astronômica porque os cometas não estavam na posição correta no momento da captação e não emitem rádio com a intensidade registrada.
- Evento astrofísico raro: Em agosto de 2024, um estudo preliminar do Planetary Habitability Laboratory, baseado em dados do Observatório de Arecibo coletados em 2020, indicou que o sinal pode ter sido provocado pela iluminação repentina de uma nuvem fria de hidrogênio por emissões de uma estrela próxima.
- Origem inteligível extraterrestre: A semelhança do sinal com as previsões teóricas de transmissões artificiais faz com que ele permaneça como candidato a sinal alienígena, embora a falta de reincidência impeça qualquer confirmação.
Como marco comemorativo dos 35 anos do evento, em 2012, o Observatório de Arecibo transmitiu uma rajada digital contendo cerca de 10.000 mensagens enviadas por usuários de redes sociais na direção de estrelas distantes, embora nenhuma delas estivesse localizada exatamente na área de origem do Sinal Wow.
Perguntas frequentes
O Sinal Wow foi traduzido como uma mensagem?
Não. A sequência 6EQUJ5 não era uma mensagem codificada, mas a representação numérica da intensidade da onda de rádio captada pelo computador do observatório.
O Sinal Wow voltou a ser detectado em outros testes?
Não. Diversas buscas foram realizadas com radiotelescópios mais avançados nas décadas seguintes, mas o sinal nunca mais foi captado.
O que significa a palavra Wow anotada no papel?
Foi a reação em inglês do astrônomo Jerry R. Ehman ao constatar a forte intensidade do sinal nos relatórios impressos do radiotelescópio Big Ear.
Fontes
Texto da redação do UFFO escrito com apoio de inteligência artificial a partir das fontes acima e conferido automaticamente contra elas. Viu um erro? Fale com a gente em /contato.
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