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NEWSNATION · 06 de agosto de 2026

Avi Loeb explica alguns casos UAP divulgados: raios cósmicos e possíveis drones de nações adversárias

O físico teórico Avi Loeb, da Universidade de Harvard e líder do Projeto Galileu, avaliou ao vivo na NewsNation os primeiros arquivos UAP divulgados pelo governo americano. Loeb ofereceu explicações convencionais para parte do material, mas alertou que objetos do Comando Indo-Pacífico merecem investigação séria sob perspectiva de segurança nacional.

Contexto: a primeira leva de arquivos UAP liberados

A divulgação descrita nesta entrevista corresponde a uma das primeiras remessas de documentos e vídeos UAP (Fenômeno Aéreo Não Identificado — Unidentified Anomalous Phenomena) liberados no contexto da pressão por transparência exercida por legisladores e pelo próprio governo Trump. A congressista Anna Paulina Luna havia solicitado formalmente ao Pentágono a entrega de 46 vídeos UAP, e parte do material começou a circular publicamente, gerando debate amplo na mídia e na comunidade científica.

O programa NewsNation Prime entrevistou o Dr. Avi Loeb — físico teórico, professor de Harvard e coordenador do Projeto Galileu — para obter uma análise técnica independente do material disponibilizado.


Flashes de luz durante a missão Apollo 12 (1969): raios cósmicos

Um dos itens mais discutidos da remessa foi um registro da missão Apollo 12 (1969) mostrando flashes de luz azul acima do horizonte lunar, relatados pelos astronautas como misteriosos. Loeb afirmou ter calculado, na mesma noite da entrevista, que esses pontos de luz são muito provavelmente causados por raios cósmicos — partículas energéticas originárias da Via Láctea que viajam próximas à velocidade da luz.

"A Lua tem um fluxo dessas partículas 200 vezes maior do que encontramos aqui na superfície da Terra, simplesmente porque a atmosfera e a magnetosfera da Terra bloqueiam essas partículas de chegar à superfície. A Lua não tem atmosfera nem magnetosfera."

Loeb destacou um dado técnico decisivo: os mesmos pontos de luz azul aparecem em trechos do filme da missão Apollo que não estavam atrás da lente, ou seja, não registravam o céu. Isso indica que as marcas foram produzidas por partículas incidindo diretamente sobre o filme fotográfico ou sensor — e não por objetos externos.

O astronauta Buzz Aldrin havia relatado flashes de luz dentro da cápsula durante a viagem à Lua. Loeb considera que esses também podem ser atribuídos a raios cósmicos.

Como reforço adicional, Loeb citou os dados da missão Artemis 2: astronautas registraram milhares de imagens do lado escuro da Lua e identificaram apenas seis flashes, todos atribuídos ao impacto de meteoroides na superfície. Nenhum fenômeno anômalo foi detectado.

"Eu argumentaria que não há evidências de OVNIs ao redor da Lua, porque temos câmeras muito melhores do que as usadas há 50 anos durante as missões Apollo."


Levantamento Palomar Sky Survey (anos 1950): também raios cósmicos

Loeb abordou ainda registros históricos de fontes de luz transitórias em placas fotográficas do Palomar Sky Survey, nos anos 1950. Havia especulação de que esses pontos não poderiam ser satélites artificiais, pois o Sputnik foi lançado apenas em 1957.

O físico calculou que raios cósmicos atingindo as placas fotográficas perpendicularmente produziriam exatamente esse tipo de ponto transitório. Um dado adicional sustenta a hipótese: os pontos de luz se reduzem durante períodos de alta atividade solar — especificamente durante ejeções de massa coronal (CME), que suprimem o fluxo de raios cósmicos.

"Eu diria que não há evidências claras de OVNIs próximos à Lua ou, nos anos 1950, como fontes transitórias em placas fotográficas."


Objetos em formação no Comando Indo-Pacífico: preocupação real de segurança nacional

O tom de Loeb mudou ao analisar o registro mais intrigante da remessa: vídeo do Comando Indo-Pacífico (Indo-Pacific Command) mostrando múltiplos objetos não identificados voando em formação, se separando e se reagrupando.

Para esse caso, Loeb não ofereceu uma explicação técnica imediata. Em vez disso, enquadrou o problema diretamente como questão de segurança nacional:

"Essas são muito intrigantes e acho que pessoas dentro do Pentágono ou das agências de inteligência deveriam estar preocupadas com a possibilidade de serem produzidas por nações adversárias. Talvez sejam drones, balões — quem sabe o que são."

Loeb sugeriu que parte desse material provavelmente permaneceu classificada justamente por não ter sido interpretada pelos analistas do Pentágono — e que a incapacidade de identificar objetos que sobrevoo território ou áreas estratégicas é, por si só, um problema de inteligência.

"É por isso que é uma questão séria e precisamos investir mais esforço para descobrir o que são esses objetos no céu."

O físico especulou ainda que podem existir objetos similares sobrevoando os próprios Estados Unidos que não foram divulgados — exatamente porque sua divulgação exporia vulnerabilidades do sistema de defesa americano.


Objeto "estrelar" com dados redados: possível padrão de difração

Sobre um objeto com aparência estelar visível em documentos da remessa, Loeb foi cuidadoso, apontando que grande parte das informações associadas ao registro estava redigida (redacted). Sua hipótese inicial é que pode se tratar de um padrão de difração (diffraction pattern) interno à câmera, com base em um detalhe observacional:

"A orientação dessa estrela não muda conforme ela se move pelo céu" — o que seria inconsistente com um objeto físico externo e mais compatível com um artefato óptico.


Avaliação geral e apelo por mais transparência

Apesar das explicações oferecidas para vários casos, Loeb foi enfático ao valorizar o ato de divulgação em si:

"Isso é importante psicologicamente porque traz a discussão para o mainstream do discurso público e da comunidade científica."

Ele expressou esperança de que imagens de alta resolução — que levariam mais tempo para ser desclassificadas — estejam na próxima remessa, prevista para liberação em "cerca de um mês" a partir da data da entrevista. A congressista Luna havia requisitado formalmente 46 vídeos ao Pentágono.


O vídeo original desta entrevista, em inglês, está disponível no canal YouTube da NewsNation. O leitor pode acessá-lo diretamente pelo link da fonte.

Glossário

UAP
Fenômeno Aéreo Não Identificado (Unidentified Anomalous Phenomena) — termo oficial adotado pelo governo americano para o que antes se chamava popularmente de OVNI
Raios cósmicos
Partículas subatômicas altamente energéticas originárias da Via Láctea que viajam próximas à velocidade da luz; podem produzir artefatos luminosos em filmes e sensores digitais
Projeto Galileu
Iniciativa científica independente liderada por Avi Loeb (Harvard) para investigação sistemática e instrumentada de fenômenos aéreos anômalos
Diffraction pattern
Padrão de difração — artefato óptico produzido pela interação da luz com elementos internos de uma câmera; pode gerar imagens semelhantes a objetos externos
CME (Coronal Mass Ejection)
Ejeção de massa coronal — expulsão de plasma e campo magnético pelo Sol; suprime o fluxo de raios cósmicos ao cruzar a Terra
Redacted
Redigido/censurado — informação deliberadamente suprimida ou ocultada em documentos oficiais antes de sua divulgação pública
Indo-Pacific Command
Comando Indo-Pacífico — comando militar unificado dos EUA responsável pela região do Indo-Pacífico; seus registros de objetos em formação foram incluídos na remessa UAP
Palomar Sky Survey
Levantamento fotográfico sistemático do céu realizado no Observatório Palomar, Califórnia, a partir dos anos 1950; placas fotográficas do levantamento registraram pontos de luz transitórios

Perguntas frequentes

O que Avi Loeb concluiu sobre os flashes de luz da missão Apollo 12?
Loeb calculou que os pontos de luz azul são muito provavelmente causados por raios cósmicos. O dado decisivo é que os mesmos pontos aparecem em trechos do filme que não estavam atrás da lente, indicando que as marcas foram produzidas por partículas atingindo diretamente o material fotográfico.
Loeb acredita que há evidências de UAPs ao redor da Lua?
Não. Loeb afirmou não haver evidências de OVNIs próximos à Lua, citando tanto o cálculo sobre raios cósmicos quanto os dados da missão Artemis 2, que registrou apenas impactos de meteoroides sem nenhuma anomalia.
Como Loeb avaliou os objetos em formação do Comando Indo-Pacífico?
Loeb os considerou os mais intrigantes da remessa e enquadrou o caso como questão de segurança nacional, levantando a possibilidade de que sejam drones ou balões de nações adversárias. Não ofereceu explicação técnica definitiva.
O que são raios cósmicos e por que afetam câmeras e filmes?
São partículas energéticas provenientes da Via Láctea que viajam próximas à velocidade da luz. Ao atingir sensores ou filmes fotográficos, produzem pontos ou flashes de luz. Na Lua, seu fluxo é 200 vezes maior do que na superfície terrestre, pois não há atmosfera nem magnetosfera bloqueando essas partículas.
Por que Loeb acredita que parte dos arquivos UAP pode não ter sido divulgada?
Ele especulou que registros de objetos sobre o território americano podem ser retidos porque sua divulgação exporia vulnerabilidades do sistema de defesa e inteligência dos EUA.
Loeb espera mais divulgações?
Sim. Ele expressou esperança de que uma nova remessa, incluindo imagens de alta resolução, seja liberada em aproximadamente um mês, após a conclusão do processo de desclassificação.

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