NEWSNATION · 07 de agosto de 2026
Base lunar de OVNIs? Pesquisadores ucranianos fazem afirmação não revisada; astrofísico Avi Loeb avalia metodologia
Um estudo preliminar de pesquisadores ucranianos afirma ter detectado mais de 20 OVNIs próximos à Lua em 2025, incluindo um objeto de cerca de 40 km de extensão. O astrofísico Avi Loeb, de Harvard, questiona a metodologia e aponta limitações críticas do telescópio utilizado.
Contexto: O que diz o estudo ucraniano
Pesquisadores do principal observatório astronômico da Ucrânia afirmam ter registrado, ao longo de 2025, mais de 20 objetos não identificados movendo-se nas proximidades e sobre a superfície da Lua. O estudo utilizou uma câmera de alta velocidade acoplada a um telescópio para capturar os objetos, que supostamente se deslocariam em velocidades extremas.
Segundo o documento, um dos objetos foi rastreado a cerca de 6,6 km/s — velocidade próxima à necessária para a decolagem do ônibus espacial norte-americano. Os pesquisadores também afirmam ter estimado o tamanho dos objetos por meio de análise luminosa, chegando a uma medida de aproximadamente 40 km de extensão para um dos casos — dimensão superior à da ilha de Manhattan.
O comportamento mais significativo relatado pelos autores foram padrões de luz intermitentes, interpretados como possível comunicação intencional. Com base nessa observação, os cientistas ucranianos concluíram:
"Acreditamos que a Lua serve como base para OVNIs."
A afirmação, no entanto, vem acompanhada de uma ressalva fundamental: o estudo ainda não passou por revisão por pares, o que significa que outros cientistas independentes não verificaram os dados, a metodologia nem as conclusões.
A avaliação de Avi Loeb: problemas metodológicos centrais
O professor Avi Loeb, da Universidade de Harvard, titular da cadeira Frank B. Baird Jr. de Ciências e presidente do Conselho Científico Consultivo UAP dos Estados Unidos, foi entrevistado pelo canal NewsNation para comentar o estudo. Sua avaliação foi direta quanto às limitações da pesquisa.
Primeiro problema: qualidade do instrumento. Loeb destacou que existem formas significativamente melhores de observar a Lua do que um telescópio terrestre de 15 cm de abertura. O Lunar Reconnaissance Orbiter da NASA, por exemplo, acumula um volume extenso de dados de superfície lunar. Além disso, quatro meses antes da entrevista, os astronautas da missão Artemis 2 registraram milhares de imagens da Lua — incluindo o lado oculto, invisível da Terra — sem encontrar evidência alguma de estruturas ou atividade anômala.
Segundo problema: ausência de medição de distância. Para Loeb, esse é o ponto crítico:
"Sem saber as distâncias, esse artigo simplesmente não se sustenta. Muitos objetos e perturbações atmosféricas podem passar à frente da Lua durante o período de observação. É necessário medir a distância para saber se você está lidando com um objeto próximo à Lua ou próximo à Terra."
A solução técnica que Loeb propõe é a triangulação por múltiplos telescópios — o mesmo método utilizado pelo Projeto Galileu, iniciativa científica que ele lidera. Com telescópios posicionados em diferentes pontos do globo observando simultaneamente o mesmo objeto, é possível calcular sua distância real por paralaxe. Segundo ele, isso poderia ser feito com custo relativamente baixo, dado que telescópios de 15 cm são acessíveis.
Caso paralelo: Loeb resolve UAP divulgado pelo AARO
Durante a entrevista, Loeb também revelou um trabalho paralelo relevante: em colaboração com o Dr. Devesh Nandal, membro do Conselho Consultivo UAP, ele analisou um caso de Fenômeno Aéreo Não Identificado (UAP) anteriormente divulgado pelo AARO (Escritório de Resolução de Anomalias em Todos os Domínios, do Pentágono).
Utilizando imagens infravermelhas do Departamento de Defesa e comparando o terreno de fundo com mapas do Google Earth, a equipe localizou geograficamente o evento — situado na África — e rastreou tanto o movimento do objeto quanto o da câmera em relação a pontos fixos no solo.
O resultado: o tamanho e a velocidade do objeto são consistentes com um míssil hipersônico. Loeb descreveu a metodologia:
"Inclinamos a imagem do Google Earth até que ela coincidisse com as imagens infravermelhas do vídeo do Departamento de Defesa. Assim, pudemos rastrear o movimento do objeto e da câmera em relação a características do terreno. A única incógnita era a altitude do objeto, mas conseguimos restringi-la também."
Loeb afirmou que sua equipe obteve uma resolução mais precisa do que a apresentada pelo próprio AARO para o caso em questão.
Posição do Conselho Consultivo UAP
O Conselho Científico Consultivo UAP, presidido por Loeb, defende formalmente a adoção de medições de distância como requisito metodológico fundamental para qualquer investigação séria de UAP. Sem essa medida, qualquer objeto detectado por câmera terrestre — seja uma ave, um satélite próximo, um artefato óptico ou um fenômeno atmosférico — pode ser confundido com um objeto anômalo em altitude elevada.
Quanto ao estudo ucraniano especificamente, Loeb foi categórico: não acredita na existência de uma base lunar de OVNIs, e considera os dados insuficientes para sustentar qualquer conclusão desse tipo.
Nota sobre o vídeo
Este conteúdo é uma transcrição integral de entrevista televisionada exibida pelo canal NewsNation, disponível no YouTube. O vídeo original pode ser acessado em: https://www.youtube.com/watch?v=F3bIpTLXpA0. Não se trata de um documento governamental classificado ou relatório oficial, mas de uma cobertura jornalística com participação de especialista científico credenciado.
Glossário
- UAP
- Fenômeno Aéreo Não Identificado (Unidentified Anomalous Phenomena) — designação oficial adotada pelo governo dos EUA para objetos ou fenômenos não explicados detectados no espaço aéreo ou além.
- AARO
- All-domain Anomaly Resolution Office — Escritório de Resolução de Anomalias em Todos os Domínios, do Pentágono, responsável por investigar e divulgar casos UAP.
- Revisão por pares (peer review)
- Processo pelo qual um estudo científico é avaliado de forma independente por outros especialistas da área antes de ser considerado válido pela comunidade científica.
- Triangulação
- Técnica de determinação de distância ou posição de um objeto usando observações de dois ou mais pontos distintos; no contexto UAP, permite confirmar se um objeto está próximo à Lua ou à Terra.
- Paralaxe
- Diferença aparente na posição de um objeto quando observado de dois pontos distintos; base matemática da triangulação astronômica.
- Míssil hipersônico
- Projétil que se desloca a velocidades superiores a Mach 5 (cinco vezes a velocidade do som); classificado como ameaça estratégica de alta prioridade por múltiplas forças armadas.
- Lunar Reconnaissance Orbiter (LRO)
- Sonda robótica da NASA em órbita lunar desde 2009, responsável por mapear a superfície da Lua com alta resolução.
- Galileo Project
- Projeto científico da Universidade de Harvard liderado por Avi Loeb para observação sistemática e rigorosa de UAP, utilizando redes de telescópios e sensores calibrados.
Perguntas frequentes
- Os pesquisadores ucranianos provaram que existe uma base de OVNIs na Lua?
- Não. O estudo ainda não passou por revisão por pares, e o próprio Avi Loeb aponta que a metodologia não permite confirmar a distância dos objetos observados, tornando as conclusões não substantiadas.
- Qual é a principal falha metodológica apontada por Loeb no estudo ucraniano?
- A ausência de medição de distância. Sem triangulação por múltiplos telescópios, é impossível saber se os objetos detectados estão próximos à Lua ou à Terra, podendo ser aves, satélites ou perturbações atmosféricas.
- O que o Projeto Galileu propõe como solução para esse problema?
- O uso de múltiplos telescópios posicionados em diferentes pontos do globo observando o mesmo objeto simultaneamente, permitindo calcular sua distância por triangulação (paralaxe).
- Qual UAP Loeb afirmou ter resolvido durante a entrevista?
- Um caso divulgado pelo AARO, localizado na África. Comparando imagens infravermelhas do Departamento de Defesa com o Google Earth, Loeb e Nandal concluíram que o objeto é consistente com um míssil hipersônico.
- Existem dados melhores sobre a superfície lunar do que os do telescópio ucraniano?
- Sim. Loeb citou o Lunar Reconnaissance Orbiter da NASA e os registros fotográficos da missão Artemis 2, incluindo o lado oculto da Lua, nenhum dos quais revelou evidência de atividade anômala.
- Qual velocidade foi registrada para um dos objetos no estudo ucraniano?
- Cerca de 6,6 km/s (4,1 milhas por segundo), velocidade próxima à necessária para a decolagem do ônibus espacial americano.
Entidades citadas
- Avi Loeb· person
- Devesh Nandal· person
- NewsNation· agency
- AARO· agency
- Galileo Project· agency
- NASA Lunar Reconnaissance Orbiter· aircraft
- Artemis 2· incident
- Africa· location
- Main Astronomical Observatory of Ukraine· agency
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