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NASA · 31 de dezembro de 1972

Apollo 17: Debriefing Técnico de 1973 Registra Relatos de Flashes Luminosos pelo Astronauta Harrison Schmitt

Documento da NASA divulgado em 2026 reproduz trecho do debriefing técnico da missão Apollo 17, realizado em 4 de janeiro de 1973. O piloto do módulo lunar, Harrison Schmitt, descreveu a percepção contínua de flashes de luz durante o voo, incluindo um episódio associado à superfície lunar.

O Documento

O arquivo NASA-UAP-D6 é um excerto do Apollo 17 Technical Crew Debriefing (Debriefing Técnico da Tripulação da Apollo 17), conduzido em 4 de janeiro de 1973, poucos dias após o retorno da missão. O documento foi incluído no catálogo de divulgações do sistema PURSUE (Sistema Presidencial de Desselagem e Relato de Encontros UAP) e está disponível publicamente no portal oficial do Departamento de Defesa dos EUA.

O excerto transcrito pelo catálogo AARO corresponde à página 24-4 do debriefing original e contém declaração do astronauta Harrison Schmitt, que ocupou o posto de Piloto do Módulo Lunar (LMP) na missão.


A Declaração de Harrison Schmitt

Na passagem citada, Schmitt descreve a percepção de flashes de luz praticamente contínuos ao longo do voo, especificamente quando a tripulação se encontrava em adaptação ao escuro (dark adapted). A citação literal, conforme o catálogo, é:

"Tivemos flashes de luz quase continuamente durante todo o voo quando estávamos adaptados ao escuro. Tive um que pensei ser um flash na superfície lunar. Naquele período em que estávamos com vendas nos olhos para o experimento ALFMED, não havia flashes visíveis, embora naquela noite, antes de dormir, eu tenha notado que estava vendo os flashes de luz novamente." [§ p.24-4]

A declaração menciona explicitamente o experimento ALFMED (Apollo Light Flash Moving Emulsion Detector), um detector de emulsão sensível a partículas de alta energia, embarcado justamente para investigar o fenômeno dos flashes luminosos relatados por astronautas em missões anteriores.


Contexto Histórico e Técnico

A Apollo 17, lançada em dezembro de 1972, foi a nona missão tripulada norte-americana à Lua e a sexta a pousar astronautas na superfície lunar. Foi também a última missão do programa Apollo a transportar humanos à Lua. A tripulação era composta pelo comandante Eugene Cernan, pelo piloto do módulo de comando Ronald Evans e pelo geólogo-astronauta Harrison Schmitt — o único cientista civil a caminhar na Lua.

Os relatos de flashes de luz por astronautas não eram novidade em 1973. Tripulações de missões anteriores, incluindo Apollo 11, Apollo 12 e as missões Skylab, já haviam documentado a percepção de clarões luminosos, mesmo com os olhos fechados. A hipótese científica predominante à época — e posteriormente confirmada por estudos — atribui o fenômeno à interação de partículas de radiação cósmica (principalmente núcleos pesados de raios cósmicos galácticos) com a retina ou o nervo óptico dos astronautas, produzindo uma estimulação visual sem luz externa real. O fenômeno ficou conhecido como Light Flash Phenomenon na literatura científica da NASA.

O experimento ALFMED, mencionado por Schmitt, foi desenvolvido especificamente para correlacionar os relatos subjetivos dos astronautas com eventos de partículas detectáveis por instrumentos físicos, permitindo validar ou refutar a hipótese da radiação cósmica. A declaração de Schmitt é relevante porque ele descreve a ausência de flashes durante o uso da venda — o que é consistente com a hipótese de que o fenômeno tem componente retiniano ou neural, e não é puramente imaginativo.


Relevância para o Catálogo PURSUE/AARO

A inclusão deste documento no catálogo de divulgações UAP do sistema PURSUE reflete a diretriz estabelecida pelo Congresso norte-americano e implementada pelo AARO (Escritório de Resolução de Anomalias em Todos os Domínios) de catalogar todos os avistamentos ou percepções anômalas relatados por militares e pessoal governamental, independentemente de sua provável explicação científica.

No caso dos flashes da Apollo 17, a comunidade científica dispõe de uma explicação física bem estabelecida. Ainda assim, o documento integra o acervo histórico porque: (1) foi relatado por pessoal operacional do governo dos EUA em contexto de missão oficial; (2) ocorreu em ambiente de alto interesse estratégico (espaço cislunar); e (3) envolveu percepção de fenômeno visual não imediatamente identificável pelo observador no momento do evento.

A divulgação não implica, por parte da NASA ou do AARO, qualquer atribuição de origem desconhecida ou anômala ao fenômeno descrito. O catálogo registra o relato; a interpretação permanece no domínio científico.


Acesso ao Documento Original

O documento completo em inglês está disponível no portal oficial do Departamento de Defesa dos EUA:

NASA-UAP-D6 — Apollo 17 Technical Crew Debriefing (1973)

O UFFO Brasil recomenda a leitura do documento original para verificação independente de qualquer dado citado nesta página.

Glossário

ALFMED
Apollo Light Flash Moving Emulsion Detector — detector de emulsão fotográfica embarcado na Apollo 17 para registrar partículas de alta energia associadas aos flashes visuais relatados por astronautas
PURSUE
Sistema Presidencial de Desselagem e Relato de Encontros UAP — sistema de catalogação e divulgação de registros UAP do governo dos EUA
AARO
Escritório de Resolução de Anomalias em Todos os Domínios (All-domain Anomaly Resolution Office) — escritório do Pentágono responsável pela investigação e catalogação de UAP
LMP
Lunar Module Pilot — Piloto do Módulo Lunar; posto ocupado por Harrison Schmitt na Apollo 17
Dark adapted
Adaptação ao escuro — estado fisiológico em que os olhos ajustam a sensibilidade à ausência de luz, tornando o observador mais suscetível à percepção de estimulação visual por radiação
Light Flash Phenomenon
Fenômeno de Flash Luminoso — denominação científica para a percepção de clarões visuais por astronautas em ambiente espacial, atribuída à radiação cósmica
UAP
Fenômeno Aéreo Não Identificado (Unidentified Anomalous Phenomena) — designação oficial adotada pelo governo dos EUA para fenômenos aéreos, espaciais ou subaquáticos de origem não determinada
Debriefing técnico
Procedimento padrão pós-missão em que a tripulação relata observações, anomalias e dados operacionais a equipes técnicas da NASA para análise e documentação

Perguntas frequentes

O que Harrison Schmitt relatou no debriefing da Apollo 17?
Schmitt descreveu flashes de luz percebidos quase continuamente durante o voo quando a tripulação estava adaptada ao escuro, incluindo um que ele acreditou ser um flash na superfície lunar. Durante o uso de vendas para o experimento ALFMED, os flashes cessaram, mas retornaram após a remoção das vendas.
O que é o experimento ALFMED mencionado no documento?
ALFMED significa Apollo Light Flash Moving Emulsion Detector — um detector de emulsão sensível a partículas de alta energia, embarcado para correlacionar os flashes relatados pelos astronautas com eventos de radiação cósmica detectáveis instrumentalmente.
Por que este documento foi incluído no catálogo PURSUE/AARO?
O AARO cataloga percepções anômalas relatadas por pessoal governamental em missões oficiais, independentemente da explicação científica disponível. O relato de Schmitt se enquadra nessa diretriz por ter ocorrido em missão espacial tripulada e envolver percepção visual não imediatamente identificada pelo observador.
A NASA ou o AARO atribuem origem desconhecida aos flashes relatados?
Não. O documento é um registro histórico de debriefing operacional. A hipótese científica predominante, e amplamente aceita, é que os flashes resultam da interação de partículas de radiação cósmica com a retina ou o nervo óptico dos astronautas.
Quando e onde foi realizado o debriefing técnico da Apollo 17?
O debriefing foi realizado em 4 de janeiro de 1973, conforme consta no catálogo AARO. O documento completo está disponível na fonte oficial indicada.

Entidades citadas

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