NASA · 05 de dezembro de 1965
Transcrição Gêmeos 7 (1965): Astronautas Lovell e Borman Relatam 'Bogey' e Campo de Partículas em Órbita
Documento da NASA divulgado pelo sistema PURSUE/AARO registra comunicações entre a tripulação da missão Gemini 7 e o Centro de Voo Tripulado em Houston. Os astronautas James Lovell e Frank Borman descreveram um objeto não identificado e centenas de partículas próximas à espaçonave durante o voo de dezembro de 1965.
Contexto da Missão
A missão Gemini 7 foi o décimo voo espacial tripulado americano, realizado em dezembro de 1965 [§ p.1]. A missão foi conduzida pelos astronautas James "Jim" Lovell e Frank Borman, que se comunicavam continuamente com o Centro de Voo Tripulado (hoje denominado Johnson Space Center), localizado em Houston, Texas.
O documento em questão é uma transcrição oficial dessas comunicações, disponibilizado pelo governo dos Estados Unidos por meio do sistema PURSUE (Sistema Presidencial de Desselagem e Relato de Encontros UAP) e catalogado pelo AARO (Escritório de Resolução de Anomalias em Todos os Domínios).
O Relato do "Bogey"
A transcrição se inicia com um relato do astronauta Frank Borman, que usou o termo "bogey" — nomenclatura militar contemporânea para uma aeronave desconhecida ou objeto não identificado — para descrever algo avistado do interior da cápsula Gemini 7 [§ p.1].
Além do objeto em si, Borman relatou a presença de um campo de detritos, descrevendo-o com suas próprias palavras:
"very, very many […] hundreds of little particles"
("muitas, muitas […] centenas de pequenas partículas")
O astronauta estimou que as partículas se encontravam a aproximadamente quatro milhas de distância da espaçonave [§ p.1].
A Descrição de Lovell
O astronauta James Lovell complementou o relato com sua própria observação. Ele descreveu o fenômeno como:
"a brilliant body in the sun against a black background with trillions of particles on it"
("um corpo brilhante no sol contra um fundo negro com trilhões de partículas nele")
A linguagem empregada por Lovell — "trilhões de partículas" — é notavelmente hiperbólica no contexto de uma comunicação técnica de missão espacial, o que evidencia o impacto visual do fenômeno sobre a tripulação [§ p.1].
Anotações Manuscritas
O documento inclui notas manuscritas que registram o episódio. No canto superior direito do documento, consta a anotação:
"UFO Sighting by Borman"
("Avistamento de OVNI por Borman")
Essa anotação representa o uso explícito da designação UFO (Objeto Voador Não Identificado) por parte de funcionários ou analistas da NASA para categorizar o evento relatado pela tripulação [§ p.1]. O uso do termo, ainda que informal, é historicamente relevante, pois demonstra que a agência registrou internamente o avistamento com essa classificação.
Relevância Histórica e Técnica
O caso Gemini 7 ocorre em plena Corrida Espacial, período de intensa atividade da NASA e de escrutínio técnico máximo sobre cada missão. Relatos de objetos não identificados por astronautas nesse período eram raramente divulgados publicamente e, quando o eram, frequentemente recebiam explicações como descarte de combustível, detritos orbitais ou reflexos de luz solar sobre a espaçonave.
A hipótese mais aceita para eventos similares — como o famoso relato de John Glenn durante o voo Mercury-Atlas 6 (1962) — envolve partículas de gelo ou resíduos liberados pela própria espaçonave. No entanto, a estimativa de distância de quatro milhas fornecida por Borman, se precisa, tornaria essa explicação menos plausível para partículas originárias da própria cápsula.
O episódio permanece como um dos relatos de UAP/UFO mais documentados do programa espacial americano, justamente por ter sido registrado em transcrição oficial de missão — não em relatos posteriores ou de memória — e por envolver dois astronautas altamente treinados em observação técnica.
Acesso ao Documento Original
O documento completo em inglês — incluindo a transcrição integral das comunicações e as anotações manuscritas originais — está disponível publicamente no site oficial do Departamento de Defesa dos Estados Unidos, por meio do seguinte endereço:
https://www.war.gov/medialink/ufo/release_1/255_t_763_r1b_transcripts.pdf
O documento foi catalogado com o identificador NASA-UAP-D3 e divulgado em agosto de 2026 como parte das iniciativas de transparência governamental sobre UAP, que incluem o AARO e o sistema PURSUE.
Glossário
- Bogey
- Nomenclatura militar usada em 1965 para designar aeronave ou objeto aéreo não identificado; equivalente informal ao UAP moderno.
- UAP
- Fenômeno Aéreo Não Identificado (Unidentified Anomalous Phenomena); terminologia oficial moderna adotada pelo DoD e NASA.
- UFO
- Objeto Voador Não Identificado (Unidentified Flying Object); termo usado na anotação manuscrita do documento original da NASA (1965).
- PURSUE
- Sistema Presidencial de Desselagem e Relato de Encontros UAP; programa governamental americano de divulgação de documentos relacionados a UAP.
- AARO
- Escritório de Resolução de Anomalias em Todos os Domínios (All-domain Anomaly Resolution Office); órgão do Departamento de Defesa dos EUA responsável pela investigação e divulgação de UAP.
- Low Earth Orbit (LEO)
- Órbita Baixa Terrestre; região orbital entre aproximadamente 160 km e 2.000 km de altitude onde a missão Gemini 7 operava.
- Manned Flight Center
- Centro de Voo Tripulado; antiga denominação do atual Johnson Space Center, em Houston, Texas; controlava as comunicações com a tripulação Gemini 7.
- Debris field
- Campo de detritos; conjunto de partículas ou fragmentos observados no espaço; Borman descreveu centenas de pequenas partículas a aproximadamente quatro milhas da espaçonave.
Perguntas frequentes
- O que é um 'bogey' no contexto desta transcrição?
- É uma nomenclatura militar contemporânea ao período (1965) para designar uma aeronave ou objeto desconhecido. Borman usou o termo para relatar algo avistado próximo à espaçonave Gemini 7.
- A que distância estavam as partículas descritas por Borman?
- Borman estimou que as centenas de partículas do campo de detritos se encontravam a aproximadamente quatro milhas de distância da espaçonave.
- O documento é uma transcrição em tempo real ou um relato posterior?
- O documento é uma transcrição das comunicações de rádio entre a tripulação e o Centro de Voo Tripulado em Houston, ou seja, um registro em tempo real da missão, não um relato de memória elaborado posteriormente.
- Por que as anotações manuscritas têm relevância?
- Porque registram explicitamente o termo 'UFO Sighting by Borman' no canto superior direito do documento, indicando que funcionários ou analistas da NASA categorizaram internamente o evento com essa designação.
- Qual foi a observação de Lovell, e como ela difere da de Borman?
- Lovell descreveu 'um corpo brilhante no sol contra um fundo negro com trilhões de partículas nele', enfatizando a luminosidade do objeto principal, enquanto Borman focou no campo de centenas de pequenas partículas e na designação 'bogey'.
- Onde posso acessar o documento original?
- O PDF completo em inglês está disponível publicamente em: https://www.war.gov/medialink/ufo/release_1/255_t_763_r1b_transcripts.pdf
Entidades citadas
- James "Jim" Lovell· person
- Frank Borman· person
- Gemini 7· aircraft
- Manned Flight Center· agency
- Johnson Space Center· location
- Low Earth Orbit· location
- December 5, 1965· date
- PURSUE· agency
- AARO· agency
Documentos relacionados
NASA Anuncia Reunião Pública da Equipe de Estudo Independente de UAP — 31 de Maio de 2023
NASA
Agenda da Reunião Pública da Equipe de Estudo Independente de UAP da NASA — 31 de maio de 2023
NASA
AARO Correlaciona Flaring de Satélites Starlink com Relatos de UAP
AARO
NASA estabelece Equipe de Estudo Independente sobre Fenômenos Aéreos Não Identificados: Termos de Referência
NASA
DoD e Comunidade de Inteligência: Autorização para Fornecer Informações ao AARO
AARO