NASA · 31 de dezembro de 1968
Transcrição Apollo 12 (1969): Astronautas relatam partículas, flashes e detritos não identificados na órbita lunar
Documento oficial da NASA desclassificado pelo programa PURSUE/AARO registra dois episódios em que a tripulação da Apollo 12 observou fenômenos não identificados próximos ao módulo lunar em novembro de 1969. Os relatos incluem flashes de luz e partículas 'escapando da Lua', além de detritos flutuantes iluminados pela luz de rastreamento da nave.
Contexto do Documento
Este documento é um excerto da Transcrição Técnica de Voz Ar-Solo da Apollo 12 (Apollo 12 Technical Air-to-Ground Voice Transcription), datado de novembro de 1969. O arquivo foi divulgado publicamente em 5 de agosto de 2026 pelo programa PURSUE (Sistema Presidencial de Desselagem e Relato de Encontros UAP) em conjunto com o AARO (Escritório de Resolução de Anomalias em Todos os Domínios). A fonte oficial está disponível em: https://www.war.gov/medialink/ufo/release_1/nasa-uap-d1-apollo-12-transcript-1969.pdf
A Apollo 12 foi a quarta missão tripulada norte-americana à Lua e a segunda a pousar astronautas na superfície lunar. O documento em questão não é a transcrição completa da missão, mas um recorte específico que destaca dois períodos em que membros da tripulação relataram a observação de fenômenos não identificados.
Os Dois Episódios Relatados
Episódio 1 — Dia 5, das 19h14min58s às 20h12min14s
O primeiro episódio ocorreu durante o quinto dia de missão, em uma janela de aproximadamente uma hora de observação. O evento mais relevante foi registrado exatamente às 05:19:27:25 (notação de dia:hora:minuto:segundo da missão).
O Piloto do Módulo Lunar (LMP-LM), Astronauta Alan L. Bean, descreveu a observação de partículas e flashes de luz por meio do Telescópio Óptico de Alinhamento (Alignment Optical Telescope — AOT) instalado a bordo. Bean caracterizou os fenômenos como objetos ou partículas
"sailing off in space" (à deriva no espaço)
e descreveu-os como se estivessem "escapando da Lua".
O AOT era um instrumento de precisão utilizado para alinhar a plataforma inercial do módulo lunar com referências estelares conhecidas. O fato de Bean ter feito o relato durante o uso desse equipamento indica que a observação ocorreu em condições de observação óptica controlada, e não por visão a olho nu pela janela da nave.
Episódio 2 — Dia 6, das 00h21min42s às 00h23min33s
O segundo episódio ocorreu no sexto dia de missão, em uma janela de aproximadamente dois minutos. O Comandante da Missão, Charles "Pete" Conrad, descreveu a observação de detritos flutuantes no exterior do módulo lunar, que estavam sendo iluminados pela luz de rastreamento (tracking light) da própria nave.
Às 06:00:21:51, Conrad avaliou que a luz de rastreamento havia se apagado, pois ele não conseguia mais visualizar os detritos a partir do módulo. A observação, portanto, encerrou-se com o fim da iluminação artificial.
Relevância Histórica e Técnica
A divulgação desta transcrição insere-se em um esforço sistemático de transparência governamental sobre avistamentos de Fenômenos Aéreos Não Identificados (UAP) por militares e astronautas ao longo das décadas. O programa PURSUE, criado por determinação presidencial, tem como objetivo centralizar e desclassificar relatos históricos que anteriormente permaneciam em arquivos restritos ou de acesso limitado.
A relevância deste documento específico está no fato de que os relatos são contemporâneos ao evento — ou seja, registrados no momento exato em que os astronautas observavam os fenômenos, em comunicação direta com o Centro de Controle de Missão em Houston. Isso confere ao material um grau de autenticidade e valor documental superior a relatos reconstituídos posteriormente.
Do ponto de vista técnico, os dois episódios apresentam naturezas distintas:
- Episódio 1: fenômeno óptico observado por instrumento de precisão (AOT), envolvendo luz e partículas de origem não determinada.
- Episódio 2: fenômeno visual direto envolvendo detritos externos à nave, possivelmente relacionados à própria missão, mas cuja origem Conrad não identificou de imediato.
O documento não atribui causa sobrenatural ou extraterrestre a nenhum dos eventos. A transcrição registra observações brutas da tripulação, sem conclusão definitiva sobre a natureza dos fenômenos.
Limitações e Cautelas Interpretativas
É importante destacar que o presente texto se baseia exclusivamente na descrição oficial do catálogo PURSUE/AARO. O PDF completo da transcrição está disponível no link da fonte e pode conter contexto adicional, notas técnicas ou outros trechos relevantes não reproduzidos aqui.
Além disso, o ambiente lunar apresenta condições únicas que podem gerar artefatos visuais não triviais: ejeção de partículas por impactos de micrometeoritos, reflexão solar em detritos da própria missão, raios cósmicos interagindo com a retina humana (fenômeno conhecido como cosmic ray visual phenomena, documentado em missões Apollo) e poeira lunar eletricamente carregada são exemplos de explicações naturais que precisam ser consideradas na análise de qualquer relato desse tipo.
O AARO não afirma, neste catálogo, que os fenômenos observados pela tripulação da Apollo 12 sejam inexplicáveis. O documento é classificado como registro de observação de fenômeno não identificado no momento do relato.
Acesso ao Documento Original
O leitor pode acessar o PDF completo da transcrição em inglês diretamente pela fonte oficial:
🔗 NASA-UAP-D1 — Apollo 12 Transcript (1969)
Para contexto adicional sobre o programa PURSUE e o catálogo completo de documentos UAP desclassificados, consulte o portal do AARO.
Glossário
- UAP
- Fenômeno Aéreo Não Identificado (Unidentified Anomalous Phenomena) — designação oficial atual para avistamentos não explicados
- PURSUE
- Sistema Presidencial de Desselagem e Relato de Encontros UAP — programa que coordena a desclassificação de documentos históricos sobre UAP
- AARO
- Escritório de Resolução de Anomalias em Todos os Domínios — agência do Departamento de Defesa responsável pela investigação e catalogação de UAP
- AOT (Alignment Optical Telescope)
- Telescópio Óptico de Alinhamento — instrumento de precisão do módulo lunar Apollo usado para alinhar a plataforma inercial com referências estelares
- LMP-LM
- Lunar Module Pilot — Piloto do Módulo Lunar; designação da função do astronauta Alan Bean durante a Apollo 12
- Tracking light
- Luz de rastreamento — dispositivo de iluminação externo do módulo lunar usado para localizar objetos próximos à nave
- Air-to-Ground Voice Transcription
- Transcrição de Voz Ar-Solo — registro textual das comunicações entre a tripulação em voo e o Centro de Controle de Missão em Houston
- CUI
- Informação Não-Classificada Controlada — categoria de documentos governamentais que, embora não secretos, têm acesso controlado
Perguntas frequentes
- O que os astronautas da Apollo 12 observaram?
- Alan Bean relatou partículas e flashes de luz 'à deriva no espaço', observados pelo Telescópio Óptico de Alinhamento, que descreveu como se estivessem 'escapando da Lua'. Pete Conrad relatou detritos flutuantes externos ao módulo lunar, iluminados pela luz de rastreamento da nave.
- Quando exatamente os fenômenos foram observados?
- O primeiro episódio ocorreu no 5º dia de missão, entre 19h14min58s e 20h12min14s (aproximadamente uma hora). O segundo ocorreu no 6º dia, entre 00h21min42s e 00h23min33s (aproximadamente dois minutos).
- A NASA ou o AARO concluíram o que eram esses fenômenos?
- Não. O documento registra observações contemporâneas da tripulação sem atribuir causa ou conclusão definitiva. O catálogo PURSUE/AARO os classifica como fenômenos não identificados no momento do relato.
- Por que Conrad parou de ver os detritos no segundo episódio?
- Conrad avaliou que a luz de rastreamento do módulo havia se apagado, o que eliminou a iluminação dos detritos externos e encerrou a observação.
- Por que este documento foi divulgado agora?
- O documento foi desclassificado em 5 de agosto de 2026 como parte do esforço sistemático de transparência do programa PURSUE, criado por determinação presidencial para centralizar e publicar relatos históricos de UAP.
- O instrumento usado por Bean era confiável para esse tipo de observação?
- O Telescópio Óptico de Alinhamento (AOT) era um instrumento de precisão utilizado para alinhar a plataforma inercial do módulo com estrelas de referência, indicando que a observação ocorreu em condições de observação óptica controlada.
Entidades citadas
- Alan L. Bean· person
- Charles "Pete" Conrad· person
- Apollo 12· incident
- Alignment Optical Telescope (AOT)· aircraft
- Moon· location
- PURSUE· agency
- AARO· agency
- November 1969· date
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