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PURSUE: como o Pentágono liberou 160 arquivos UAP e o que os documentos realmente dizem

Em 8 de maio de 2026, o Pentágono publicou mais de 160 registros inéditos sobre Fenômenos Anômalos Não Identificados sob o programa PURSUE. Os documentos cobrem avistamentos desde a década de 1940 e incluem vídeos militares, mas especialistas divergem sobre o alcance real da transparência.

O que é o PURSUE e por que ele importa

Em 8 de maio de 2026, o Pentágono lançou o PURSUE — Presidential Unsealing and Reporting System for UAP Encounters (Sistema Presidencial de Abertura e Registro de Encontros com UAP). O programa publicou mais de 160 registros que o governo americano classifica como "nunca antes vistos pelo público".

A iniciativa responde a uma ordem do presidente Donald Trump, que desde fevereiro vinha prometendo a abertura dos arquivos. O secretário de Defesa Pete Hegseth reforçou o compromisso publicamente em 25 de fevereiro, quando o AARO (All-domain Anomaly Resolution Office — Escritório de Resolução de Anomalias em Todos os Domínios) já registrava mais de 2.000 casos em análise.

O site criado para hospedar os arquivos registrou 340 milhões de acessos nas primeiras 12 horas, segundo informou um funcionário da Casa Branca à imprensa americana. O número indica o volume de interesse público, mas não valida o conteúdo dos documentos.

O que os arquivos contêm

Os registros publicados cobrem avistamentos que se estendem da década de 1940 até o presente. Entre os materiais liberados estão:

Os documentos não trazem conclusões institucionais sobre a natureza dos fenômenos. O Pentágono declarou, em comunicado, que "o público pode tirar suas próprias conclusões" — linguagem deliberadamente neutra que foi criticada por parte da comunidade de pesquisa.

A posição oficial: transparência com ressalvas

O Pentágono afirmou que a publicação representa um esforço genuíno de transparência, mas não respondeu diretamente a questões sobre a existência de materiais ainda retidos. Em 16 de maio, um deputado republicano da Câmara encaminhou pedido formal a um contratado privado de defesa solicitando informações adicionais sobre UAP — sinal de que o Congresso não considera encerrado o processo de divulgação.

Um ex-oficial do Departamento de Defesa, ouvido pelo New York Post em 29 de abril, antes da publicação, disse que o lote não seria um "nothingburger" — expressão americana para conteúdo sem substância. Após a publicação, a avaliação foi recebida com ceticismo por parte dos pesquisadores.

"Dados por si só não são divulgação."

A frase, publicada pelo portal The Debrief em 14 de maio, sintetiza a reação de parte da comunidade de pesquisa em UAP nos Estados Unidos. Para esse grupo, a abertura de arquivos sem análise oficial das evidências, sem conclusões e sem acesso irrestrito aos documentos originais representa transparência incompleta.

Segunda leva anunciada

Em 19 de maio, congressistas americanos anteciparam que uma segunda remessa de arquivos está programada. Um parlamentar usou a expressão "holy crap moment" — algo como "momento de choque" — para descrever o que teria visto em briefings fechados sobre o conteúdo a ser liberado.

A afirmação não foi verificada de forma independente. Não há data confirmada para a segunda publicação.

Japão acompanha os arquivos

Em 11 de maio, o governo japonês confirmou que está analisando os documentos do Pentágono, com atenção especial a avistamentos registrados próximos ao território japonês. A informação foi reportada pela Associated Press e indica que o alcance diplomático da desclassificação vai além do debate interno americano.

O Japão tem protocolo próprio para registro de UAP pelas Forças de Autodefesa desde 2020. A análise dos arquivos americanos é descrita por Tóquio como parte de um esforço de avaliação de segurança aérea.

Obama e o limite do que pode ser revelado

Em 6 de maio, dois dias antes da publicação do PURSUE, o ex-presidente Barack Obama deu uma entrevista em que afirmou que uma divulgação completa sobre UAP não ocorrerá. O argumento: "O governo é terrível em guardar segredos."

A lógica de Obama é que, se existissem provas conclusivas de fenômenos extraordinários, elas já teriam vazado. A declaração foi amplamente citada nos dias seguintes, funcionando como contraponto ao otimismo em torno do PURSUE — embora Obama não tenha acesso privilegiado aos arquivos atuais.

O que os documentos não dizem

Os arquivos publicados não contêm:

A distinção entre o que os documentos contêm e o que fontes externas alegam é central para a leitura responsável do PURSUE. Alegações de recuperação de "corpos não humanos", por exemplo, circularam na imprensa no mesmo período, mas não encontram ancoragem nos arquivos oficialmente liberados até o momento.

Contexto: da Lei de 2022 ao PURSUE

A desclassificação de 2026 é resultado de um processo legislativo iniciado anos antes. O Congresso americano aprovou em 2022 a exigência de que o governo consolidasse e tornasse públicos os registros sobre UAP. O AARO foi criado nesse contexto para centralizar as investigações.

Desde então, o escritório acumulou um banco de dados com mais de 2.000 casos, incluindo avistamentos relatados por pilotos militares, operadores de navios e sensores de satélite. A maioria dos casos permanece sem explicação definitiva nos registros públicos — o que não equivale a afirmar que são inexplicáveis, mas que a investigação está em curso.

O PURSUE representa a primeira tentativa sistemática de tornar esse acervo acessível ao público, mas a seleção do que é publicado ainda cabe ao Executivo.

Perguntas frequentes

O que é o PURSUE?

É o Presidential Unsealing and Reporting System for UAP Encounters, programa criado pelo governo Trump para publicar arquivos governamentais sobre Fenômenos Anômalos Não Identificados (UAP). A primeira remessa foi liberada em 8 de maio de 2026 pelo Pentágono.

Os arquivos provam a existência de vida extraterrestre?

Não. Os documentos publicados não contêm nenhuma conclusão oficial sobre a origem dos fenômenos registrados. O Pentágono declarou que o público pode "tirar suas próprias conclusões", mas não emitiu qualquer afirmação institucional sobre natureza ou origem.

O que há de concreto nos documentos liberados?

Vídeos gravados por plataformas militares, relatórios de avistamentos de décadas anteriores, registros de incidentes de proximidade entre UAP e aeronaves, e arquivos fotográficos de missões espaciais. A maioria dos registros não traz análise conclusiva.

Haverá mais arquivos?

Sim. Congressistas americanos anunciaram em 19 de maio que uma segunda remessa está prevista. Não há data oficial confirmada.

Por que parte dos pesquisadores critica a divulgação?

Porque a publicação de dados brutos sem análise oficial, sem acesso aos documentos de inteligência subjacentes e sem conclusões institucionais é considerada, por parte da comunidade de pesquisa, uma forma incompleta de transparência. A frase "dados por si só não são divulgação" sintetiza essa posição.

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