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NEWSNATION · 07 de agosto de 2026

Pentagon divulga 161 arquivos UAP inéditos: vídeos de estrela de oito pontas, orbe branco e registros das missões Apollo

O governo dos EUA liberou nesta sexta-feira um primeiro lote de 161 arquivos UAP não revelados anteriormente, abrangendo agências como NASA, FBI, Departamento de Estado e Departamento de Guerra, com registros que datam de 1945 a 2023. A NewsNation apresentou os vídeos e entrevistou pilotos militares, almirantes e jornalistas investigativos para contextualizar a divulgação.

Contexto da divulgação

Em data não especificada na transmissão (identificada internamente como uma sexta-feira), o governo Trump liberou o que descreveu como o primeiro lote de arquivos UAP (Fenômeno Aéreo Não Identificado) até então inéditos. Ao todo, 161 arquivos foram disponibilizados por múltiplas agências federais — NASA, FBI, Departamento de Estado e Departamento de Guerra (denominação histórica que precede o atual Departamento de Defesa). O presidente Donald Trump comentou o ato pela rede social Truth Social:

"Com esses novos documentos e vídeos, as pessoas podem decidir por si mesmas o que diabos está acontecendo. Divirtam-se e aproveitem."

O programa de TV Elizabeth Vargas Reports (NewsNation) foi apresentado pelo jornalista Brian Entin, que exibiu trechos dos vídeos e entrevistou especialistas ao vivo.

O que os vídeos mostram

Os arquivos divulgados cobrem um arco temporal de décadas. Entre os exemplos citados na transmissão:

Reações de especialistas

Ryan Graves — ex-piloto de caça da Marinha

Graves, fundador da organização Americans for Safe Aerospace, afirmou que desde a divulgação dos vídeos outras testemunhas já o contataram descrevendo avistamentos idênticos ao da estrela de oito pontas. Segundo ele, o padrão repetível é o argumento central para encerrar o estigma que inibe pilotos de reportar anomalias:

"Mostrar que alguns dos nossos operadores mais bem treinados — tanto no ar quanto com sensores — estão registrando isso e considerando importante vai demonstrar que não se trata de algo isolado."

Almirante (apo.) Tim Gallaudet — oceanógrafo, ex-chefe da NOAA

Gallaudet considerou o vídeo das turbinas eólicas o mais perturbador do lote, argumentando que o objeto não pode ser classificado como drone ou helicóptero e exibe comportamento sob controle inteligente. Expressou surpresa com o fato de o governo ter liberado esse material específico, pois ele evidencia lacunas no domínio do espaço aéreo e aquático operacional:

"Olhe para o quanto o nosso militar é dominante [...] dizer que não sabemos o que é aquilo — é um problema."

Gallaudet destacou que muitas das plataformas que registraram os fenômenos são aeronaves MQ-9 Reaper e P-8 Poseidon da Marinha — sistemas de sensores de alta qualidade operados por tripulações experientes.

Michael Shellenberger — jornalista investigativo

Shellenberger enquadrou a divulgação como início de uma "nova era de disclosure" e criticou o AARO (Escritório de Resolução de Anomalias em Todos os Domínios) por ter liberado apenas pequenos volumes de informação durante seus anos de operação, apesar de alegada autoridade para desclassificar documentos:

"Olhando em retrospecto, parece que todos estávamos perdendo tempo com quantidades ínfimas de informação enquanto sabíamos que havia lotes muito maiores retidos."

Miguel Sancho — produtor de TV e autor

Sancho adotou postura mais cautelosa. Ressaltou que todos os vídeos tiveram telemetria e dados de câmera redigidos, dificultando análise científica rigorosa. Apontou que a estrela de oito pontas pode ser artefato óptico, e que o rastro visível poderia ser de um míssil ou flare de paraquedas. Sancho também observou que, apesar do volume de material liberado, não há documentação que confirme a existência de alegados programas de recuperação e reengenharia reversa de materiais UAP.

Significado institucional

A transmissão enfatizou um ponto recorrente entre os entrevistados: pela primeira vez, o Poder Executivo federal norte-americano reconheceu formalmente, por meio de documentos oficiais, que existem UAP no espaço aéreo e aquático dos EUA que não podem ser caracterizados pelas agências responsáveis. Essa admissão contrasta com décadas de postura oficial de minimização, exemplificada pelo Project Blue Book (pós-Segunda Guerra Mundial) e pela operação mais recente do AARO.

Os entrevistados concordaram que a divulgação deve incentivar pilotos militares e civis a reportar avistamentos sem receio de ridicularização ou perda de certificações. Ryan Graves citou que os registros de Americans for Safe Aerospace mostram que o fenômeno é mais comum do que a ausência de relatórios públicos sugeria.

Limitações e próximos passos

O lote de 161 arquivos foi descrito como apenas o início de um processo contínuo. Congressistas como Tim Burchett, Anna Paulina Luna e Nancy Mace já solicitaram documentos e vídeos específicos adicionais. A telemetria redigida nos vídeos divulgados e a ausência de confirmação documental sobre programas de recuperação de materiais foram os dois pontos mais criticados pelos analistas entrevistados.

O documento original em inglês (transcrição automática do vídeo completo) está disponível no canal do YouTube da NewsNation: https://www.youtube.com/watch?v=JDC9qEeBUUM

Glossário

UAP
Unidentified Anomalous Phenomena — Fenômeno Aéreo Não Identificado; terminologia oficial adotada pelo DoD em substituição a 'UFO'
AARO
All-domain Anomaly Resolution Office — Escritório de Resolução de Anomalias em Todos os Domínios; agência do DoD criada para catalogar e investigar UAP
AATIP
Advanced Aerospace Threat Identification Program — Programa Avançado de Identificação de Ameaças Aeroespaciais; programa predecessor do AARO
NOAA
National Oceanic and Atmospheric Administration — Agência oceânica e atmosférica dos EUA, comandada pelo almirante Gallaudet
MQ-9 Reaper
Drone de ataque e reconhecimento da Força Aérea dos EUA, equipado com sensores eletro-ópticos e infravermelhos de alta resolução
P-8 Poseidon
Aeronave de patrulha marítima e guerra antissubmarino da Marinha dos EUA, derivada do Boeing 737
Cinco observáveis (Five Observables)
Conjunto de características comportamentais UAP definidas por Lou Elizondo no AATIP: sustentação sem superfície de sustentação, aceleração instantânea, hipersônico sem assinatura, invisibilidade a radar e manobras transmedium
Disclosure
Termo do debate UAP para a revelação formal pelo governo de informações até então classificadas sobre fenômenos aéreos não identificados
Artefato de difração
Distorção óptica produzida por câmeras ou sensores infravermelhos que pode criar formas geométricas aparentes em objetos pontuais de luz ou calor
USCENTCOM
United States Central Command — Comando Central dos EUA, responsável pelas operações militares no Oriente Médio e Ásia Central
USINDOPACOM
United States Indo-Pacific Command — Comando Indo-Pacífico dos EUA, responsável pelas operações na região do Pacífico

Perguntas frequentes

Quantos arquivos foram liberados nesta divulgação?
161 arquivos, provenientes de agências como NASA, FBI, Departamento de Estado e Departamento de Guerra.
O que é a estrela de oito pontas vista nos vídeos?
Um objeto captado por sensores infravermelhos em 2013 que deixa rastro visível. Analistas divergem: pode ser a assinatura térmica real do objeto ou um artefato de difração da câmera. Nenhuma explicação definitiva foi estabelecida.
O governo afirma que os objetos são de origem extraterrestre?
Não. O governo reconhece formalmente que não consegue identificar ou caracterizar os objetos, mas não faz afirmação sobre origem extraterrestre.
Por que a telemetria foi removida dos vídeos?
O documento não explica o motivo da redação. Analistas como Miguel Sancho criticaram a omissão por dificultar análise científica independente.
Este lote é o único que será divulgado?
Não. Tanto o governo Trump quanto congressistas indicaram que mais lotes de documentos e vídeos serão liberados em seguida.
Qual é a relevância dos registros das missões Apollo incluídos no lote?
O almirante Gallaudet observou que as imagens e transcrições das missões Apollo já haviam sido divulgadas anteriormente, considerando-as menos relevantes do que os vídeos operacionais militares recentes.
O que os pilotos militares arriscavam ao reportar UAP antes dessas divulgações?
Segundo Ryan Graves, pilotos militares e civis temiam ridicularização e possível perda de certificações ao relatar avistamentos inexplicáveis, o que gerava subnotificação sistemática.

Entidades citadas

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