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JRE · 06 de agosto de 2026

Físico Michio Kaku analisa a mudança no fenômeno UAP: do ridículo ao padrão-ouro de evidências

Em entrevista ao podcast Joe Rogan Experience, o físico teórico Michio Kaku avalia como o cenário em torno dos Fenômenos Aéreos Não Identificados mudou nos últimos anos, com múltiplos sensores, testemunhos militares e análises quadro a quadro elevando o ônus da prova ao Pentágono.

Contexto da entrevista

O físico teórico Michio Kaku, conhecido por seu trabalho em teoria das cordas, concedeu entrevista ao apresentador Joe Rogan no podcast Joe Rogan Experience (JRE). A data exata de publicação não consta no documento original, mas a conversa faz referência à reportagem do New York Times de dezembro de 2017 sobre o programa AATIP (Programa Avançado de Identificação de Ameaças Aeroespaciais) como marco divisor de águas no debate público sobre UAP.

A transcrição automática integral do vídeo foi indexada no catálogo de fontes do projeto UFFO Brasil como material de referência para o debate científico e militar sobre o fenômeno.


O artigo do New York Times como ponto de inflexão

Kaku aponta a reportagem de 2017 do New York Times como o momento em que o chamado "fator risada" começou a se dissipar no debate público:

"Quando o New York Times está reportando sobre isso e dizendo que é notícia importante e que é real e que há evidência em vídeo que não pode ser ignorada..."

Para o físico, o depoimento do Comandante David Fravor — piloto da Marinha americana que relatou o encontro com um objeto não identificado ao largo da costa de San Diego em 2004, a bordo do porta-aviões USS Nimitz — representou uma mudança qualitativa: testemunhos de pessoas com alta credibilidade institucional passaram a integrar o debate.


O padrão-ouro: múltiplas detecções por múltiplos sensores

Kaku defende que o critério mínimo para avaliar avistamentos UAP evoluiu substancialmente. O que ele chama de "padrão-ouro" exige:

"Costumava ser que o ônus da prova recaía sobre as pessoas que acreditavam em OVNIs. Agora o ônus da prova se deslocou para o Pentágono e para os militares. Agora eles têm de provar que esses objetos não são extraterrestres."

Segundo Kaku, as análises disponíveis indicam que esses objetos viajam entre Mach 5 e Mach 20 (cinco a vinte vezes a velocidade do som), executam manobras em ziguezague e podem cair 70.000 pés em poucos segundos. As forças G calculadas dentro desses objetos, segundo ele, seriam várias centenas de vezes a força da gravidade — suficientes para destruir os ossos de qualquer ser humano vivo.

Além disso, os objetos:


As cinco categorias do Pentágono e a opção "Outros"

Kaku menciona que o Pentágono teria listado cinco categorias para classificar os objetos:

  1. Balões meteorológicos ou artefatos do programa espacial
  2. Eventos climáticos anômalos
  3. Tecnologia russa
  4. Tecnologia chinesa
  5. "Outros" — categoria não especificada pelo Pentágono

Para Kaku, a categoria "Outros" abre a possibilidade para drones hipersônicos de origem desconhecida ou tecnologia de origem não humana. Ele observa que russos, chineses e americanos estão todos desenvolvendo drones hipersônicos (velocidade superior a Mach 5), mas que os avistamentos documentados remontam a décadas, muito antes de qualquer programa hipersônico conhecido.

"Você pode ver como eles são primitivos. Estamos falando de objetos que desafiam as leis conhecidas da aerodinâmica com tecnologia além do que temos hoje."


A Escala Kardashev e a física teórica

Kaku situa o debate no contexto da Escala Kardashev, que classifica civilizações pelo nível de energia que conseguem dominar:

Segundo o físico, o acesso à energia de Planck — nível em que o espaço-tempo se torna instável e wormholes podem se desenvolver — exigiria uma civilização Tipo 2 ou Tipo 3. Kaku, que trabalha com teoria das cordas, situa sua pesquisa justamente nessa escala de energia (10¹⁹ bilhões de elétrons-volt, um quadrilhão de vezes mais potente que o maior acelerador de partículas do mundo).

Para o físico, o argumento de que "levaria 70.000 anos para uma nave convencional chegar da estrela mais próxima" é uma falácia de parâmetro fixo:

"Isso assume que esses alienígenas, ou o que quer que sejam, estão talvez cem anos mais avançados do que nós. Abra sua mente para a possibilidade de que estejam mil anos à nossa frente."

Ele acrescenta que 100 mil anos são insignificantes na escala de um universo com 13 bilhões de anos de idade.


Nota editorial

Este documento é a transcrição automática de um vídeo público disponível no YouTube. Opiniões e análises são do entrevistado (Michio Kaku) e não representam posição oficial de nenhuma agência governamental. A transcrição não passou por revisão editorial. O leitor pode acessar o vídeo original em inglês pelo link da fonte acima.

Glossário

UAP
Fenômeno Aéreo Não Identificado (Unidentified Anomalous Phenomena) — nomenclatura oficial adotada pelo DoD a partir de 2021.
AATIP
Programa Avançado de Identificação de Ameaças Aeroespaciais — programa do Pentágono revelado pelo New York Times em 2017.
Mach
Unidade de velocidade relativa à velocidade do som (~343 m/s ao nível do mar). Mach 5 = hipersônico.
Hipersônico
Velocidade superior a Mach 5 (cinco vezes a velocidade do som). Categoria de propulsão em desenvolvimento por EUA, Rússia e China.
Força G
Medida de aceleração equivalente à gravidade terrestre (9,8 m/s²). Humanos suportam no máximo ~9 G por período breve.
Energia de Planck
Escala de energia (~10¹⁹ GeV) em que as leis da relatividade e da mecânica quântica se unificam; relevante para teoria das cordas.
Teoria das Cordas
Teoria física que propõe que partículas fundamentais são manifestações de cordas vibrantes de energia; opera na escala da energia de Planck.
Escala Kardashev
Sistema de classificação de civilizações por capacidade energética, proposto pelo astrofísico soviético Nikolai Kardashev (1964): Tipo 1 (planetário), Tipo 2 (estelar), Tipo 3 (galáctico).
Boom Sônico
Onda de choque acústica gerada quando um objeto ultrapassa a velocidade do som. Ausência de boom sônico nos objetos UAP é considerada anomalia técnica.
Padrão-Ouro (UAP)
Termo usado por Kaku para descrever o critério mínimo de evidência: múltiplos avistamentos simultâneos por múltiplos sensores independentes.
Wormhole
Solução teórica das equações de Einstein que descreve um túnel hipotético conectando dois pontos distantes do espaço-tempo.
USS Nimitz
Porta-aviões nuclear da Marinha dos EUA; palco do avistamento UAP documentado em 2004, conhecido como 'Incidente Nimitz'.

Perguntas frequentes

O que Michio Kaku considera o 'padrão-ouro' para avistamentos UAP?
Segundo Kaku, o padrão-ouro exige múltiplos avistamentos por múltiplas pessoas, confirmados simultaneamente por radar, sensores infravermelhos, observação visual e evidências telescópicas — não apenas um único relato.
Quais capacidades físicas anômalas Kaku atribui aos objetos UAP documentados?
Kaku cita: velocidade entre Mach 5 e Mach 20, queda de 70.000 pés em segundos, forças G de centenas de vezes a gravidade, ausência de boom sônico, ausência de exaustão, movimento contra o vento e capacidade de operar submerso.
Por que Kaku descarta a hipótese de que os UAP sejam drones hipersônicos russos ou chineses?
Porque os avistamentos documentados remontam a décadas, muito antes do desenvolvimento de qualquer programa hipersônico conhecido. Além disso, Kaku afirma que os programas hipersônicos atuais ainda são instáveis e primitivos em comparação com o que foi documentado.
O que é a Escala Kardashev e qual sua relevância para o debate UAP segundo Kaku?
É uma classificação de civilizações por nível de energia dominada (Tipo 1: planetário; Tipo 2: estelar; Tipo 3: galáctico). Kaku argumenta que uma civilização capaz de dobrar o espaço-tempo via energia de Planck seria Tipo 2 ou 3 — e que mil anos de avanço tecnológico sobre nós é insignificante na escala do universo.
Como o artigo do New York Times de 2017 mudou o debate sobre UAP?
Para Kaku, a reportagem deslocou o ônus da prova: antes, quem afirmava ver UAP precisava provar; depois, passou a caber ao Pentágono e aos militares explicar o que são esses objetos.
Qual foi o papel do Comandante David Fravor nessa mudança de paradigma?
Fravor, piloto da Marinha com alta credibilidade institucional, relatou encontro com objeto UAP em 2004 ao largo de San Diego (USS Nimitz). Para Kaku, seu testemunho exemplifica a transição de relatos individuais para evidências documentadas por fontes militares confiáveis.
Por que Kaku rejeita o argumento de que a distância das estrelas torna impossível a visita de civilizações alienígenas?
Porque esse argumento assume que a civilização visitante está apenas cerca de cem anos à frente da Terra. Kaku argumenta que uma civilização mil ou mais anos avançada poderia dominar a energia de Planck, tornando o espaço-tempo maleável — invalidando os cálculos baseados em propulsão convencional.

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