JRE · 06 de agosto de 2026
Ex-piloto da Marinha Ryan Graves relata encontros com UAP durante treinamento operacional no Atlântico
Em entrevista ao podcast Joe Rogan Experience, o ex-aviador naval Ryan Graves descreve avistamentos sistemáticos de objetos não identificados registrados por radares e câmeras de F-18s entre 2013 e 2014 ao largo da costa leste dos EUA. Os relatos incluem objetos estacionários sob ventos de até 120 nós, velocidades de até 0,8 Mach e uma descrição visual de um cubo escuro dentro de uma esfera translúcida.
Quem é Ryan Graves
Ryan Graves é engenheiro mecânico e aeroespacial formado, que ingressou diretamente na Marinha dos EUA após a graduação. Voou F-18s por aproximadamente uma década, tanto em missões operacionais e de combate quanto como instrutor de novos pilotos. Sua esquadra era a VFA-11 Red Rippers, baseada na costa leste.
Em julho de 2023, Graves prestou depoimento público ao Congresso dos EUA junto com outros pilotos militares e ex-funcionários do governo, tornando-se uma das vozes civis mais ativas no debate sobre UAP. À época desta entrevista ao podcaster Joe Rogan, ele ainda estava em atividade ou recém-saído do serviço ativo.
A atualização de radar que revelou os objetos
Segundo Graves, os avistamentos começaram no final de 2013 e início de 2014, logo após a esquadra substituir o radar APG-73 pelo APG-79 — sistema digital de geração mais recente. A troca representou, nas palavras do piloto, a diferença entre uma TV analógica e um painel OLED: maior alcance, rastreamento de múltiplos alvos e maior resolução.
"Saímos de um radar mais antigo chamado APG-73 e migramos para o APG-79, que era um radar muito melhor."
A hipótese inicial da tripulação foi que o novo sistema produzia artefatos de radar — contatos falsos gerados pelo próprio equipamento. Os objetos detectados apareciam como múltiplos alvos simultâneos no espaço aéreo de trabalho, que se estendia de cerca de 10 milhas náuticas da costa até 100 a 250 milhas ao largo, exclusivamente sobre o oceano.
Comportamento registrado
Os objetos exibiam uma combinação de características que Graves descreve como mutuamente exclusivas em tecnologia conhecida:
- Estacionários com vento de até 120 nós (~220 km/h): nenhuma aeronave convencional ou balão seria capaz de manter posição perfeitamente imóvel sob essas condições sem variações detectáveis.
- Velocidade de 0,6 a 0,8 Mach (~440–590 km/h): dentro da faixa operacional de uma aeronave de combate, mas combinada com períodos de hovering completo.
- Trajetória não-linear: os objetos não seguiam linhas retas ou curvas previstas por navegação computadorizada. O vetor de velocidade oscilava, sugerindo movimento errático porém intencional.
- Padrão racetrack: em certos casos, os objetos voavam em linha reta, realizavam curvas de aproximadamente 108 graus e repetiam o ciclo — um padrão eficiente para manter posição em área restrita.
- Duração: de acordo com Graves, os objetos estavam presentes todos os dias, antes da decolagem e após o pouso. Em pelo menos um caso, estimou-se presença contínua de 13 horas.
A detecção visual: cubo dentro de uma esfera
A confirmação de que os contatos de radar correspondiam a objetos físicos veio quando um sensor FLIR (câmera infravermelha de rastreamento frontal) apontou para um dos alvos e retornou imagem de uma fonte de energia infravermelha. Posteriormente, um piloto da VFA-11 teve encontro visual direto.
O relato visual, descrito por Graves como originado de um piloto da sua esquadra, é o mais detalhado do depoimento:
"Ele descreveu o objeto como um cubo preto ou cinza-escuro, e esse cubo estava dentro de uma esfera translúcida clara. Os vértices ou cantos do cubo, pelo que se podia perceber, tocavam o interior da esfera."
Esse encontro ocorreu no ponto de entrada da área de trabalho, onde o tráfego de entrada e saída compartilhava o mesmo ponto GPS — a aeronaves inbound voavam a determinada altitude, as outbound mil pés abaixo. O objeto passou entre as duas aeronaves que voavam em formação. O líder de esquadrinha viu o objeto; o número 2, focado na formação, não viu.
"Ele pousou com todo o equipamento ainda vestido — o que geralmente significa que há um problema. Ficou sentado dizendo: 'quase bati em uma daquelas malditas coisas'."
Contexto operacional e limitações de análise
Graves é explícito sobre o que não foi feito: não havia missão de coleta de inteligência dedicada aos objetos. Os voos custam aproximadamente US$ 30 mil por hora. O tempo disponível para observar os UAP era limitado aos períodos de trânsito entre manobras ou espera por exercícios.
Nenhuma hipótese definitiva é apresentada por Graves na entrevista. Ele descarta progressivamente:
- Artefato de radar → refutado pela detecção FLIR e pelo encontro visual.
- Balão ou objeto passivo → refutado pela estacionariedade em ventos extremos e pela aceleração para 0,8 Mach.
- Drone convencional → não descartado explicitamente, mas implicitamente inconsistente com a combinação de todos os comportamentos relatados.
A entrevista completa em inglês está disponível no canal do Joe Rogan Experience no YouTube.
Relevância para o debate UAP
O depoimento de Graves é considerado pelos analistas do tema como um dos mais tecnicamente fundamentados entre relatos públicos de pilotos militares, por combinar: formação em engenharia aeroespacial, experiência operacional em aeronave de combate, familiaridade com sistemas de radar e FLIR, e múltiplos tipos de detecção simultâneos (radar + FLIR + visual). Em 2023, Graves fundou a organização Americans for Safe Aerospace, voltada ao reporte seguro de avistamentos por pilotos civis e militares.
Glossário
- APG-79
- Radar aerotransportado digital de geração AESA instalado nos F/A-18E/F Super Hornet, com maior resolução e capacidade de rastreamento múltiplo em relação ao APG-73 analógico
- FLIR
- Forward-Looking Infrared — sistema de câmera infravermelha instalado na aeronave para detecção e rastreamento de alvos além da visão óptica
- MOA
- Military Operating Area — área de operação militar com controle de tráfego aéreo, mas não formalmente restrita a civis
- ADIZ
- Air Defense Identification Zone — Zona de Identificação de Defesa Aérea, faixa de espaço aéreo costeiro que exige identificação de aeronaves que adentrem o território
- Racetrack pattern
- Padrão de voo em circuito oval — linha reta, curva, linha reta, curva — usado para manter posição em área com eficiência energética
- Vector velocidade
- Representação vetorial da direção e velocidade de um objeto no radar, indicada como 'cauda' no símbolo do contato
- Mach 0,8
- 80% da velocidade do som; em altitude, aproximadamente 530–590 km/h dependendo da temperatura
- Nó (knot)
- Unidade de velocidade náutica e aeronáutica; 1 nó = 1,852 km/h. 120 nós equivalem a aproximadamente 222 km/h
Perguntas frequentes
- Como os pilotos identificaram que os objetos não eram artefatos de radar?
- O sensor FLIR da aeronave — câmera infravermelha — retornou imagem de uma fonte de energia no ponto indicado pelo radar, confirmando a presença de objeto físico. Posteriormente houve encontro visual direto por piloto da esquadra.
- O que o piloto viu visualmente?
- Um cubo preto ou cinza-escuro dentro de uma esfera translúcida clara, com os vértices do cubo aparentemente tocando o interior da esfera. O objeto passou entre duas aeronaves em formação no ponto de entrada da área de trabalho.
- Por que a atualização de radar foi relevante para os avistamentos?
- O APG-79 tem maior resolução e capacidade de rastreamento múltiplo em relação ao APG-73. A equipe inicialmente atribuiu os novos contatos a artefatos do sistema mais sensível, mas os objetos foram posteriormente confirmados por outros sensores.
- Com que frequência os objetos eram observados?
- Segundo Graves, os objetos estavam presentes todos os dias durante o período relatado — antes das decolagens e ainda visíveis após os pousos. Em pelo menos um caso estimou-se presença contínua de 13 horas.
- Qual era o comportamento de velocidade dos objetos?
- Variava entre completamente estacionários — mesmo com ventos de até 120 nós — e velocidades de 0,6 a 0,8 Mach, dentro da faixa de uma aeronave de combate em cruzeiro.
- O espaço aéreo era restrito?
- Era uma Área de Operação Militar (MOA), não restrita no sentido formal, mas sujeita a controle de tráfego aéreo. Aeronaves civis poderiam entrar mas seriam rapidamente identificadas. Localizava-se dentro da Zona de Identificação de Defesa Aérea (ADIZ) dos EUA.
Entidades citadas
- Ryan Graves· person
- VFA-11· agency
- APG-73· aircraft
- APG-79· aircraft
- Joe Rogan· person
- 2013-2014· date
- Atlântico (costa leste dos EUA)· location
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