uff

JRE · 06 de agosto de 2026

Ex-secretário de inteligência Christopher Mellon relata fascinação com UAP e estigma institucional no governo dos EUA

Em entrevista ao podcast Joe Rogan Experience, Christopher Mellon — ex-subsecretário de defesa para inteligência — descreve décadas de interesse velado em UAP, relata casos enigmáticos investigados dentro do governo e aponta o Painel Robertson de 1953 como origem do estigma institucional que suprimiu o debate por décadas.

Contexto do documento

Este registro é a transcrição automática de um episódio do podcast Joe Rogan Experience (JRE) — programa de entrevistas de longo formato conduzido por Joe Rogan — no qual o convidado é Christopher Mellon, ex-subsecretário de Defesa para Inteligência dos EUA e ex-assessor da comissão de inteligência do Senado. Mellon é figura central no debate público sobre UAP: foi um dos articuladores da reportagem do New York Times de dezembro de 2017 que revelou a existência do programa AATIP (Programa Avançado de Identificação de Ameaças Aeroespaciais) e tornou público o vídeo "Tic Tac".

O documento disponível é uma transcrição bruta gerada automaticamente, sem pontuação ou separação de falas, o que exige leitura cuidadosa. O vídeo completo pode ser acessado diretamente na fonte oficial: youtube.com/watch?v=RjV-PZyUwlY.


Origem do interesse: infância e primeiro avistamento filmado

Mellon relata que seu interesse no tema surgiu aos sete anos, quando frequentava um internato. O diretor da escola exibiu a alunos um filme doméstico — gravado em câmera Kodak de rolo — que mostrava um grande disco dourado sobrevoando céu azul com nuvens cúmulos, entrando em uma nuvem e saindo pelo outro lado antes de desaparecer no horizonte.

"Eu estava atônito e perplexo, e eu mesmo e todas as outras crianças corremos para fora naquela noite e ficamos olhando para as estrelas."

Mellon destaca que a natureza analógica da filmagem — sem recursos de computação gráfica disponíveis na época — tornava difícil atribuir a imagem a uma falsificação.


Interesse velado durante a carreira governamental

Ao ingressar no governo, Mellon descreve uma postura deliberadamente discreta em relação ao tema. O estigma institucional era, segundo ele, suficientemente intenso para colocar em risco a credibilidade profissional de qualquer funcionário que levantasse o assunto publicamente.

"Eu ocultei meu interesse no tema por anos, com muito cuidado, e confidenciei a poucos amigos confiáveis."

Ele buscava "aberturas naturais" para investigar o assunto. Em um desses momentos, um colega da comissão de inteligência visitou a Instalação de Rastreamento Óptico Espacial de Maui (Maui Space Optical Tracking Facility), no Havaí, a pedido de Mellon. O colega retornou com uma fita de vídeo mostrando objetos que as autoridades locais não conseguiam identificar. A fita foi enviada à Força Aérea, classificada como não-sigilosa e eventualmente exibida no programa de televisão Nightline, do jornalista Ted Koppel. As imagens mostravam cinco objetos se movendo paralelamente ao solo, possivelmente em formação, com plasma visível — sugerindo interação com a atmosfera — mas em velocidade considerada baixa demais para meteoros. Nenhuma explicação conclusiva foi fornecida.


O pedido ligado ao presidente Clinton e a fita de Edwards

Mellon descreve uma solicitação que teria vindo da Casa Branca — aparentemente do presidente Clinton — relacionada a um relato de um astronauta que afirmava ter filmado um UAP na Base Aérea de Edwards, na Califórnia, e que havia descrito o episódio em suas memórias. A mensagem chegou ao Pentágono e foi repassada a Mellon, que investigou o caso. A Força Aérea negou a existência de qualquer fita ou registro sobre o incidente, afirmando que tudo o que tinham sobre UAP havia sido destruído.

Mellon enquadra esse episódio como exemplo recorrente no campo: duas fontes aparentemente críveis fornecendo informações completamente contraditórias e irreconciliáveis.


Mudança cultural após dezembro de 2017

Mellon identifica a reportagem do New York Times de dezembro de 2017 — que revelou o programa AATIP e os vídeos de intercepção da Marinha — como o ponto de inflexão que permitiu que funcionários e militares discutissem o tema abertamente, sem risco de estigma profissional imediato.

"Tive amigos do Pentágono que disseram: 'isso é interessante, não precisamos mais entrar no armário para falar sobre isso'."


Origem do estigma: Painel Robertson (1953)

Questionado sobre quando e como o estigma se estabeleceu, Mellon aponta o Painel Robertson, comissão científica convocada pela CIA em 1953, durante a Guerra Fria. O painel concluiu que relatos de UAP representavam risco à segurança nacional — não necessariamente pela natureza dos objetos, mas porque poderiam sobrecarregar o sistema de defesa aérea e comunicações, e porque os soviéticos poderiam explorar o fenômeno para manipular a opinião pública americana. O painel recomendou formalmente o descrédito e a debunking (refutação sistemática) dos relatos de UAP. O governo seguiu a recomendação, segundo Mellon, com considerável eficácia.


J. Allen Hynek e o Projeto Blue Book

Mellon menciona o astrônomo J. Allen Hynek, consultor científico do Projeto Blue Book — programa oficial da Força Aérea para investigação de UAP encerrado em 1969. Hynek foi inicialmente incumbido de debuncar cada caso investigado, utilizando explicações como "gás de pântano" (swamp gas) ou relâmpago esférico (ball lightning). O episódio mais notório ocorreu em Michigan, onde Hynek atribuiu avistamentos múltiplos a gás de pântano, provocando reação pública e a indignação do então congressista Gerald Ford, que representava a região.

Após deixar o Projeto Blue Book, Hynek tornou-se crítico aberto do programa e passou a defender publicamente a seriedade do fenômeno UAP — uma trajetória que Mellon descreve como emblemática das pressões institucionais que moldaram décadas de não-investigação oficial.


Nota editorial

A transcrição é gerada automaticamente e não possui pontuação, o que pode introduzir imprecisões de leitura. As citações acima foram extraídas com fidelidade ao conteúdo identificável na transcrição bruta. Datas exatas do episódio e detalhes de produção não constam no documento transcrito.

Glossário

UAP
Fenômeno Aéreo Não Identificado (Unidentified Anomalous Phenomena); termo oficial atual para o que antes era chamado de OVNI/UFO
AATIP
Programa Avançado de Identificação de Ameaças Aeroespaciais (Advanced Aerospace Threat Identification Program); programa do DoD revelado em 2017
Projeto Blue Book
Programa oficial da Força Aérea dos EUA para investigação de UAP, ativo de 1952 a 1969
Painel Robertson
Comissão científica convocada pela CIA em 1953 que recomendou debunking sistemático de relatos de UAP
Debunking
Refutação sistemática de relatos, buscando explicações convencionais independentemente das evidências; termo sem equivalente exato em PT-BR
Plasma
Estado da matéria com partículas ionizadas; na transcrição, referido como sinal de interação dos objetos com a atmosfera
Swamp gas / Gás de pântano
Explicação convencional usada pelo Projeto Blue Book para avistamentos em Michigan em 1966; gerou controvérsia pública
JRE
Joe Rogan Experience; podcast de entrevistas de longo formato conduzido por Joe Rogan, distribuído na plataforma Spotify
DoD
Department of Defense; Departamento de Defesa dos EUA

Perguntas frequentes

Como Christopher Mellon se interessou por UAP?
Aos sete anos, em um internato, assistiu a um filme doméstico exibido pelo diretor da escola que mostrava um grande disco dourado sobrevoando céu azul, entrando e saindo de uma nuvem. O episódio despertou uma curiosidade que ele descreve como vitalícia.
Por que Mellon manteve seu interesse em UAP em segredo durante sua carreira no governo?
O estigma institucional era intenso o suficiente para que levantar o tema pudesse resultar em descrédito profissional. Ele afirma ter ocultado o interesse por anos e confiar o assunto apenas a poucos amigos de confiança.
O que foi o Painel Robertson e qual seu impacto?
Foi uma comissão científica convocada em 1953, durante a Guerra Fria, que recomendou formalmente o debunking (refutação sistemática) de relatos de UAP, por considerar que poderiam sobrecarregar o sistema de defesa aérea e ser explorados por adversários. O governo seguiu a recomendação, estabelecendo décadas de estigma institucional.
O que aconteceu com a fita de vídeo obtida no Havaí?
A fita, obtida na Instalação de Rastreamento Óptico de Maui, foi enviada à Força Aérea, classificada como não-sigilosa e exibida no programa Nightline de Ted Koppel. Mostrava cinco objetos em possível formação com plasma visível, mas nenhuma explicação conclusiva foi dada.
O que Mellon aponta como mudança no debate sobre UAP?
A reportagem do New York Times de dezembro de 2017, que revelou o programa AATIP, é apontada por Mellon como o ponto de inflexão que deu 'permissão' para que funcionários e militares discutissem o tema abertamente.
Qual foi a trajetória de J. Allen Hynek no Projeto Blue Book?
Hynek foi consultor científico do Projeto Blue Book com a missão de debuncar casos. Após incidente em Michigan — onde atribuiu avistamentos a 'gás de pântano', gerando reação pública — e ao deixar o programa, tornou-se crítico aberto do Blue Book e passou a defender a seriedade do fenômeno UAP.

Entidades citadas

Documentos relacionados