FOX · 06 de agosto de 2026
Ex-piloto da Marinha dos EUA relata encontro com UAP e alerta para riscos à aviação
Ryan Graves, ex-piloto de F-18 da Marinha americana, descreveu ao canal Fox News encontros frequentes com objetos não identificados na costa leste dos EUA. Segundo ele, cerca de 50 a 60 pilotos que voaram com ele relataram avistamentos diários de UAP, mas apenas um confirmou publicamente.
Contexto da entrevista
A entrevista foi veiculada pelo canal do Fox News no YouTube e ocorreu em um momento de alta atenção pública sobre objetos não identificados: dias antes, o governo dos EUA havia derrubado um balão-espião chinês sobre o território americano, e no fim de semana anterior ao programa três outros objetos aéreos foram abatidos sobre o Alaska, Montana e outras regiões — sem que pilotos ou autoridades conseguissem identificar como eram propulsionados ou sustentados no ar.
O apresentador Sean Hannity recebeu Ryan Graves para comentar esse cenário e compartilhar sua experiência pessoal com Fenômenos Aéreos Não Identificados (UAP — Unidentified Anomalous Phenomena).
Quem é Ryan Graves
Ryan Graves é ex-piloto da Marinha dos Estados Unidos, com experiência em aeronaves F-18. Ele já prestou depoimento perante o Congresso americano sobre avistamentos de UAP e é cofundador da organização Americans for Safe Aerospace, voltada à coleta de relatos de pilotos sobre UAP com foco em segurança aérea. Graves é uma das figuras públicas mais citadas nos debates recentes sobre o tema, por reunir credencial militar e disposição para falar abertamente.
O que Graves relatou
Segundo o piloto, após sua esquadrilha modernizar os sistemas de radar dos F-18, os pilotos passaram a detectar objetos inesperados nas áreas de treinamento ao longo da costa leste dos EUA. Os objetos eram registrados:
- Nos sistemas de radar das aeronaves
- Nas câmeras FLIR (Forward-Looking Infrared — sistema de imageamento infravermelho)
- A olho nu, em alguns casos
"Nós os víamos em nossos radares, nos víamos em nossos sistemas de câmera e em nossos sistemas FLIR, e eventualmente os vimos com nossos próprios olhos."
Graves descreveu o comportamento típico dos objetos como estacionários contra ventos de 60 a 120 nós, em altitudes entre 5.000 e 30.000 pés — condições em que uma aeronave convencional precisaria de propulsão ativa para se manter parada. Em outros momentos, os objetos se deslocavam em linha reta ou em padrão de espera (holding pattern) a velocidades de até Mach 1,0 (velocidade do som), e permaneciam no ar por longos períodos — enquanto os F-18, em voo tático, têm autonomia de aproximadamente uma hora a uma hora e quinze minutos.
Quase colisão e relatório de segurança
O episódio mais grave relatado por Graves foi uma quase colisão (near mid-air) com um desses objetos ao entrar em sua área de operações. O incidente foi grave o suficiente para obrigar a esquadrilha a registrar um relatório de risco (hazard report) formal para alertar o restante da frota sobre o perigo.
O piloto que avistou visualmente o objeto nessa ocasião o descreveu como:
"Um cubo cinza escuro ou preto dentro de uma esfera transparente."
Essa descrição específica — cubo dentro de esfera — tornou-se uma das mais citadas na literatura de UAP dos últimos anos, por sua natureza incomum e por ter sido relatada por um profissional treinado em identificação de aeronaves.
Alcance do fenômeno: 50 a 60 pilotos
Graves afirmou que aproximadamente 50 a 60 pilotos com quem voou relataram avistamentos de UAP com frequência diária, mas que apenas um outro piloto confirmou os relatos publicamente. Segundo ele, os avistamentos eram discutidos rotineiramente de forma privada entre os tripulantes, sem que houvesse mecanismo formal seguro para reportá-los sem risco à carreira.
"Absolutamente. Voávamos nossos caças na costa leste, em nossas áreas de trabalho com nossos F-18s, e depois que atualizamos nossos radares começamos a notar objetos em nossas áreas de trabalho que não esperávamos ver."
Conexão com os abates de 2023
Graves relacionou sua experiência de esquadrilha ao cenário dos abates de fevereiro de 2023, argumentando que a incapacidade dos pilotos de identificar como os objetos eram propulsionados ou sustentados no ar demonstra, na prática, o risco de segurança aérea que ele já descrevia desde antes. O piloto foi cuidadoso ao não fazer afirmações sobre a origem ou natureza dos objetos:
"Concordo com você que realmente não temos informações suficientes agora para fazer uma avaliação em nenhum sentido sobre o que estamos vendo."
Relevância para o debate sobre UAP
A entrevista se insere no ciclo de crescente transparência institucional sobre UAP nos EUA: o Congresso realizou audiências públicas em 2022 e 2023, o AARO (All-domain Anomaly Resolution Office — Escritório de Resolução de Anomalias em Todos os Domínios) foi criado pelo Departamento de Defesa em 2022, e a NASA publicou seu relatório independente sobre UAP em setembro de 2023. Graves testemunhou no Congresso e tornou-se porta-voz informal de pilotos que relatam avistamentos, mas que receiam consequências profissionais ao fazê-lo publicamente.
O vídeo original em inglês está disponível no canal do Fox News no YouTube: https://www.youtube.com/watch?v=mljQRYLM2yU
Glossário
- UAP
- Fenômeno Aéreo Não Identificado (Unidentified Anomalous Phenomena) — termo oficial adotado pelo DoD e ODNI para objetos aéreos não identificados
- FLIR
- Forward-Looking Infrared — sistema de imageamento infravermelho instalado em aeronaves militares para detecção de alvos
- NORAD
- North American Aerospace Defense Command — Comando de Defesa Aeroespacial da América do Norte, responsável pela vigilância do espaço aéreo dos EUA e Canadá
- Knot (nó)
- Unidade de velocidade náutica; 1 nó = 1,852 km/h. Usada para medir velocidade de ventos e aeronaves
- Mach 1,0
- Velocidade do som (~1.235 km/h ao nível do mar); velocidade máxima mencionada para os objetos observados
- Hazard report
- Relatório formal de risco à segurança aérea, arquivado para alertar outras tripulações sobre condições perigosas
- Holding pattern
- Padrão de espera aérea — trajetória oval ou circular que uma aeronave faz para aguardar autorização de pouso ou instrução de controle
- AARO
- All-domain Anomaly Resolution Office — Escritório de Resolução de Anomalias em Todos os Domínios, criado pelo Departamento de Defesa dos EUA em 2022 para investigar UAP
Perguntas frequentes
- O que Ryan Graves viu durante seus voos com a Marinha?
- Graves relatou objetos detectados por radar, sistemas FLIR e visão direta, que permaneciam estacionários contra ventos de 60 a 120 nós, se deslocavam a até Mach 1,0 e ficavam no ar por horas — muito além da autonomia dos F-18.
- Qual foi a descrição visual do UAP relatada por um piloto da esquadrilha?
- Um cubo cinza escuro ou preto dentro de uma esfera transparente, observado visualmente durante uma quase colisão ao entrar na área de operações.
- Quantos pilotos teriam relatado avistamentos semelhantes?
- Segundo Graves, aproximadamente 50 a 60 pilotos com quem ele voou relataram ver UAP com frequência diária, mas apenas um confirmou os relatos publicamente.
- Graves afirma que os UAP são de origem extraterrestre?
- Não. Graves declarou explicitamente que não há informações suficientes para fazer qualquer avaliação sobre a origem ou natureza dos objetos, e que a prioridade é tratar o risco à segurança aérea.
- O incidente gerou algum registro oficial?
- Sim. A quase colisão forçou a esquadrilha a registrar um relatório formal de risco (hazard report) para alertar o restante da frota sobre o perigo.
- Qual foi o contexto imediato da entrevista?
- A entrevista ocorreu após o abate do balão-espião chinês e de três outros objetos não identificados sobre o Alaska, Montana e outras regiões, cujos meios de propulsão ou sustentação os pilotos não conseguiram identificar.
Entidades citadas
- Ryan Graves· person
- Sean Hannity· person
- NORAD· agency
- Eastern Seaboard· location
- Alaska· location
- Montana· location
- F-18· aircraft
- Fox News· agency
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