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CBS60 · 06 de agosto de 2026

Drones não identificados, UAP e o estado da Marinha dos EUA — Reportagem especial do 60 Minutes

O programa jornalístico americano 60 Minutes reuniu depoimentos de militares, ex-funcionários do Pentágono e legisladores sobre invasões de drones em bases militares restritas, avistamentos de UAP por pilotos navais e a crescente rivalidade naval entre EUA e China. A reportagem cobre incidentes que vão de 2004 a 2024.

Visão geral do material

Esta transcrição integral de episódio do programa 60 Minutes da CBS consolida três grandes eixos investigativos em uma única edição: (1) invasões de drones não identificados em instalações militares americanas, com destaque para o incidente na Base Aérea de Langley em 2023; (2) avistamentos de Fenômenos Aéreos Não Identificados (UAP) documentados pela Marinha dos EUA desde 2004; e (3) uma análise do estado de prontidão da Marinha americana frente à expansão naval da China. A íntegra em inglês está disponível no canal oficial do programa no YouTube.


Invasão de drones em Langley — dezembro de 2023

O episódio abre com o depoimento de Jonathan Butner, testemunha civil que gravou com seu iPhone, em 14 de dezembro de 2023, o que descreveu como mais de 40 objetos com luzes alaranjadas avermelhadas sobrevoando a Base Aérea de Langley, na Virgínia — sede de dezenas de caças furtivos F-22 Raptor. O general aposentado de quatro estrelas Mark Kelly, o oficial de maior patente a testemunhar o enxame naquela noite, relatou objetos de tamanhos variados, desde quadricópteros comerciais até objetos do tamanho de um carro pequeno, voando em diferentes altitudes e velocidades durante 17 noites consecutivas.

O então comandante conjunto do NORAD e Northcom, general Glenn Van Herk, confirmou que acionou caças F-22, plataformas de alerta aéreo e helicópteros para tentar categorizar os drones — sem sucesso. Os sistemas de radar do NORAD, projetados durante a Guerra Fria para detectar ataques aéreos e de mísseis em alta altitude, mostraram-se incapazes de rastrear drones voando a baixa altitude, mesmo aqueles visíveis a olho nu.

"Não conseguimos rastreá-los. Não conseguimos ver de onde se originam. É uma lacuna de capacidade." — General Glenn Van Herk

Diante do impasse, aeronaves F-22 estacionadas em Langley foram transferidas para uma base próxima como medida de proteção. Van Herk alertou que drones de espionagem também podem carregar armamento e destruir aeronaves no solo, citando exemplos ucranianos como precedente.

Um alto funcionário do governo Biden chegou a classificar o episódio publicamente como provável obra de hobbyistas — avaliação rejeitada por Van Herk, que apontou a magnitude dos eventos, o tamanho de alguns drones e a duração das incursões como incompatíveis com essa explicação.


Padrão recorrente: incursões em instalações sensíveis

A reportagem documenta um padrão de incursões semelhantes em locais críticos ao longo de cinco anos: a usina nuclear de Palo Verde, no Arizona (2019); um sítio de armas experimentais no sul da Califórnia (2024); o Arsenal de Picatinny, em Nova Jersey (2023); e uma base aérea britânica onde armas nucleares americanas são armazenadas. Em 2019, navios de guerra da Marinha em treinamento ao largo da costa da Califórnia foram seguidos por dezenas de drones por semanas — os registros de bordo indicavam drones no momento, embora o Pentágono tenha demorado anos para desmentir especulações de que seriam OVNIs.

O senador Roger Wicker (R-MS), presidente do Comitê de Forças Armadas do Senado, declarou à reportagem estar "ainda perplexo" após briefings classificados nos mais altos níveis. O general Gregory Guillot, atual comandante do NORAD/Northcom, admitiu que radares de vigilância padrão da FAA provavelmente ainda não detectariam um enxame de drones em baixa altitude sobre Langley.


UAP: dos vídeos da Marinha ao relatório do ODNI

A segunda parte da reportagem retoma material publicado pelo 60 Minutes em maio de 2021, centrado em depoimentos de pilotos navais e ex-funcionários do Pentágono sobre UAP.

Luis Elizondo, que comandou o AATIP (Programa Avançado de Identificação de Ameaças Aeroespaciais) a partir de 2010, descreveu tecnologia observada capaz de executar manobras de 600 a 700 Gs, atingir velocidades de até 13.000 milhas por hora, evadir radares e operar em ar, água e possivelmente no espaço — sem propulsão visível, asas ou superfícies de controle. O programa, com orçamento de US$ 22 milhões patrocinado pelo então senador Harry Reid, teve seu financiamento cortado em 2012, mas Elizondo afirma que manteve a missão informalmente até pedir demissão em 2017.

Christopher Mellon, ex-secretário adjunto de Defesa para Inteligência, admitiu ter vazado três vídeos da Marinha ao New York Times em 2017 como ato deliberado para forçar o debate público — estratégia que, segundo ele, foi necessária diante da inação institucional.

O piloto naval David Fravor e a tenente Alex Dietrich relataram o incidente do USS Nimitz em novembro de 2004: um objeto branco em formato de tic-tac, sem marcações, asas ou plumas de exaustão, que espelhou as manobras do F-18 de Fravor antes de desaparecer e ser redetectado pelo USS Princeton a 60 milhas de distância segundos depois. O tenente-comandante Ryan Graves relatou avistamentos diários de UAP por pelo menos dois anos em espaço aéreo restrito ao sul de Virginia Beach após a atualização dos radares de seus F-18 em 2014.

O relatório desclassificado do ODNI citado na reportagem concluiu que os UAP "provavelmente não têm uma única explicação", mas que alguns "parecem demonstrar tecnologia avançada que merece análise adicional".


Estado da Marinha e rivalidade com a China

A terceira seção da reportagem examina a expansão naval da China — de aproximadamente 37 embarcações no início dos anos 2000 para cerca de 350 em operação — frente a uma frota americana que, segundo projeções, pode encolher para cerca de 280 navios até 2027, justamente o ano apontado pela CIA como prazo em que Pequim poderia tentar tomar Taiwan pela força.

O almirante Samuel Paparo, comandante da Frota do Pacífico dos EUA, concedeu entrevista a bordo do porta-aviões USS Nimitz, destacando a superioridade americana em submarinos nucleares (estimada em uma geração tecnológica à frente da China) e em poder aéreo embarcado. Ao mesmo tempo, reconheceu preocupação com a trajetória e com os mísseis antiporta-aviões chineses DF-21 e DF-26, chamados de "assassinos de porta-aviões".

A reportagem também documenta falhas bilionárias de aquisição: apenas três dos 32 destróieres classe Zumwalt foram construídos, a um custo estimado de US$ 8 bilhões cada; e o programa de navios de combate litorâneo (LCS) consumiu US$ 30 bilhões antes de ser encerrado por defeitos estruturais e problemas de motor.


Como acessar o material original

A transcrição completa e o vídeo do episódio estão disponíveis em inglês no canal oficial do 60 Minutes no YouTube: https://www.youtube.com/watch?v=NrM_NQS3_Fc.

Glossário

UAP
Fenômeno Aéreo Não Identificado (Unidentified Anomalous Phenomena) — terminologia oficial do Pentágono para o que popularmente se chama de OVNIs ou UFOs
AATIP
Programa Avançado de Identificação de Ameaças Aeroespaciais — programa do Pentágono que investigou UAP entre 2007 e 2012
NORAD
Comando Aeroespacial da América do Norte — comando conjunto EUA-Canadá responsável pela defesa do espaço aéreo continental
Northcom
Comando Norte dos EUA — comando militar responsável pela defesa do território continental americano
UAS / UAV
Sistema de Aeronave Não Tripulada / Veículo Aéreo Não Tripulado — terminologia militar para drones
LCS
Navio de Combate Litorâneo (Littoral Combat Ship) — classe de navios de guerra americanos encerrada após problemas estruturais e de propulsão
DF-21 / DF-26
Mísseis balísticos antiporta-aviões do Exército Popular de Libertação da China, chamados de 'assassinos de porta-aviões'
ODNI
Escritório do Diretor de Inteligência Nacional — órgão que publicou o relatório desclassificado sobre UAP citado na reportagem
CPA
Ponto de Aproximação Mais Próxima (Closest Point of Approach) — termo náutico/aéreo usado nos registros de avistamento de drones pelos navios da Marinha
Top Gun
Escola de Guerra Aérea Naval dos EUA — escola de combate aéreo avançado da Marinha americana

Perguntas frequentes

Quantas noites durou a invasão de drones sobre a Base Aérea de Langley?
Segundo a reportagem, os drones sobrevoaram Langley por 17 noites consecutivas antes de cessar.
Por que o NORAD não conseguiu rastrear os drones?
Os sistemas de radar do NORAD foram projetados durante a Guerra Fria para detectar ataques a alta altitude. Drones voando a baixa altitude ficam abaixo da cobertura desses radares, configurando o que o general Van Herk chamou de 'lacuna de capacidade'.
O que é o AATIP e qual era seu orçamento?
O AATIP (Programa Avançado de Identificação de Ameaças Aeroespaciais) era um programa do Pentágono com orçamento de US$ 22 milhões, patrocinado pelo então senador Harry Reid, dedicado a coletar e analisar dados sobre veículos aéreos anômalos.
O que os pilotos do USS Nimitz observaram em 2004?
Os pilotos David Fravor e Alex Dietrich relataram um objeto branco em formato de tic-tac, sem asas, marcações ou plumas de exaustão, que espelhou as manobras do F-18 antes de desaparecer e ser redetectado pelo USS Princeton a 60 milhas de distância segundos depois.
Como a China se compara aos EUA em número de navios de guerra?
De acordo com a reportagem, a China passou de cerca de 37 embarcações no início dos anos 2000 para aproximadamente 350, tornando-se a maior marinha do mundo em número de navios. Os EUA operam 11 porta-aviões nucleares e mantêm vantagem tecnológica, especialmente em submarinos.
O governo americano chegou a alguma conclusão sobre a origem dos drones em Langley?
Não. O general Guillot confirmou que a investigação ainda estava em andamento. Um alto funcionário do governo Biden sugeriu que poderiam ser hobbyistas, mas essa avaliação foi rejeitada pelo general Van Herk com base na magnitude, tamanho e duração dos eventos.

Entidades citadas

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