CBS60 · 06 de agosto de 2026
Pilotos da Marinha dos EUA relembram avistamento UAP 'perturbador' em 2004
Em reportagem do programa 60 Minutes da CBS, dois ex-pilotos da Marinha americana descrevem o encontro com um objeto aéreo não identificado durante exercício de treinamento a cerca de 160 km a sudoeste de San Diego, em novembro de 2004. O episódio, conhecido como 'Incidente Nimitz', tornou-se um dos casos UAP mais documentados e debatidos das últimas décadas.
Contexto: o programa 60 Minutes e a cobertura UAP
Este documento é a transcrição automática de um segmento exibido pelo programa 60 Minutes, da CBS News, conduzido pelo repórter Bill Whitaker. O material aborda o tema dos Fenômenos Aéreos Não Identificados (UAP — Unidentified Aerial Phenomena), com foco no avistamento ocorrido em novembro de 2004 envolvendo pilotos da Marinha dos Estados Unidos durante operações do Grupo de Ataque do Porta-Aviões USS Nimitz.
A reportagem insere-se em um período de crescente abertura institucional sobre o tema: à época da exibição, o Pentágono havia recentemente criado a UAP Task Force (Força-Tarefa UAP) para coletar e analisar evidências registradas por membros das Forças Armadas, que passaram a ser formalmente encorajados a relatar esses encontros.
O avistamento de 2004: o que os pilotos disseram
Os dois ex-pilotos entrevistados são Tenente-Comandante Alex Dietrich e Comandante Dave Fravor. Em novembro de 2004, ambos — cada um acompanhado de um oficial de sistemas de armas no assento traseiro — foram enviados para investigar anomalias detectadas pelo radar do USS Princeton, navio de escolta do grupo de ataque.
O radar avançado do Princeton havia detectado o que os operadores descreveram como múltiplos veículos aéreos anômalos além do horizonte, descendo de 24.000 metros de altitude em menos de um segundo. Ao chegarem à área designada, os pilotos encontraram uma região de águas agitadas em um mar até então calmo, sugerindo a presença de um objeto submerso de tamanho aproximado a um Boeing 737.
Fravor descreve o objeto avistado:
"Vimos aquele pequeno objeto branco com formato de Tic Tac, apenas se movendo acima da área de água agitada."
O movimento do objeto foi descrito como errático e imprevisível — comparado a uma bola de pingue-pongue — sem aceleração previsível e sem trajetória definida.
A manobra de espelhamento e o desaparecimento
Ao tentar se aproximar, Fravor relata que o objeto começou a espelhar suas manobras: enquanto o piloto descia em espiral, o objeto subia em direção a ele. Quando Fravor tentou reduzir a distância bruscamente, o objeto simplesmente desapareceu.
"Quando ficou bem na minha frente, simplesmente desapareceu. Sumiu."
Segundos depois, o USS Princeton redetectou o alvo a 60 milhas náuticas de distância (aproximadamente 110 km), sugerindo uma velocidade de deslocamento muito além das capacidades de qualquer aeronave conhecida.
Nenhuma propulsão visível, asas ou superfícies de sustentação foram observadas pelos pilotos. Posteriormente, outra equipe de voo avistou o que acreditava ser o mesmo objeto e o capturou brevemente com uma câmera de mira — gerando as imagens de infravermelho forward-looking (FLIR) que se tornaram públicas anos depois.
Avaliação técnica: capacidades além do conhecido
Christopher Mellon, ex-Subsecretário Adjunto de Defesa para Inteligência durante os governos Clinton e George W. Bush, e ex-membro da equipe do Comitê de Inteligência do Senado, analisa o caso na reportagem. Segundo ele, as capacidades demonstradas pelos objetos estão além das aeronaves militares americanas mais avançadas:
"No caso do Nimitz, esses veículos parecem ter tempo de permanência ilimitado no ar — o que não temos. Somos limitados em altitude. É difícil projetar algo que funcione bem ao nível do solo e que possa ir a 18.000 ou 24.000 metros e depois descer em linha reta vertical em segundos."
Mellon também menciona que conversou com operadores de radar que observaram acelerações muito além da capacidade de qualquer aeronave americana. A velocidade máxima de um caça americano foi citada como cerca de 2.400 a 3.200 km/h, o que ainda não se aproxima da aceleração registrada nesses casos. Segundo ele, não existe material estrutural conhecido capaz de suportar as forças geradas por tal aceleração.
Reação institucional e estigma
Após o avistamento, Dietrich informou seus superiores. A notícia se espalhou pelo navio em menos de 30 minutos. A reação inicial foi de ridicularização: foram feitos cartuns, e o canal de TV interno do navio exibiu filmes como Men in Black, Independence Day e Signs.
"Eles fizeram troça. Oh, sim." — Dietrich
Apenas a equipe do almirante teria feito algumas ligações telefônicas sobre o incidente, sem desdobramentos formais conhecidos à época. O episódio ilustra o estigma histórico associado a relatos de UAP dentro das Forças Armadas — um dos fatores que motivou a criação de canais oficiais de reporte anos depois.
Relevância histórica
O Incidente Nimitz é considerado um dos casos UAP mais bem documentados da história recente, reunindo:
- Múltiplos testemunhos de pilotos treinados
- Dados de radar de sistemas avançados (USS Princeton)
- Imagens FLIR posteriormente desclassificadas pelo Pentágono
- Avaliação de ex-autoridades de inteligência
O vídeo original da reportagem está disponível em inglês pelo link da fonte oficial. A transcrição aqui traduzida foi gerada automaticamente a partir do áudio, o que explica eventuais imprecisões no texto de origem.
Glossário
- UAP
- Fenômeno Aéreo Não Identificado (Unidentified Aerial Phenomena) — terminologia oficial adotada pelo Pentágono e pela inteligência americana em substituição ao popular 'OVNI'.
- FLIR
- Forward-Looking Infrared — sistema de câmera infravermelha de visão frontal utilizado em aeronaves militares para detectar alvos por emissão de calor.
- UAP Task Force
- Força-Tarefa UAP do Pentágono, criada em agosto de 2020 para coletar e analisar dados sobre encontros com fenômenos aéreos não identificados reportados por membros das Forças Armadas.
- Anomalous Aerial Vehicles
- Veículos aéreos anômalos — termo usado pelos operadores de radar do USS Princeton para descrever os objetos detectados durante o Incidente Nimitz.
- Carrier Strike Group
- Grupo de Ataque de Porta-Aviões — formação naval americana composta por um porta-aviões e seus navios de escolta, aviação embarcada e submarinos.
- Loiter time
- Tempo de permanência em voo — capacidade de uma aeronave manter-se em uma área por período prolongado, limitada por combustível nas aeronaves convencionais.
- CUI
- Informação Não-Classificada Controlada (Controlled Unclassified Information) — categoria de dados governamentais sensíveis mas não secretos, sujeitos a controles de distribuição.
Perguntas frequentes
- O que os pilotos da Marinha viram em 2004?
- Um objeto branco de formato semelhante a um Tic Tac, sem propulsão visível, asas ou superfícies de sustentação, que se movia de forma errática acima de uma área de águas agitadas no Oceano Pacífico, a cerca de 100 milhas a sudoeste de San Diego.
- O radar do USS Princeton detectou algo?
- Sim. O radar avançado do USS Princeton detectou múltiplos veículos aéreos anômalos descendo de cerca de 24.000 metros em menos de um segundo. Após o desaparecimento durante o avistamento visual, o mesmo radar redetectou o alvo a 60 milhas de distância em segundos.
- Houve registro em vídeo do avistamento?
- Outra equipe de voo, em missão posterior, capturou brevemente o objeto com câmera de mira e gerou imagens FLIR (infravermelho de visão frontal), que foram posteriormente investigadas e divulgadas pelo Pentágono.
- Qual foi a reação dos superiores militares ao relato dos pilotos?
- Segundo Dietrich, a equipe do almirante fez algumas ligações telefônicas, mas sem desdobramentos formais conhecidos. A bordo do navio, a reação geral foi de ridicularização, com cartuns e exibição de filmes de ficção científica no canal interno.
- O que Christopher Mellon disse sobre as capacidades do objeto?
- Mellon afirmou que os objetos demonstraram capacidades além das aeronaves militares americanas mais avançadas: tempo de permanência ilimitado, operação em altitudes extremas, descida vertical em segundos e aceleração muito superior à velocidade máxima de qualquer caça americano.
- Os pilotos concluíram que eram extraterrestres?
- Não. Dietrich foi explícita ao dizer que não queria saltar a conclusões nem sensacionalizar o caso. Ela descreveu o objeto como algo que 'desafia explicação', mas evitou qualquer afirmação sobre origem extraterrestre.
Entidades citadas
- Bill Whitaker· person
- Alex Dietrich· person
- Dave Fravor· person
- Christopher Mellon· person
- USS Nimitz· aircraft
- USS Princeton· aircraft
- San Diego· location
- UAP Task Force· agency
- November 2004· date
- 60 Minutes· agency
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