CBS60 · 06 de agosto de 2026
Ex-piloto da Marinha dos EUA diz ter detectado UAPs regularmente e os classifica como risco à segurança
O tenente Ryan Graves, ex-piloto de F-18 da Marinha americana, relatou ao programa 60 Minutes da CBS que seu esquadrão detectava Fenômenos Aéreos Não Identificados (UAP) com frequência diária sobre espaço aéreo restrito desde 2014. O Pentágono confirmou não conseguir identificar os objetos registrados em imagens.
Contexto do Depoimento
Este material corresponde à transcrição automática de um segmento exibido pelo programa 60 Minutes, da rede CBS, com o ex-piloto de caça da Marinha dos Estados Unidos tenente Ryan Graves. O depoimento de Graves tornou-se um dos relatos mais citados no debate institucional sobre UAP nos anos seguintes, contribuindo diretamente para a pressão política que levou à criação de mecanismos formais de reporte, incluindo o atual AARO (Escritório de Resolução de Anomalias em Todos os Domínios).
"former navy pilot lieutenant ryan graves calls whatever is out there a security risk"
O que Graves Relatou
Segundo a transcrição, o esquadrão de F-18 ao qual Graves pertencia começou a detectar UAPs por volta de 2014, após uma atualização no sistema de radar das aeronaves. A modernização tecnológica permitiu que as tripulações usassem câmeras infravermelhas de targeting com maior precisão, tornando possível confirmar a presença dos objetos em dois sensores distintos e simultâneos: o radar e o infravermelho.
"so you're seeing it both with the radar and with the infrared and that tells you that there is something out there pretty hard to spoof"
A confirmação dupla — radar + infravermelho — é tecnicamente relevante: sensores de diferentes naturezas físicas registrando o mesmo alvo simultaneamente reduz substancialmente a possibilidade de artefato eletrônico, reflexo espúrio ou falha de um único instrumento. Graves explicitamente usa o termo "hard to spoof" (difícil de falsificar), linguagem que remete à análise de inteligência de sinais.
Frequência e Localização dos Avistamentos
A transcrição indica que os pilotos detectavam UAPs todos os dias por pelo menos alguns anos, na região de espaço aéreo restrito a sudeste de Virginia Beach — área associada às operações de treinamento naval da costa atlântica americana. A repórter expressa surpresa diante da frequência relatada:
"wait a minute every day for a couple of years"
Em 2019, fotografias do mesmo tipo de objeto foram obtidas na mesma região geográfica. O Pentágono confirmou oficialmente que tais imagens retratam objetos que não consegue identificar — declaração institucional que, à época, representou um reconhecimento inédito por parte do Departamento de Defesa.
O Vídeo de Jacksonville (2015)
A transcrição menciona ainda um segundo incidente específico: um vídeo capturado em 2015 na costa de Jacksonville, Flórida, por membros do próprio esquadrão de Graves, usando câmera de targeting. O objeto filmado não apresentava pluma de exaustão — ausência que os pilotos registraram como característica anômala, já que aeronaves convencionais e a maioria dos sistemas propulsores conhecidos geram rastro térmico ou de gases.
Na gravação, um dos pilotos comenta sobre a rotação do objeto e sobre o fato de o mesmo se mover contra o vento, com ventos relatados em torno de 120 nós a oeste:
"it's rotated oh my gosh we're all going against the wind the wind's 120 knots west"
Um objeto mantendo trajetória e posição contra ventos de 120 nós (~222 km/h) sem propulsão visível constitui o núcleo do relato de anomalia física apresentado pelos pilotos.
Relevância Histórica e Institucional
O depoimento de Graves ao 60 Minutes ocorreu em um contexto de crescente pressão do Congresso americano por transparência sobre UAPs. Meses depois, em junho de 2021, o ODNI (Escritório do Diretor de Inteligência Nacional) divulgou o relatório preliminar sobre UAP, reconhecendo oficialmente a realidade dos fenômenos e a incapacidade de identificação. Graves seguiu atuando como defensor público da questão, fundando posteriormente a organização Americans for Safe Aerospace, voltada ao apoio de pilotos que queiram relatar avistamentos sem prejuízo à carreira.
O caso se insere em um conjunto mais amplo de registros feitos por pilotos da Marinha americana entre 2014 e 2019, que inclui os vídeos desclassificados FLIR1, Gimbal e GoFast, publicados oficialmente pelo Pentágono em abril de 2020.
Como Acessar o Material Original
A gravação original em inglês está disponível no canal oficial do 60 Minutes no YouTube. O leitor pode assistir ao vídeo completo e verificar o contexto integral das declarações diretamente na fonte:
https://www.youtube.com/watch?v=zNsxtNUeFB4
Glossário
- UAP
- Fenômeno Aéreo Não Identificado (Unidentified Anomalous Phenomena) — termo oficial adotado pelo Departamento de Defesa dos EUA em substituição a 'OVNI'
- F-18
- Caça supersônico multifunção da Marinha dos EUA, modelo utilizado pelo esquadrão de Ryan Graves
- Targeting camera / câmera de targeting
- Câmera infravermelha de alta precisão acoplada à aeronave, usada para aquisição e rastreamento de alvos
- Spoof
- No contexto militar, falsificação ou enganação de sistemas de sensor; 'hard to spoof' = difícil de falsificar
- Knots / nós
- Unidade de velocidade náutica e aeronáutica; 1 nó = 1,852 km/h
- AARO
- Escritório de Resolução de Anomalias em Todos os Domínios — agência do DoD criada para centralizar investigações UAP
- ODNI
- Escritório do Diretor de Inteligência Nacional dos EUA
- Infrared / Infravermelho
- Tecnologia de sensor que detecta radiação térmica emitida por objetos, independente de luz visível
- Espaço aéreo restrito
- Área de voo com acesso controlado ou proibido por razões militares ou de segurança nacional
Perguntas frequentes
- Como os pilotos sabiam que havia algo real e não era falha de sensor?
- Segundo Graves, os objetos eram detectados simultaneamente pelo radar e pela câmera infravermelha de targeting — dois sistemas de naturezas físicas distintas —, o que tornava a hipótese de artefato eletrônico isolado pouco plausível.
- Com que frequência os UAPs eram avistados?
- De acordo com o depoimento de Graves, pilotos treinando na costa atlântica viam os objetos todos os dias, por pelo menos alguns anos.
- O Pentágono confirmou os avistamentos?
- Sim. Conforme a transcrição, o Pentágono confirmou que fotografias obtidas em 2019 na mesma área retratam objetos que não consegue identificar.
- O que havia de anômalo no vídeo de Jacksonville de 2015?
- O objeto filmado não apresentava pluma de exaustão e se movia contra ventos de 120 nós (~222 km/h), comportamento inconsistente com aeronaves convencionais conhecidas.
- Por que a atualização do radar foi relevante para os avistamentos?
- A modernização do sistema de radar das aeronaves F-18, iniciada em 2014, permitiu que as câmeras infravermelhas de targeting fossem usadas com maior precisão, possibilitando a confirmação dos objetos em dois sensores simultâneos.
Entidades citadas
- Ryan Graves· person
- 60 Minutes· agency
- Virginia Beach· location
- Jacksonville, Florida· location
- F-18· aircraft
- 2014· date
- 2015· date
- 2019· date
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