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ODNI · 06 de agosto de 2026

ODNI divulga avaliação preliminar sobre Fenômenos Aéreos Não Identificados — 144 registros, maioria sem explicação

O Escritório do Diretor de Inteligência Nacional (ODNI) publicou em 25 de junho de 2021 avaliação preliminar sobre UAP abrangendo incidentes de 2004 a 2021. Dos 144 relatórios analisados, apenas um foi identificado com alta confiança. Os demais permanecem sem explicação.

Escopo e Premissas

"Este relatório preliminar é fornecido pelo Escritório do Diretor de Inteligência Nacional (ODNI) em resposta à disposição do Relatório do Senado 116-233, acompanhando a Lei de Autorização de Inteligência (IAA) para o Ano Fiscal de 2021."

O relatório atende à determinação legal de que o DNI (Diretor de Inteligência Nacional), em consulta com o Secretário de Defesa (SECDEF), submeta uma avaliação de inteligência sobre a ameaça representada pelos Fenômenos Aéreos Não Identificados (UAP — Unidentified Aerial Phenomena) e sobre o progresso alcançado pela Força-Tarefa de UAP do Departamento de Defesa (UAPTF — Unidentified Aerial Phenomena Task Force) [§ p.2].

O conjunto de dados descrito no relatório está limitado principalmente a registros do Governo dos EUA (USG) sobre incidentes ocorridos entre novembro de 2004 e março de 2021. A coleta e análise de dados continuam em andamento [§ p.2].

O documento foi elaborado pela UAPTF e pelo Gerente de Inteligência Nacional para Aviação do ODNI, com contribuições de: USD(I&S), DIA, FBI, NRO, NGA, NSA, Força Aérea, Exército, Marinha, Navy/ONI, DARPA, FAA, NOAA, ODNI/NIM-Tecnologia Emergente e Disruptiva, ODNI/Centro Nacional de Contrainteligência e Segurança, e ODNI/Conselho Nacional de Inteligência [§ p.2].

Premissa principal: Os sensores que registram UAP geralmente operam corretamente e capturam dados reais suficientes para avaliações iniciais, mas alguns UAP podem ser atribuídos a anomalias de sensores [§ p.2].


Sumário Executivo

A quantidade limitada de relatórios de alta qualidade sobre UAP prejudica a capacidade de se chegar a conclusões sólidas sobre a natureza ou intenção dos fenômenos. A UAPTF analisou uma gama de informações sobre UAP descritas em relatórios militares e da Comunidade de Inteligência (IC), mas reconheceu que a falta de especificidade exigiu o desenvolvimento de um processo de registro dedicado [§ p.3].

Principais pontos do sumário executivo:


Relatórios Disponíveis Largamente Inconclusivos

Dados Limitados Deixam a Maioria dos UAP sem Explicação

Dados limitados e inconsistência nos registros são os principais desafios para avaliar UAP. Nenhum mecanismo padronizado de registro existia até que a Marinha criou um em março de 2019. A Força Aérea adotou esse mecanismo em novembro de 2020, mas ele permanece restrito ao reporte do USG. A UAPTF ouviu relatos anedóticos de outras observações que nunca foram formalmente documentadas [§ p.4].

Após análise criteriosa, a UAPTF concentrou-se em relatórios envolvendo UAP testemunhados diretamente por aviadores militares, coletados a partir de sistemas considerados confiáveis [§ p.4].

Dados quantitativos principais:

Desafios de Coleta de Dados sobre UAP

Estigmas socioculturais e limitações de sensores continuam sendo obstáculos à coleta de dados [§ p.4]:

Alguns Padrões Potenciais Emergem

Embora haja grande variabilidade nos relatórios e o conjunto de dados seja ainda limitado para análise detalhada de tendências, há agrupamento de observações de UAP quanto a forma, tamanho e, especialmente, propulsão. Os avistamentos também tendem a se concentrar em áreas de treinamento e teste americanas. A avaliação é que isso pode resultar de viés de coleta — atenção focada, maior número de sensores de última geração nessas áreas, expectativas das unidades e diretrizes de reporte de anomalias [§ p.5].

Alguns UAP Aparentam Demonstrar Tecnologia Avançada

Em 18 incidentes, descritos em 21 relatórios, observadores relataram padrões de movimento ou características de voo incomuns [§ p.5].

Alguns UAP aparentaram:

Em um pequeno número de casos, sistemas de aeronaves militares processaram energia de radiofrequência (RF) associada a avistamentos de UAP [§ p.5].

"A UAPTF detém uma pequena quantidade de dados que aparentemente mostram UAP demonstrando aceleração ou certo grau de gerenciamento de assinatura (signature management). Análises rigorosas adicionais são necessárias por múltiplas equipes de especialistas técnicos para determinar a natureza e a validade desses dados."

Análises adicionais estão em andamento para determinar se tecnologias de ruptura (breakthrough technologies) foram demonstradas [§ p.5].


UAP Provavelmente Não Têm Explicação Única

Os UAP documentados no conjunto de dados limitado demonstram uma variedade de comportamentos aéreos, reforçando a possibilidade de que existam múltiplos tipos. A análise sustenta que os incidentes se enquadrarão em uma das cinco categorias explicativas [§ p.5]:

  1. Detritos Aéreos (Airborne Clutter): Pássaros, balões, VANTs (drones) recreativos ou detritos em suspensão — como sacolas plásticas — que dificultam a identificação de alvos reais, como aeronaves inimigas [§ p.5].

  2. Fenômenos Atmosféricos Naturais: Cristais de gelo, umidade e flutuações térmicas que podem ser registrados em alguns sistemas de infravermelho e radar [§ p.5].

  3. Programas de Desenvolvimento do USG ou da Indústria: Algumas observações podem ser atribuídas a desenvolvimentos e programas classificados de entidades americanas. A UAPTF não conseguiu confirmar, contudo, que esses sistemas justificam qualquer um dos relatórios coletados [§ p.5].

  4. Sistemas de Adversários Estrangeiros: Alguns UAP podem ser tecnologias implantadas pela China, Rússia, outra nação ou entidade não governamental [§ p.5].

  5. Outros: Embora a maioria dos UAP provavelmente permaneça não identificada por dados limitados ou desafios de processamento e análise, alguns podem exigir conhecimento científico adicional ainda não disponível. A UAPTF pretende concentrar análise adicional nos casos em que um UAP aparentemente exibiu características de voo incomuns ou gerenciamento de assinatura [§ p.6].

Com exceção do único caso identificado com alta confiança — um balão em deflação — o conjunto de dados atual não permite atribuir os demais incidentes a explicações específicas [§ p.5].


UAP Ameaçam a Segurança de Voo e, Possivelmente, a Segurança Nacional

Os UAP representam risco à segurança de voo e podem representar um perigo mais amplo se alguns casos constituírem coleta sofisticada contra atividades militares americanas por um governo estrangeiro, ou se demonstrarem tecnologia aeroespacial de ruptura por um adversário potencial [§ p.6].

Preocupações Contínuas com o Espaço Aéreo

Quando aviadores encontram riscos de segurança, são obrigados a reportá-los. Dependendo da localização, volume e comportamento das ameaças durante incursões em áreas de treinamento, pilotos podem interromper testes e/ou treinamentos e pousar suas aeronaves — o que tem efeito dissuasivo sobre os relatos [§ p.6].

Desafios Potenciais à Segurança Nacional

"Atualmente não temos dados que indiquem que algum UAP faça parte de um programa de coleta estrangeiro ou seja indicativo de um avanço tecnológico significativo por um adversário potencial."

A UAPTF continua monitorando evidências de tais programas, dado o desafio de contrainteligência que representariam — especialmente porque alguns UAP foram detectados próximos a instalações militares ou por aeronaves equipadas com os sistemas de sensores mais avançados do USG [§ p.6].


Explicar UAP Exigirá Investimento em Análise, Coleta e Recursos

Padronizar Registros, Consolidar Dados e Aprofundar a Análise

O objetivo de longo prazo da UAPTF é ampliar o escopo do trabalho para incluir eventos UAP documentados por uma gama mais ampla de pessoal e sistemas técnicos do USG. À medida que o conjunto de dados crescer, a capacidade de empregar análise de dados para detectar tendências também melhorará [§ p.6].

O foco inicial será empregar algoritmos de inteligência artificial/aprendizado de máquina para agrupar e reconhecer similaridades e padrões nos dados. À medida que o banco de dados acumule informações sobre objetos aéreos conhecidos — como balões meteorológicos, balões de alta altitude ou superpressão e animais selvagens — o aprendizado de máquina poderá pré-avaliar relatórios de UAP para verificar se eles correspondem a eventos semelhantes já registrados [§ p.6].

A maioria dos dados de UAP provém de relatórios da Marinha dos EUA, mas esforços estão em andamento para padronizar os relatórios de incidentes em todos os ramos militares e agências governamentais [§ p.7]:

Expandir a Coleta

A UAPTF busca formas inovadoras de aumentar a coleta em áreas de concentração de UAP quando as forças americanas não estão presentes, como forma de estabelecer uma linha de base para atividade UAP "padrão" e mitigar o viés de coleta. Uma proposta é usar algoritmos avançados para pesquisar dados históricos capturados e armazenados por radares [§ p.7].

Aumentar Investimento em Pesquisa e Desenvolvimento

A UAPTF indicou que recursos adicionais para pesquisa e desenvolvimento poderiam avançar o estudo futuro dos tópicos abordados no relatório. Esses investimentos devem ser orientados por uma Estratégia de Coleta de UAP, um Roteiro Técnico de P&D de UAP e um Plano de Programa de UAP [§ p.7].


Apêndice A — Definição de Termos-Chave

Os seguintes termos são usados pelo relatório e pelos bancos de dados da UAPTF [§ p.8]:

¹ Aviadores da Marinha dos EUA definem range fouler como uma atividade ou objeto que interrompe treinamento pré-planejado ou outra atividade militar em uma área de operação militar ou espaço aéreo restrito [§ p.8].


Apêndice B — Relatório do Senado que Acompanha a Lei de Autorização de Inteligência para o Ano Fiscal de 2021

O Relatório do Senado 116-233 solicitou especificamente que o documento incluísse [§ p.9]:

  1. Análise detalhada de dados UAP e relatórios de inteligência coletados ou mantidos pelo Escritório de Inteligência Naval, incluindo dados da UAPTF;
  2. Análise detalhada de dados de fenômenos não identificados coletados por:
    • a. Inteligência Geoespacial;
    • b. Inteligência de Sinais;
    • c. Inteligência Humana; e
    • d. Inteligência de Medição e Assinaturas;
  3. Análise detalhada de dados do FBI derivados de investigações de intrusões de UAP sobre espaço aéreo restrito americano;
  4. Descrição detalhada de um processo interagências para garantir coleta oportuna e análise centralizada de todos os relatórios UAP do governo federal;
  5. Identificação de um oficial responsável pelo processo descrito no item 4;
  6. Identificação de potenciais ameaças aeroespaciais ou outras ameaças à segurança nacional representadas pelos UAP, e avaliação sobre se a atividade UAP pode ser atribuída a um ou mais adversários estrangeiros;
  7. Identificação de incidentes ou padrões que indiquem que um adversário potencial alcançou capacidades aeroespaciais de ruptura que possam colocar forças estratégicas ou convencionais americanas em risco; e
  8. Recomendações sobre aumento de coleta de dados, pesquisa e desenvolvimento ampliados, financiamento adicional e outros recursos [§ p.9].

Glossário

UAP
Fenômeno Aéreo Não Identificado (*Unidentified Aerial Phenomena*) — objetos aéreos não imediatamente identificáveis; termo mais amplo que substitui 'OVNI' em documentos oficiais dos EUA
UAPTF
Força-Tarefa de UAP do Departamento de Defesa (*Unidentified Aerial Phenomena Task Force*) — órgão responsável pela coleta e análise de dados sobre UAP
ODNI
Escritório do Diretor de Inteligência Nacional (*Office of the Director of National Intelligence*) — coordena a Comunidade de Inteligência dos EUA
IC
Comunidade de Inteligência (*Intelligence Community*) — conjunto de agências de inteligência do governo americano
USG
Governo dos Estados Unidos (*U.S. Government*) — referência coletiva ao governo federal americano nos documentos
Spoofing
Falsificação ou interferência de sinais eletrônicos, como radar ou GPS, para enganar sistemas de navegação ou detecção
Signature Management
Gerenciamento de assinatura — técnica de reduzir ou controlar a detecção de um objeto por sensores (radar, infravermelho, radiofrequência etc.)
Range Fouler
Termo da Marinha dos EUA para atividade ou objeto que interrompe treinamento pré-planejado ou atividade militar em área operacional ou espaço aéreo restrito
RF
Radiofrequência (*Radio Frequency*) — energia eletromagnética na faixa de rádio detectada por sensores militares em alguns avistamentos de UAP
IAA
Lei de Autorização de Inteligência (*Intelligence Authorization Act*) — legislação anual que autoriza atividades e recursos da Comunidade de Inteligência dos EUA
SECDEF
Secretário de Defesa (*Secretary of Defense*) — chefe do Departamento de Defesa dos EUA
Airborne Clutter
Detritos aéreos — objetos como pássaros, balões, drones recreativos ou resíduos em suspensão que podem interferir na identificação de alvos por sistemas de sensores
Breakthrough Technology
Tecnologia de ruptura — capacidade tecnológica radicalmente superior ao estado da arte, que poderia alterar o equilíbrio estratégico-militar

Perguntas frequentes

Quantos relatórios de UAP foram analisados no documento?
144 relatórios originaram-se de fontes do governo dos EUA. Desses, 80 envolveram observação com múltiplos sensores. Apenas 1 foi identificado com alta confiança — um balão em deflação. Os demais permanecem sem explicação [§ p.4].
O documento afirma que os UAP são de origem extraterrestre?
Não. O documento não faz tal afirmação. Ele lista cinco categorias explicativas possíveis: detritos aéreos, fenômenos atmosféricos naturais, programas de desenvolvimento americanos, sistemas de adversários estrangeiros e uma categoria residual 'outros'. Nenhuma categoria menciona origem extraterrestre [§ p.5].
Os UAP representam uma ameaça à segurança nacional dos EUA segundo o documento?
O documento afirma que os UAP 'representam claramente um problema de segurança de voo e podem representar um desafio à segurança nacional'. Contudo, o ODNI declara que 'atualmente não temos dados que indiquem que algum UAP faça parte de um programa de coleta estrangeiro ou seja indicativo de um avanço tecnológico significativo por um adversário' [§ p.3, p.6].
Quais comportamentos incomuns foram reportados pelos pilotos?
Em 18 incidentes (21 relatórios), observadores relataram UAP permanecendo estacionários em ventos em altitude, movendo-se contra o vento, realizando manobras abruptas ou deslocando-se em velocidade considerável sem meio de propulsão discernível. Em alguns casos, sistemas militares detectaram energia de radiofrequência associada aos avistamentos [§ p.5].
Houve quase-colisões entre aeronaves militares e UAP?
Sim. A UAPTF registrou 11 relatórios documentados de quase-colisões (*near misses*) entre pilotos e UAP [§ p.6].
Por que a maior parte dos dados de UAP vem da Marinha dos EUA?
A Marinha foi a primeira força a estabelecer um mecanismo padronizado de reporte de UAP, em março de 2019. A Força Aérea só adotou mecanismo equivalente em novembro de 2020. Por isso, a maioria dos dados disponíveis é de origem naval [§ p.4, p.7].
Quais medidas o documento recomenda para melhorar a compreensão dos UAP?
O documento recomenda: padronização e consolidação de relatórios em todo o governo federal; aumento da coleta por múltiplas agências; uso de inteligência artificial e aprendizado de máquina para análise de dados; expansão da coleta em áreas de concentração de UAP; e investimento adicional em pesquisa e desenvolvimento orientado por uma Estratégia de Coleta e Roteiro Técnico de P&D [§ p.6, p.7].
O período coberto pelos dados analisados é suficiente para tirar conclusões definitivas?
Não, segundo o próprio documento. O relatório afirma explicitamente que 'a quantidade limitada de relatórios de alta qualidade prejudica a capacidade de se chegar a conclusões sólidas sobre a natureza ou intenção dos UAP' e que o conjunto de dados 'é atualmente muito limitado para permitir análise detalhada de tendências ou padrões' [§ p.3, p.5].

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