DVIDS · 08 de julho de 2021
O que você verá nos céus do Yuma Proving Ground: balões meteorológicos e a origem de muitos avistamentos UAP
A divisão meteorológica do Campo de Provas de Yuma (YPG), no Arizona, lança cerca de 3.500 balões meteorológicos por ano — o maior volume dos Estados Unidos. O registro fotográfico integra o catálogo de contexto do programa PURSUE/AARO para explicar fontes convencionais de avistamentos não identificados.
Contexto do documento
Esta entrada do catálogo DVIDS (Defense Visual Information Distribution Service) apresenta uma imagem oficial do Exército dos EUA associada ao Campo de Provas de Yuma (Yuma Proving Ground — YPG), instalação militar localizada no Arizona. A legenda original descreve a operação rotineira de lançamento de balões meteorológicos pela divisão de meteorologia do YPG.
O documento não é um relatório de incidente UAP nem uma análise de inteligência. Trata-se de material de comunicação pública do Departamento de Defesa (DoD), publicado via DVIDS, que contextualiza uma fonte recorrente de objetos aéreos não identificados registrados por pilotos, radares e civis.
A divisão meteorológica do YPG
Segundo a descrição oficial, a divisão meteorológica do Yuma Proving Ground lança aproximadamente 3.500 balões meteorológicos por ano — o maior volume de qualquer instalação dos Estados Unidos. Nick McColl, chefe de Meteorologia do YPG, já lançou individualmente mais de 10.000 balões ao longo de sua carreira na instalação.
O YPG é uma das principais instalações de teste de armamentos e equipamentos do Exército norte-americano. Suas operações meteorológicas são críticas para garantir condições atmosféricas precisas durante testes de munições, veículos e sistemas de armas — atividades que demandam dados de vento, temperatura e pressão em múltiplas altitudes simultaneamente.
Relevância para o fenômeno UAP
Balões meteorológicos figuram entre as explicações mais frequentes para avistamentos de Fenômenos Aéreos Não Identificados (UAP). O Escritório de Resolução de Anomalias em Todos os Domínios (AARO) e seu predecessor, o Programa Avançado de Identificação de Ameaças Aeroespaciais (AATIP), identificaram sistematicamente objetos aéreos não reconhecidos que, após investigação, revelaram-se balões de sondagem, drones autorizados ou outros artefatos convencionais.
O relatório preliminar do ODNI sobre UAP, publicado em junho de 2021, categorizou explicitamente 'desordem aérea' (airborne clutter) e objetos atmosféricos naturais como fontes potenciais de avistamentos não resolvidos. Balões de grande altitude, em particular, podem apresentar comportamento aparentemente anômalo quando observados visualmente ou por radar: movem-se contra o vento em camadas de jato, refletem luz de forma intensa ao amanhecer e ao entardecer, e desaparecem abruptamente ao estouram em altitude.
Uma instalação que lança quase dez balões por dia — como o YPG, considerando 365 dias corridos — gera um volume substancial de objetos aéreos não acompanhados por controle de tráfego aéreo civil. Pilotos militares e civis que sobrevoam o espaço aéreo próximo ao Arizona podem encontrar esses objetos sem identificação prévia.
Programa PURSUE e catalogação de fontes convencionais
A associação desta imagem ao catálogo PURSUE (Sistema Presidencial de Desselagem e Relato de Encontros UAP) reflete uma estratégia deliberada de documentação: registrar fontes conhecidas de objetos aéreos para reduzir o universo de avistamentos genuinamente inexplicados. Ao catalogar operações como as do YPG, agências como o AARO constroem uma base de referência que permite descartar — ou ao menos qualificar — relatos futuros de avistamentos na região.
Essa abordagem metodológica é consistente com as recomendações do relatório do Grupo de Estudo Independente da NASA sobre UAP (2023), que enfatizou a necessidade de inventariar sistematicamente fontes antropogênicas de objetos aéreos antes de classificar qualquer avistamento como anomalia genuína.
Acesso ao documento original
A imagem completa e sua ficha de catalogação estão disponíveis em inglês no repositório oficial do DVIDS: https://www.dvidshub.net/image/6721875/you-will-see-over-skies-yuma-proving-ground. O crédito fotográfico é de Mark Schauer.
Nota metodológica
Este registro não constitui evidência de atividade UAP anômala. Seu valor analítico é inverso: documenta a presença rotineira de objetos aéreos de origem conhecida em uma região de intensa atividade militar, contribuindo para a calibração do que é — e do que não é — um fenômeno genuinamente não identificado.
Glossário
- YPG
- Yuma Proving Ground — Campo de Provas de Yuma; instalação de testes do Exército dos EUA no Arizona
- DVIDS
- Defense Visual Information Distribution Service — serviço de distribuição de mídia visual oficial do Departamento de Defesa dos EUA
- UAP
- Fenômeno Aéreo Não Identificado (Unidentified Anomalous Phenomena) — terminologia oficial atual do DoD para objetos aéreos não identificados
- AARO
- All-domain Anomaly Resolution Office — Escritório de Resolução de Anomalias em Todos os Domínios; agência do DoD responsável por investigar UAP
- PURSUE
- Programa/sistema presidencial de desselagem e relato de encontros UAP ao qual esta entrada de catálogo está associada
- Balão de sondagem
- Balão meteorológico de grande altitude equipado com instrumentos (radiossonda) para medir temperatura, pressão e umidade atmosférica
- ODNI
- Office of the Director of National Intelligence — Escritório do Diretor de Inteligência Nacional dos EUA
Perguntas frequentes
- Quantos balões meteorológicos o Yuma Proving Ground lança por ano?
- Cerca de 3.500 balões por ano, o maior volume de qualquer instalação dos Estados Unidos, segundo a descrição oficial do documento.
- Quem é Nick McColl e qual é sua relevância?
- Nick McColl é o Chefe de Meteorologia do YPG e já lançou individualmente mais de 10.000 balões meteorológicos durante sua carreira na instalação.
- Por que este documento aparece em catálogos relacionados a UAP?
- Porque balões meteorológicos são uma das fontes convencionais mais frequentemente identificadas em investigações de avistamentos UAP. Documentar sua operação ajuda a calibrar o que constitui um fenômeno genuinamente não identificado.
- Este documento indica alguma atividade UAP anômala no YPG?
- Não. O documento descreve operações meteorológicas rotineiras e serve como referência para identificar fontes conhecidas de objetos aéreos na região.
- Quem tirou a fotografia?
- A foto é creditada a Mark Schauer, conforme a legenda oficial do DVIDS.
Entidades citadas
- Yuma Proving Ground· location
- Nick McColl· person
- Mark Schauer· person
- DVIDS· agency
- PURSUE· agency
- AARO· agency
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