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AARO · 06 de agosto de 2026

AARO: Objeto de Porto Rico identificado como lanternas de papel, sem comportamento anômalo

O Escritório de Resolução de Anomalias em Todos os Domínios (AARO) concluiu, em 20 de março de 2025, que dois objetos filmados por sensor infravermelho da Alfândega dos EUA sobre Porto Rico em 2013 não exibiram comportamento anômalo. Com confiança moderada, o AARO atribui os objetos a um par de lanternas de papel.

Sinopse do Caso

Documento: Resolução de Caso — "The Puerto Rico Object" [§ p.1]
Agência: AARO (Escritório de Resolução de Anomalias em Todos os Domínios) / Departamento de Defesa dos EUA
Data do evento: 26 de abril de 2013
Data da resolução: 20 de março de 2025
Número de referência: 25-P-0553

Parâmetro Relatado Avaliado
Altitude N/D 200 m (656 pés)
Velocidade N/D 13 km/h (8 mph)
Forma N/D Indistinta
Comportamento relatado Separação/replicação; comportamento transmídia Sem características anômalas

Avaliação e Status do Caso

O AARO avalia com alta confiança que os objetos não exibiram comportamento anômalo nem capacidades transmídia (transmedium). O escritório avalia com confiança moderada que os objetos eram um par de lanternas de papel (sky lanterns). [§ p.1]


Visão Geral do Caso

Em 26 de abril de 2013, um sensor infravermelho (IV) a bordo de uma aeronave De Havilland Canada 8 da Alfândega e Proteção de Fronteiras dos EUA (CBP — U.S. Customs and Border Protection), sobrevoando o Aeroporto Rafael Hernández próximo a Aguadilha, Porto Rico, capturou imagens térmicas de dois objetos derivando na velocidade e direção do vento. [§ p.1]

Os objetos pareciam se mover em alta velocidade sobre o aeroporto e a área circundante antes de se separarem. A impressão de que entraram, saíram e desapareceram no Oceano Atlântico, ao largo da costa noroeste de Porto Rico, foi posteriormente explicada por efeitos do sensor. [§ p.1]

Durante o encontro, a aeronave da CBP voou em arco ao redor do Aeroporto Rafael Hernández, ganhando aproximadamente 526 metros (1.725 pés) de altitude antes de perder contato com os objetos a 1.097 metros (3.600 pés). A aeronave atravessou uma camada de nuvens esparsas ao passar por 914 metros (3.000 pés) de altitude. Essas nuvens obstruíram parcialmente o campo de visão do sensor, podendo ter afetado o retorno do sinal dos objetos. A distância entre a aeronave e os objetos quase triplicou durante o encontro. Esses fatores contribuíram para a degradação da qualidade do vídeo ao longo do tempo. [§ p.1]


Principais Conclusões

O AARO avalia com alta confiança que: [§ p.2]


Características de Desempenho

Velocidade dos Objetos

A reconstrução via Systems Toolkit (STK) determinou que os objetos derivavam a aproximadamente 3,6 metros por segundo (13 km/h / 8 mph) em linha reta sobre o terreno, consistente com a velocidade do vento registrada de 4,4 metros por segundo (9,8 mph) proveniente de leste/nordeste. [§ p.3]

A aparente alta velocidade dos objetos é atribuída ao paralaxe de movimento (motion parallax). Trata-se de um efeito óptico que leva um observador a perceber que um objeto estático ou de movimento lento se desloca muito mais rapidamente do que sua velocidade real, quando observado a partir de um referencial em movimento. Quanto mais rapidamente o observador se move em relação ao objeto observado, mais pronunciado é esse efeito. Neste caso, a velocidade de voo da aeronave, o zoom do sensor e a variação nas posições relativas da aeronave e dos objetos influenciaram o comportamento e as características de desempenho percebidos. [§ p.3]

Trajetória dos Objetos

A reconstrução STK integrou a posição da aeronave com parâmetros-chave do sensor (elevação, azimute e ângulo oblíquo — slant angle) para modelar a trajetória dos objetos. O sensor IV detectou os objetos pela primeira vez próximo ao lado nordeste do aeroporto, a uma altitude de aproximadamente 200 metros (656 pés). Os objetos derivaram para sudoeste na velocidade do vento antes de o sensor perder contato com eles sobre a pista central de estacionamento do aeroporto. [§ p.3]

O AARO reconstruiu o ângulo de visada do sensor projetando a posição da aeronave e a projeção do campo visual do sensor sobre um mapa (Figura 1). A reconstrução demonstra que os objetos permaneceram sobre o solo durante todo o encontro. [§ p.3]

Separação Aparente

O AARO avalia com alta confiança que a gravação captura dois objetos viajando próximos entre si, e não um único objeto se dividindo ou se replicando. Os objetos se separam visivelmente várias vezes dentro do primeiro minuto, sugerindo que o vídeo mostra dois objetos durante todo o tempo. A separação ocorre aproximadamente em 00:29.56, 00:40.76 e 00:47.00 segundos (Figura 2). [§ p.3]

O ângulo de visada do sensor em relação aos objetos mudou de lateral para vertical (de cima para baixo) à medida que a aeronave ganhou altitude. O ângulo de visão mais íngreme, a partir de maior altitude, provavelmente tornou a separação dos objetos visualmente mais dramática perto do final do vídeo (Figura 3, Imagem C). [§ p.3]

Comportamento Transmídia Aparente

A reconstrução STK demonstra que os objetos não exibiram características de desempenho transmídia.

"Transmedium" refere-se a objetos que fazem a transição entre dois ou mais domínios — por exemplo, espaço, atmosfera ou água — de formas não atribuíveis a tecnologias conhecidas.

Os objetos permaneceram sobre o solo durante todo o vídeo. [§ p.3]


Características Observáveis e Atribuição

Tamanho e Forma

O AARO empregou análise de pixels para estimar que os objetos têm dimensões menores que um metro (três pés). A análise de pixels é um método de estimativa de tamanho que compara o objeto a outro de dimensões conhecidas. A forma dos objetos é indistinta. [§ p.5]

Número de Objetos

O AARO avalia com alta confiança que as imagens mostram dois objetos viajando próximos entre si, e não um único objeto se dividindo em dois. [§ p.5]

Atribuição

O AARO avalia com confiança moderada que os objetos representados no vídeo são lanternas de papel (sky lanterns). O AARO confirmou com fornecedores locais do setor hoteleiro que é prática comum hotéis e resorts da área soltarem lanternas de papel durante celebrações. [§ p.5]

O tamanho dos objetos e a variabilidade da assinatura térmica apoiam essa conclusão. Lanternas de papel tipicamente têm menos de um metro de diâmetro e emitem uma assinatura térmica oscilante e enfraquecida à medida que consomem combustível, perdendo gradualmente definição em relação ao ambiente de fundo quando visualizadas por sensor IV. Contudo, a baixa qualidade do vídeo reduz a confiança do AARO na identificação categórica dos objetos. [§ p.5]

Assinaturas IV podem aparentemente "desaparecer" quando o contraste térmico entre o objeto e o fundo se torna indistinguível (Figura 4). Os objetos parecem desaparecer logo após o oceano surgir no fundo do quadro. Os objetos não entraram na água. O sensor simplesmente não conseguiu distingui-los do ambiente devido à falta de contraste térmico entre eles e o oceano. [§ p.5]


Qualidade dos Dados e Metodologia

O AARO avalia que os dados do sensor associados ao encontro fornecem informações suficientemente detalhadas para resolver o caso com alta confiança. A avaliação foi baseada na reconstrução do evento por meio do STK e da análise de Vetores de Separação Mínima (Minimum Separation Vectors analysis). [§ p.6]


Efeitos e Limitações do Sensor

Imagens térmicas podem falhar na diferenciação de um objeto-alvo do fundo quando a assinatura térmica do objeto é virtualmente idêntica ao ambiente ao redor — fenômeno conhecido como crossover térmico (thermal crossover). Quando o sensor não consegue discriminar o alvo do ambiente, o objeto pode parecer desaparecer ou sumir e reaparecer de forma intermitente. [§ p.6]

Vários fatores afetaram a assinatura IV dos objetos, contribuindo para a percepção de que entraram na água ou desapareceram:

Crossover Térmico:

Distância do Sensor:

Cobertura de Nuvens:


Hipóteses Alternativas

Fenômeno Anômalo

Em determinados quadros, os objetos pareciam passar atrás de um poste de utilidade, sugerindo que estavam a uma altitude muito mais baixa e se deslocavam muito mais rapidamente do que seria típico para objetos desse tamanho. O AARO empregou análise de pixels para investigar essa hipótese e concluiu que os objetos não passaram atrás do poste, descartando características de desempenho anômalas. A análise de pixels isoladamente não pode determinar a altitude ou a trajetória dos objetos, mas pode estabelecer parâmetros para análises adicionais. Por isso, o AARO utilizou a reconstrução STK para avaliar o comportamento de voo e as características de desempenho dos objetos. A reconstrução STK demonstra que os objetos se moveram em linha reta na velocidade do vento sobre o solo. [§ p.6]

Aves Marinhas

Um parceiro do AARO avaliou que os objetos viajaram entre 56 e 209 km/h (35 a 130 mph) a uma altitude entre 91 e 274 metros (300 a 900 pés). O parceiro sugeriu que os objetos eram um par de aves marinhas que desceram à superfície do Oceano Atlântico, mas observou que a baixa qualidade dos dados dificulta a identificação. O AARO considerou essa interpretação improvável, pois a reconstrução STK demonstra que os objetos se moveram em linha reta na velocidade do vento sobre o solo. Além disso, aves visualizadas por sensor IV às distâncias envolvidas neste encontro conservariam características identificáveis, como asas, ou pulsariam na frequência das batidas de asa. [§ p.7]

Balões Mylar

Um parceiro do AARO avaliou que os objetos eram um par de balões mylar ou "de festa". O comportamento dos objetos é consistente com um par de balões derivando juntos e se separando enquanto amarrados entre si. O parceiro também sugeriu que o retorno oscilante do sensor IV pode ser atribuído à superfície dos balões refletindo a luz da lua cheia através da cobertura de nuvens intermitente. O AARO não concorda com essa avaliação, pois é improvável que um sensor IV detecte luz refletida da lua. [§ p.7]


Nota Institucional

(U) O AARO não é membro da comunidade de inteligência. Este relatório de informação do AARO não deve ser considerado inteligência finalizada. Pode conter referências a relatórios de inteligência finalizada e/ou informações fornecidas pelos parceiros interagências coordenadores do AARO para contextualizar, demonstrar relevância ou embasar perspectivas analíticas do AARO. [§ p.7]

Glossário

AARO
Escritório de Resolução de Anomalias em Todos os Domínios (All-domain Anomaly Resolution Office) — escritório do Departamento de Defesa dos EUA responsável por investigar UAP
CBP
U.S. Customs and Border Protection — Alfândega e Proteção de Fronteiras dos EUA, agência federal que operava a aeronave com sensor infravermelho
STK
Systems Toolkit — software de análise e reconstrução de trajetórias utilizado pelo AARO para modelar o voo dos objetos e a posição do sensor
UAP
Fenômeno Aéreo Não Identificado (Unidentified Anomalous Phenomena) — termo oficial do DoD para avistamentos não identificados
Sensor IR / IV
Sensor Infravermelho — detecta radiação térmica emitida por objetos; usado em aeronaves militares e de patrulha de fronteira
Thermal Crossover (Crossover Térmico)
Fenômeno natural em que o contraste térmico entre um objeto e seu ambiente se reduz drasticamente, geralmente após mudanças rápidas de temperatura como pôr do sol, podendo durar até duas horas e fazer objetos 'desaparecerem' do sensor IV
Motion Parallax (Paralaxe de Movimento)
Efeito óptico que faz objetos estáticos ou lentos parecerem se mover muito mais rapidamente quando observados de uma plataforma em movimento
Transmedium
Termo que descreve objetos que transitam entre dois ou mais domínios (espaço, atmosfera, água) de forma não atribuível a tecnologias conhecidas
Pixel Analysis (Análise de Pixels)
Método de estimativa do tamanho de um objeto em imagens, comparando-o a objetos de dimensões conhecidas no mesmo quadro
Minimum Separation Vectors
Análise de vetores de separação mínima — técnica de modelagem usada para determinar a distância e trajetória relativas entre objetos rastreados
Sky Lanterns
Lanternas de papel (balões de papel) — objetos flutuantes movidos por chama interna, frequentemente soltos em celebrações; identificados como hipótese principal neste caso
Slant Angle
Ângulo oblíquo — ângulo de observação do sensor em relação ao alvo, considerando a diferença de altitude entre a aeronave e o objeto

Perguntas frequentes

O objeto de Porto Rico realmente entrou no oceano?
Não. A reconstrução STK do AARO demonstrou que os objetos permaneceram sobre o solo durante todo o encontro. O aparente desaparecimento no oceano foi causado pela perda de contraste térmico (crossover térmico) entre os objetos e o fundo oceânico, impedindo o sensor de distingui-los.
O objeto se dividiu em dois durante o voo?
Não. O AARO avalia com alta confiança que o vídeo captura dois objetos distintos viajando próximos entre si desde o início, e não um único objeto se dividindo. A separação é visível já no primeiro minuto da gravação, em múltiplos momentos.
Por que os objetos pareciam se mover em alta velocidade?
A aparente alta velocidade é atribuída ao paralaxe de movimento — efeito óptico que faz um objeto lento ou estático parecer se mover rapidamente quando observado de uma plataforma em movimento. A velocidade real avaliada foi de apenas 13 km/h (8 mph), compatível com o vento local.
Com que grau de certeza o AARO identifica os objetos como lanternas de papel?
Confiança moderada. O tamanho (menos de 1 metro), a assinatura térmica oscilante e o costume local de hotéis e resorts soltarem lanternas apoiam a conclusão. Contudo, a baixa qualidade do vídeo impede identificação categórica.
Por que o sensor perdeu contato com os objetos?
Três fatores combinados: crossover térmico (o evento ocorreu dentro da janela de duas horas após o pôr do sol), aumento da distância entre a aeronave e os objetos (quase triplicou), e cobertura de nuvens esparsas a 3.000 pés que obstruíram intermitentemente o campo de visão do sensor.
A hipótese de aves marinhas foi descartada?
Sim. O AARO considerou a hipótese improvável porque a reconstrução STK mostra os objetos em linha reta na velocidade do vento sobre o solo, e aves a essas distâncias apresentariam características identificáveis como asas ou padrão de batida.

Entidades citadas

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