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AARO · 06 de agosto de 2026

AARO: UAP registrado próximo à Base Aérea de Eglin é identificado como balão comercial de iluminação

O Escritório de Resolução de Anomalias em Todos os Domínios (AARO) concluiu, com confiança moderada, que o objeto avistado por piloto militar em 26 de janeiro de 2023 na área de treinamento da Base Aérea de Eglin, Flórida, era muito provavelmente um objeto mais leve que o ar (LTA), como um grande balão comercial de iluminação a hélio. Nenhum comportamento ou característica anômala foi confirmado.

Documento de Referência

Título original: Case Resolution — "Eglin UAP"
Agência: All-domain Anomaly Resolution Office (AARO) / Departamento de Defesa dos EUA
Data da resolução: 14 de outubro de 2023
Liberado para publicação: 18 de abril de 2024
Classificação: Não Classificado (UNCLASSIFIED)


Dados Essenciais do Caso [§ p.1]

Campo Dado
Localização Próximo à Base Aérea de Eglin, Flórida
Data 26 de janeiro de 2023
Altitude 16.000 pés
Forma Arredondada, cônica
Relator Militar (piloto)
Sensores utilizados Eletro-óptico (EO), infravermelho (IR), identificação visual e radar
Comportamento Nenhum comportamento anômalo confirmado
Status do caso Resolvido — muito provavelmente um objeto mais leve que o ar (LTA), como um grande balão comercial de iluminação
Nível de confiança Moderado

O piloto reportou o objeto por seu potencial como risco à segurança de voo e como incursão em uma área de treinamento sensível.


Contexto do Caso [§ p.1]

Em 26 de janeiro de 2023, um piloto militar reportou quatro potenciais Fenômenos Aéreos Não Identificados (UAP) enquanto operava na área de treinamento da Base Aérea de Eglin, no litoral da Flórida.

Pelo sistema de radar de bordo, o piloto inicialmente observou que os quatro objetos estavam em altitude entre 16.000 e 18.000 pés e pareciam voar em formação. No entanto, o piloto observou visualmente apenas um dos quatro objetos e capturou duas imagens desse único objeto por meio do sensor eletro-óptico/infravermelho (EO/IR) da aeronave (Figuras 1A e 1B). O piloto não pôde gravar vídeo do evento porque o equipamento de gravação de vídeo da aeronave estava inoperante antes e durante o voo. O único objeto observado estava em altitude de 16.000 pés.

As informações a seguir baseiam-se no relatório inicial do piloto e em uma conversa posterior que o AARO conduziu com o piloto para obter detalhes adicionais sobre a observação.

Descrição do objeto [§ p.1]

Falha do radar durante a aproximação [§ p.2]

O piloto relatou que, ao se aproximar a 4.000 pés do objeto, o radar da aeronave apresentou mau funcionamento e permaneceu desabilitado pelo restante do exercício de treinamento.

A revisão pós-missão determinou que um disjuntor havia desarmado. Técnicos relataram que o mesmo disjuntor nessa aeronave específica havia desarmado três vezes nos meses anteriores, mas não conseguiram diagnosticar conclusivamente a causa da falha para este incidente.

Com base no histórico anterior de desarmamento desse circuito, o AARO avalia que o mau funcionamento provavelmente não foi causado por ou associado ao objeto.

Durante a conversa com o piloto, ele relatou que, após a falha do radar, o objeto desceu para a camada de nuvens.

Não havia dados EO/IR para os outros três objetos inicialmente observados no radar; portanto, o AARO não pôde analisar esses objetos reportados. [§ p.2]


Principais Conclusões [§ p.2]

O AARO avalia que o UAP reportado muito provavelmente era um objeto comum e não exibia características ou comportamentos de voo anômalos ou excepcionais. O AARO tem confiança moderada nessa avaliação devido aos dados limitados disponíveis.

Identificação como objeto mais leve que o ar (LTA)

O AARO avalia que o objeto era um objeto mais leve que o ar (LTA), como:

O AARO fundamenta essa avaliação em:

  1. Revisão detalhada dos dados coletados;
  2. Relatos oficiais do piloto sobre descrição e comportamento do objeto;
  3. Testes laboratoriais com um balão comercial de iluminação que apresentou características físicas semelhantes ao objeto descrito;
  4. Reconstrução da geometria de voo;
  5. Ângulo solar no momento da observação.

Comportamento de voo

Nenhuma característica, comportamento ou capacidade de voo anômala foi confirmada. A falha do disjuntor que causou a falha do radar foi avaliada como coincidência, provavelmente decorrente de um problema técnico pré-existente e não diagnosticado no sistema. [§ p.2]

A descrição física do UAP era geralmente consistente com um objeto LTA mantido em altitude e carregado pelo vento. A direção e a baixa velocidade reportadas são consistentes com a direção e velocidade do vento no momento e na altitude da observação.

A observação de "ar embaçado" pode ter sido uma percepção visual equivocada devida às condições ambientais, possivelmente resultante de um cabo de sustentação (tether) pendurado abaixo do objeto LTA ou de borramento de imagem induzido por movimento. [§ p.3]


Análise do Sensor EO/IR e Comparação com Balão Comercial [§ p.3]

Embora o piloto tenha descrito o objeto como uniformemente cinza no espectro visível (aparece uniformemente preto pelo ângulo de visada na imagem EO), a imagem infravermelha ampliada mostra que o objeto tinha uma forte assinatura de contraste no espectro infravermelho. Esse contraste sugere uma diferença de temperatura/emissividade ou uma diferença de refletividade entre seus dois hemisférios.

O AARO identificou um balão comercial de iluminação (Figura 1C) como correspondência visual aproximada ao objeto na imagem infravermelha ampliada (Figura 1A). Balões comerciais de hélio dessa categoria são frequentemente grandes e estão disponíveis em diversas formas — incluindo elipses, esferas e cilindros — e são utilizados para iluminação externa em eventos especiais, obras de construção e sets de filmagem.

Embora esses balões estejam disponíveis em cores sólidas, alguns modelos possuem hemisférios distintos preto e branco. O hemisfério superior preto é revestido de material reflexivo para direcionar a luz para baixo pelo hemisfério branco.

O AARO realizou testes extensivos com um desses balões e constatou que ele pôde replicar alguns aspectos do relato do piloto:

Além desses balões comerciais de iluminação, a descrição do objeto é compatível com qualquer balão de grande formato feito de dois materiais diferentes, ou do mesmo material em cores diferentes, com propriedades distintas de refletividade ou emissividade no infravermelho.

Também é plausível que o ângulo solar no momento do evento, combinado ao ângulo de visada do sensor EO/IR, tenha iluminado a metade inferior do balão — da perspectiva do piloto — enquanto a parte superior aparecia escura, sombreada e fria (ver Figura 3).


Avaliação de Inteligência [§ p.4]

O parceiro da Comunidade de Inteligência (IC) do AARO neste caso avalia com alta confiança que o objeto não exibia características anômalas com base nos dados disponíveis e na reconstrução do evento.

Os dados disponíveis incluíam: altitude, geocoordenadas do objeto, ângulo de visada e direção de voo da aeronave, e a geometria solar no momento da observação.

Com base na reconstrução do evento, incluindo o ângulo de visada do sensor EO/IR que capturou a imagem ampliada, o sol teria iluminado o hemisfério inferior de maneira consistente com a imagem IR (ver Figura 3). A coloração laranja-avermelhada no centro da metade inferior do objeto poderia ser explicada pelo reflexo solar (sun glint) sobre o objeto conforme o piloto o observava, causando assim o aparecimento das cores laranja-avermelhadas no balão.


Avaliação Científica e Tecnológica [§ p.4]

O parceiro de Ciência e Tecnologia (C&T) do AARO chegou de forma independente às mesmas conclusões gerais com base nos dados disponíveis e na deconflição de trilhas de radar militares e comerciais nas proximidades do avistamento.

O parceiro avalia com alta confiança que o objeto não era anômalo e muito provavelmente era algum tipo de balão.


Figuras

Figura 1 — Comparação do UAP reportado: (A) imagem infravermelha do objeto reportado; (B) imagem eletro-óptica do objeto reportado; (C) imagem de um sistema comercial de iluminação LTA. (Crédito fotográfico: AARO) [§ p.5]

Figura 2 — Desenho do piloto do objeto reportado. O esboço feito pelo piloto mostra um objeto com metade inferior arredondada e metade superior cônica, anotado com as descrições: "Gun Metal" (cinza metálico), "Orange Reddish" (laranja-avermelhado), "Gray" (cinza) e "Burry Air No Smoke" (ar embaçado, sem fumaça). [§ p.6]

Figura 3 — Visualização do ponto de vista do piloto em relação ao objeto, baseada na posição e altitudes da aeronave e do objeto, no ângulo de visada do sensor e na geometria solar. O diagrama indica ângulo solar de aproximadamente 40,06 graus. [§ p.7]

Glossário

UAP
Fenômeno Aéreo Não Identificado (Unidentified Anomalous Phenomena)
AARO
All-domain Anomaly Resolution Office — Escritório de Resolução de Anomalias em Todos os Domínios, agência do Departamento de Defesa dos EUA responsável por investigar UAPs
LTA
Lighter-Than-Air — Objeto mais leve que o ar, como balões de gás
EO/IR
Electro-Optical/Infrared — Sensor eletro-óptico/infravermelho utilizado em aeronaves militares para captura de imagens
IC
Intelligence Community — Comunidade de Inteligência dos EUA
S&T
Science and Technology — Parceiro de Ciência e Tecnologia consultado pelo AARO para avaliação independente do caso
Sun glint
Reflexo solar — Reflexo direto da luz solar sobre a superfície de um objeto, capaz de alterar sua aparência em imagens ópticas e infravermelhas
Earth shine
Brilho terrestre — Efeito de iluminação causado pela reflexão da luz solar pela superfície terrestre ou nuvens sobre a face inferior de um objeto
Mylar
Material plástico metalizado (poliéster) altamente reflexivo, utilizado em balões e películas; apresenta alta refletividade no espectro infravermelho
Tether
Cabo de sustentação ou amarração utilizado para prender balões e outros objetos LTA
Circuit breaker
Disjuntor — Dispositivo de proteção elétrica que desarma automaticamente em caso de sobrecarga ou falha
Deconfliction
Deconflição — Processo de separação e análise de múltiplas trilhas de radar para identificar e distinguir objetos distintos

Perguntas frequentes

Qual foi a conclusão do AARO sobre o UAP avistado próximo à Base Aérea de Eglin?
O AARO concluiu, com confiança moderada, que o objeto era muito provavelmente um objeto mais leve que o ar (LTA), como um balão comercial de iluminação a hélio, balão meteorológico ou balão de Mylar. Nenhum comportamento anômalo foi confirmado.
A falha do radar durante a aproximação ao objeto foi considerada relacionada ao UAP?
Não. O AARO avaliou que a falha do disjuntor que causou a falha do radar foi coincidência, provavelmente decorrente de um problema técnico pré-existente. O mesmo disjuntor havia desarmado três vezes nos meses anteriores.
Como o piloto descreveu o objeto?
O piloto descreveu o objeto como cinza, com superfície em painéis e coloração laranja-avermelhada no centro, com cerca de 12 pés de diâmetro, movendo-se muito lentamente ou estacionário, com metade inferior arredondada e metade superior cônica, semelhante à cápsula Apollo.
Quantos objetos foram detectados ao total e quantos foram analisados?
Quatro objetos foram detectados inicialmente pelo radar entre 16.000 e 18.000 pés. O piloto observou visualmente apenas um deles e capturou duas imagens. Os outros três não possuíam dados EO/IR e não puderam ser analisados pelo AARO.
O que explicaria a coloração laranja-avermelhada observada no objeto?
Dois fatores foram levantados: o reflexo solar (sun glint) sobre o objeto no ângulo de observação, segundo avaliação da IC; e a possível presença de pontos de fixação de cabo (tether points) vermelhos ao redor da circunferência do balão, conforme avaliação do parceiro C&T.
Qual era o nível de confiança geral na identificação do objeto?
O AARO tem confiança moderada em sua identificação. Os parceiros independentes — da Comunidade de Inteligência e de Ciência e Tecnologia — chegaram independentemente à avaliação de alta confiança de que o objeto não era anômalo e muito provavelmente era algum tipo de balão.

Entidades citadas

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