AARO · 06 de agosto de 2026
DHS divulga documentos do KONA BLUE: programa prospectivo secreto de investigação de tecnologia aeroespacial avançada encerrado em 2012
O Departamento de Segurança Interna (DHS) desclassificou e liberou para acesso público todos os documentos associados ao KONA BLUE, um Programa Especial de Acesso Prospectivo (PSAP) da Diretoria de Ciência e Tecnologia, encerrado em 10 de fevereiro de 2012. Os registros revelam uma proposta de pesquisa sobre ameaças tecnológicas avançadas ligada ao histórico do Programa de Identificação de Ameaças Aeroespaciais Avançadas (AATIP) da Agência de Inteligência de Defesa.
Carta de Liberação do DHS ao Departamento de Defesa
Em 5 de fevereiro de 2024, a Secretária Adjunta Interina do DHS, Kristie Canegallo, respondeu à Secretária Adjunta de Defesa Kathleen H. Hicks, confirmando que o DHS concordava em fornecer ao Departamento de Defesa (DoD) todos os documentos e informações pertinentes associados ao KONA BLUE [§ p.1].
A carta informa que:
- Todos os documentos do DHS associados ao PSAP KONA BLUE foram desclassificados e aprovados para divulgação pública.
- O método de tachado (strike-out) foi utilizado para preservar a visibilidade das classificações anteriores; redações foram feitas com base em revisão legal e de política.
- Todos os registros pertinentes do DHS foram pesquisados e nenhuma informação adicional associada ao PSAP KONA BLUE foi encontrada [§ p.1].
Documento Principal: Apresentação KONA BLUE (DHS S&T, 2011)
Identificação e Classificação Original
O documento de apresentação (DHS-003-6-0002/11, 15 slides) foi originalmente classificado como TOP SECRET//KONA BLUE//NOFORN, com acesso restrito a canais de acesso especial, pelo Subsecretário para Ciência e Tecnologia (OCA), sob a razão de classificação 1.4(e), com data de desclassificação original fixada em 20360425. Foi desclassificado pelo Oficial-Chefe de Segurança do DHS, Richard D. McComb, em 18 de julho de 2023 [§ p.2].
O documento se identifica como:
KONA BLUE – DHS, Science & Technology – UNACKNOWLEDGED, WAIVED Prospective Special Access Program
Descrição do Projeto
O slide de título informa que o projeto se propunha a [§ p.3]:
- Investigar, identificar e analisar informações sensíveis, materiais avançados e tecnologias para aumentar o conhecimento básico de dados científicos e técnicos emergentes e/ou potencialmente disruptivos.
- Abordar pesquisa básica, aplicada e demonstrações avançadas de tecnologia, a fim de identificar e antecipar ameaças à segurança da pátria norte-americana.
- Usar abordagem unificada para coleta e análise de dados, aquisição de tecnologia avançada, demonstração de teoria aplicada e estudos de consciência (consciousness studies).
Objetivos de Pesquisa Planejados
Segundo o documento, todos os produtos eram dependentes da análise inicial e avaliação das informações e materiais existentes e descobertos [§ p.3].
Os resultados potenciais previstos incluíam [§ p.3]:
- Identificar uma classe única de ameaças e oportunidades científicas e tecnológicas para o DHS S&T.
- Colocar o DHS S&T na vanguarda da ciência aplicada e de oportunidades envolvendo tecnologia avançada.
- Clientes/parceiros: componentes do DHS, Governo dos Estados Unidos (USG) e setor privado.
Financiamento Projetado
A tabela de financiamento indicava [§ p.3]:
| Ano Fiscal | Valor (US$ milhões) |
|---|---|
| FY12 | 12 |
| FY13 | 25 |
| FY14 | 35–50 |
| FY15–FY18 | A definir (TBD) |
Necessidade de Pesquisa (Pergunta 1)
O documento descreve a pesquisa como item de interesse congressual [§ p.4], afirmando:
"Esta pesquisa aborda a necessidade crítica da comunidade científica e tecnológica dos Estados Unidos de identificar tecnologias globais emergentes e/ou potencialmente disruptivas que possam ter impacto significativo na segurança interna."
A área de interesse do Departamento com este projeto concentrava-se na investigação científica e técnica, análise de ameaças e avaliação de materiais e dados de origem, engenharia e finalidade únicas. A lacuna de conhecimento que a pesquisa pretendia preencher envolvia materiais e tecnologias emergentes ou disruptivos com potencial impacto sobre o poder nacional e a segurança [§ p.4].
Abordagem Técnica/Científica (Pergunta 2)
A pesquisa abordava duas questões centrais [§ p.5]:
- Quais tecnologias e aplicações emergentes são potencialmente prejudiciais aos interesses vitais dos EUA?
- Que vulnerabilidades e oportunidades qualquer nova tecnologia apresenta?
A abordagem estrutural previa quatro centros de pesquisa [§ p.5]:
- Centro de Coleta e Análise de Dados (Data Collection and Analysis Center)
- Centro de Tecnologia Avançada (Advanced Technology Center)
- Centro de Consciência (Consciousness Center)
- Centro de Aplicação Tecnológica (Technology Application Center)
Esses centros investigariam materiais avançados e controles disruptivos, fontes alternativas de energia/geração de energia, tradução temporal (temporal translation), efeitos e interface humana, redução de assinatura e armamentos, bem como integração tecnológica [§ p.5].
Resultados e Valor Antecipados (Pergunta 3)
O documento afirma que a pesquisa era essencial para [§ p.6]:
- Identificar a origem e substância de materiais associados e avaliações de programas investigatórios anteriores do USG.
- Identificar e definir o impacto de aplicações únicas de ciência e tecnologia na segurança interna.
- Fornecer potencial para influenciar soluções e estratégias tecnológicas para sustentar os elementos do poder nacional e da segurança interna.
O sucesso da pesquisa era condicionado à investigação científica e às avaliações de materiais disponíveis. A continuidade do esforço poderia gerar pesquisas de acompanhamento "acionáveis" (actionable), contribuindo para descobertas, investimentos em pesquisa, possível tecnologia de contramedidas e desenvolvimento de políticas do USG [§ p.6].
Inovação do Trabalho (Pergunta 4)
O documento descreve a inovação da pesquisa como baseada em conhecimento para abordar incertezas analíticas de tecnologias emergentes ou disruptivas que poderiam ameaçar interesses vitais dos EUA, incluindo a segurança de fronteiras terrestres, aéreas e marítimas, cidadãos, infraestrutura crítica ou recursos econômicos [§ p.6].
Afirma ainda que os resultados e esforços de avaliação e acompanhamento poderiam fornecer aos EUA uma capacidade única de aumentar quaisquer elementos do poder nacional — político, econômico, militar e psicossocial moral (coesão social) [§ p.6].
Próximos Passos (Pergunta 5)
O documento indicava que, devido à natureza avançada da pesquisa e às considerações de segurança, nenhum esforço de pesquisa aplicada definido havia sido especificamente identificado para o programa naquele momento. Os próximos passos processuais eram [§ p.7, 10]:
- Recomendação da U/SST (Under Secretary for Science and Technology)
- Pré-briefings para membros do SAPOC (Special Access Program Oversight Committee)
- Briefing de decisão do SAPOC
Colaboradores e Parceiros (Pergunta 6)
"Não, não na concepção do projeto. Há colaboração limitada com o USG e participação interagências é antecipada." [§ p.7]
Histórico do Projeto (Pergunta 7)
O documento registra que o Programa de Identificação de Ameaças Avançadas (Advanced Threat Identification Program) foi primeiramente patrocinado no Ato Suplementar de Defesa do Exercício Fiscal 2008, pelos Senadores Reid e Inouye, com um acréscimo de US$ 10 milhões. O Ato de Dotações de Defesa de FY2010 incluiu um acréscimo de US$ 12 milhões para o projeto [§ p.8].
Financiamento Necessário (Pergunta 8)
- FY12: mínimo de US$ 12 milhões
- FY13: US$ 25 milhões
- FY14: US$ 35–50 milhões
- FY15–17: A definir [§ p.8]
Estrutura Organizacional Detalhada (DHS-003-6-0006/11)
Um segundo documento de programa mais extenso (17 páginas) descreve o Programa de Ameaça Tecnológica Avançada com sete centros operacionais [§ p.17]:
- Centro de Coleta de Dados
- Centro de Análise de Dados
- Centro de Tecnologia Avançada
- Centros Experimentais
- Centro de Consciência
- Centro Médico
- Centro de Educação
Centro de Coleta de Dados
Objetivos principais [§ p.20]:
- Desenvolver site(s) baseados na internet para relato de veículos aeroespaciais avançados (AAV — Advanced Aerospace Vehicle).
- Expandir o armazém de dados atual (que compreendia 11 bancos de dados separados com mais de 200.000 relatórios de AAV, a grande maioria ocorrida após 1947).
- Utilizar múltiplas equipes de investigadores internos para investigar casos de testemunho ocular envolvendo tecnologia AAV com critérios específicos: (a) mais de uma testemunha, (b) a menos de 600 pés da testemunha, (c) evidência física (rastros no solo/vegetação), (d) efeitos eletromagnéticos, (e) efeitos fisiológicos/patológicos.
- Expandir o centro de ligação com agências de lei como patrulha rodoviária, polícia local, Guarda Costeira dos EUA, vigilância de fronteira (sob os auspícios do DHS), FAA (incluindo todos os sistemas de controle de tráfego aéreo e pilotos) [§ p.21].
Centro de Análise de Dados
- Atuar como hub de coordenação de todos os outros centros.
- Manter instalações técnicas, computacionais e laboratoriais capazes de análises de física, química, biologia e engenharia.
- Trocar análise de dados com a AFOSI (Air Force Office of Special Investigations), incluindo gravações históricas e recentes de cabine de cockpit e ECM de Força Aérea, Marinha, Fuzileiros e Exército [§ p.21–22].
- Coletar dados de órbita terrestre baixa (LEO), Lua e Marte da NASA, dados de satélite do NRO, registros de radar da FAA, dados pertinentes a interações com AAV em locais de mísseis, instalações de armazenamento de armas nucleares e bases da Força Aérea nos EUA (CONUS) [§ p.22].
Centro de Tecnologia Avançada
Missão: estabelecer programa abrangente para [§ p.22–23]:
- Obter acesso e inventariar todos os caches existentes de materiais e documentação de AAV dentro dos EUA, em laboratórios nacionais, organizações governamentais e/ou contratados.
- Estabelecer protocolos para acesso a materiais recém-adquiridos de fontes domésticas e estrangeiras.
- Coletar históricos orais de militares aposentados, inteligência e pessoal contratado para auxiliar na localização de tecnologia avançada recuperada adicional [§ p.10].
- Analisar tecnologia recuperada em colaboração com grandes empresas aeroespaciais e eletrônicas [§ p.17].
Uma Iniciativa de História Oral seria empreendida para compilar banco de dados denso de informações adquiridas até a data, e para identificar fontes adicionais, incluindo indivíduos de alto nível nas esferas militar, de inteligência e política, diretores de agência, membros do JCS (Joint Chiefs of Staff), membros seniores do Poder Executivo, bem como chefes de Estado estrangeiros e contratados da indústria eletrônica e aeroespacial [§ p.24–25].
Centros Experimentais
Um local experimental bem estudado — pesquisado por aproximadamente 15 anos — já existia. A intenção era submeter pelo menos outros dois locais ao mesmo estudo intensivo [§ p.25].
A missão dos Centros Experimentais incluía [§ p.25–26]:
- Criar catálogo de locais geográficos nos EUA (incluindo ambientes aquáticos e espaciais) onde atividade de AAV e fenômenos anômalos relacionados ocorriam com nível de repetibilidade.
- Implantar conjuntos de componentes de sensores e instrumentação capazes de detecção e gravação em todas as bandas de variáveis ambientais (atmosféricas, acústicas, eletromagnéticas, gravitacionais, de radiação, rastros no solo).
- Coletar múltiplas amostras biológicas nesses locais para análises genéticas, bioquímicas, toxicológicas e de ciência de materiais.
- Usar biosensores humanos (human observers as biosensors) como componente principal dos esforços de monitoramento de sítio, com interesse específico em se indivíduos expostos aos fenômenos em locais monitorados experimentavam efeitos continuados após se relocarem [§ p.26].
Centro de Consciência
O Centro de Consciência gerenciava a aquisição, treinamento e utilização de visualizadores remotos e comunicadores (remote viewers and communicators). O documento afirma que essas técnicas não ortodoxas poderiam ser métodos de coleta críticos [§ p.28]:
"O Centro de Consciência gerencia a aquisição, treinamento e utilização de visualizadores remotos e comunicadores. Essas técnicas não ortodoxas podem se revelar métodos de coleta críticos para complementar os esforços no Centro de Coleta de Dados, Tecnologia Avançada e, especialmente, nos Centros Experimental e Médico."
As atividades previstas incluíam [§ p.28–29]:
- Desenvolver programa de treinamento e avaliação de qualidade para estudos de consciência.
- Conduzir avaliações remotamente e presencialmente.
- Estender programas de comunicação remota para comunicar e recuperar dados através da barreira dimensional/espaço-tempo (across dimensional/space-time barrier).
- Desenvolver contramedidas de visualização remota.
- Estudar interações de consciência com, e controle de, tecnologia.
- Conduzir experimentos para determinar parâmetros de base para transporte físico através da barreira dimensional/espaço-tempo [§ p.29].
Centro Médico
O Centro Médico previa [§ p.29–30]:
- Criar banco de dados abrangente sobre todos os efeitos fisiológicos e médicos de AAVs nos EUA, com capacidades de análise de padrões e correlação.
- Criar equipe de resposta rápida de médico-cientistas internos capaz de realizar exames de MRI (3 Tesla), testes de sangue (química, hematologia, toxicologia, sistema imunológico), testes genéticos (incluindo biópsias de tecido, amostras de sangue), análise citogenética e procedimentos de medicina interna forense.
- Monitorar e testar membros da família no pós-interação com AAVs.
- Um psicólogo PhD interno conduziria testes cognitivos em: (a) indivíduos com experiências nos Centros Experimentais, (b) indivíduos com encontros próximos com AAVs com efeitos fisiológicos/médicos, (c) membros de família que relataram efeitos subsequentes [§ p.30].
- A infraestrutura estaria em conformidade com as regulamentações HIPAA e de sujeitos humanos [§ p.30].
Centro de Educação
- Recrutar e treinar corpo de voluntários (>100) para apoiar os esforços de coleta do Centro de Coleta de Dados.
- Manter as maiores bibliotecas do mundo sobre tecnologia AAV e fenômenos associados [§ p.31].
- Despesas dos voluntários (uso de automóveis, hotéis, alimentação, passagens aéreas para treinamento) seriam reembolsadas [§ p.31].
Instalações Propostas (Pergunta 7 do documento DHS-003-6-0006/11)
O documento descreve instalações específicas [§ p.32]:
- Um complexo de cinco edifícios em Las Vegas, NV — incluindo um edifício de 5.000 pés quadrados com área de 1.250 pés quadrados (2 salas) nos estágios finais de acreditação como SCIF (Sensitive Compartmented Information Facility) e um laboratório de 5.000 pés quadrados. O complexo era de propriedade de [REDATADO] e nunca havia sido ocupado.
- Um único edifício de dois andares em Las Vegas, NV, para os Centros de Coleta de Dados e Educação — certificado para armazenamento TS pela DSS. O edifício era de propriedade de [REDATADO] e estava desocupado.
- Uma propriedade de pesquisa de 480 acres no Utah com histórico de 15 anos de intensa atividade anômala, de propriedade de [REDATADO], sob guarda armada 24/7 [§ p.32].
Memorando de Estabelecimento do PSAP (11 de julho de 2011)
Em 11 de julho de 2011, Joel Wall, Diretor do Escritório de Projetos Especiais da S&T, encaminhou memorando à Dra. Tara O'Toole, Subsecretária para Ciência e Tecnologia, solicitando aprovação para a criação do KONA BLUE como um Programa Especial de Acesso Prospectivo do DHS S&T [§ p.36]:
"O propósito do KONA BLUE é investigar, identificar e analisar materiais avançados sensíveis e tecnologias e avaliar dados científicos e técnicos emergentes e/ou disruptivos potencialmente necessários em apoio à segurança nacional."
A aprovação foi concedida pela Dra. O'Toole em 7/11 [§ p.36].
Ata da Reunião SAPOC de 21 de novembro de 2011
A reunião do Comitê de Supervisão de Programas de Acesso Especial (SAPOC) de 21 de novembro de 2011 foi convocada às 7h45 com senso de urgência motivado pela iminente transferência de fundos do Senado para o DHS para executar o programa KONA BLUE [§ p.37].
Presentes: Jane H. Lute (Presidenta), Caryn Wagner (Subsecretária para I&A), Rafael Borras (Subsecretário de Gestão), Ivan Fong (Conselheiro Geral), Gregory Marshall (Oficial-Chefe de Segurança), Steven J. Cover (Chefe SAPCO), entre outros [§ p.37].
Pontos de discussão relevantes [§ p.37–38]:
- A Dra. O'Toole discutiu o histórico do programa KONA BLUE enquanto era conduzido na DIA e a tecnologia envolvida. Afirmou que os Senadores estavam preparados para fornecer US$ 10 milhões para a execução do programa no orçamento FY12.
- O FBI não foi abordado para este programa porque "não possuía capacidade orgânica para pesquisa e desenvolvimento na arena científica" [§ p.38].
- O Conselheiro Geral discutiu (em trecho redatado) a justificativa para tornar o programa um SAP.
- A Dra. O'Toole explicou que os Senadores sentiam que as tecnologias envolvidas afetavam a segurança dos EUA e eram mais que suficientemente dignas de investigação adicional. Ela afirmou haver ciência muito séria envolvida e que o Governo dos EUA tinha a responsabilidade de continuar sua investigação.
- A S2 (Subsecretária Lute) havia solicitado que a Dra. O'Toole e o Sr. Cover preparassem um documento de 5 a 10 páginas sobre o histórico do programa — e afirmou "não ter certeza do que é o 'isso' no programa ou exatamente o que estamos pesquisando" [§ p.38].
Histórico e Contexto: AATI Program (Documento de Antecedentes, novembro 2011)
Um documento separado de histórico (preparado por Joel D. Wall, 23 nov 2011) detalha a origem do programa [§ p.43]:
- Em maio de 2008, os Senadores Reid, Inouye (HI) e Stevens (AK) convidaram o Gerente do Programa da DIA para discutir seus interesses em estabelecer um plano de programa de pesquisa envolvendo "ciências exóticas" (exotic sciences).
- Em julho de 2008, o Diretor da DIA, LTG Maples, foi informado pelo Senador Reid sobre um acréscimo congressual de US$ 10 milhões para FY08 em fundos iniciais. A DIA emitiu uma Solicitação de Proposta (RFP) e um contrato foi concedido à Bigelow Aerospace para pesquisar ameaças e tecnologias aeroespaciais avançadas — em 12 áreas aeroespaciais relacionadas.
- Os produtos do contrato de dois anos, com financiamento total de US$ 22 milhões, foram 38 relatórios de pesquisa, um banco de dados ativo e pesquisável (com mais de 100.000+ entradas) e numerosos casos investigativos de anomalias observadas [§ p.43].
- O Senador Reid havia também solicitado que o esforço de contrato da DIA fornecesse confirmação de fenômenos físicos e psicológicos observados por pessoal do governo [§ p.43].
- Em junho de 2009, o Senador Reid comunicou ao então Subsecretário de Defesa, William Lynn, a solicitação de acesso restrito SAP aos aspectos do programa da DIA envolvendo metodologias usadas para identificar, adquirir, estudar e engenheirar quaisquer tecnologias avançadas associadas ao programa [§ p.43].
- Em dezembro de 2009, LTG Burgess, Diretor da DIA, e o ex-Subsecretário de Defesa William Lynn comunicaram ao Senador Reid que o programa da DIA não podia ser conduzido pela Comunidade de Inteligência devido ao seu potencial de crescimento. Um Info Memo da DIA recomendou que o programa poderia ser mais adequado para outra agência ou componente [§ p.43].
- Em abril de 2011, [REDATADO] apresentou briefing ao DHS S&T e ao DHS SAPCO, reiterando o desejo do Senador Reid de fazer a transição do programa para um SAP [§ p.43].
Justificativa para o SAP (Documento de Antecedentes)
O documento lista as justificativas para proteção SAP [§ p.18–19]:
"a) Técnicas de visão remota, comunicação remota e de/rematerialização para observar, comunicar, recuperar dados e transferir matéria através de barreiras dimensionais e espaço-temporais serão indubitavelmente de interesse supremo, se não de primeira prioridade de coleta, para serviços adversariais de inteligência/segurança. Contramedidas contra tais técnicas também seriam prioridade de coleta."
"b) A tecnologia AAV recuperada existe e é acessível apenas dentro de uma construção SAP."
"c) A recuperação e integração de dados históricos de pessoal de alto valor com conhecimento da tecnologia AAV recuperada e localização atual do material recuperado é acessível apenas dentro de uma construção SAP."
O documento afirma ainda que "sem a proteção SAP apropriada, o custo associado ao comprometimento de características específicas deste programa resultaria em graves consequências, talvez irreversíveis, para a segurança dos Estados Unidos" [§ p.19].
Encerramento do PSAP KONA BLUE
Memorando de Encerramento (12 de dezembro de 2011)
O memorando do Oficial-Chefe do SAPCO, Steven J. Cover, endereçado à Secretária Adjunta Jane Holl Lute, datado de 12 de dezembro de 2011, formaliza a decisão de encerramento [§ p.48]:
- O PSAP KONA BLUE foi estabelecido pela Subsecretária de S&T Tara O'Toole em 11 de julho de 2011.
- Em 8 de dezembro de 2011, uma revisão de progresso foi conduzida no gabinete da Secretária Adjunta. Presentes: Secretária Adjunta Lute, Conselheiro Geral Fong, Subsecretária Wagner, Chefe SAPCO Cover e Conselheiro Geral Associado Kronisch.
- Após discussão, a Secretária Adjunta Lute determinou que o PSAP fosse encerrado imediatamente [§ p.48–49].
- As justificativas para estabelecimento como SAP (avaliação de ameaça/vulnerabilidade) foram consideradas inadequadas, assim como os requisitos de orçamento e pessoal.
Memorando para o Registro (5 de junho de 2013)
Um memorando posterior do SAPCO, de junho de 2013, documenta que [§ p.50]:
- A Secretária Adjunta determinou que o DHS não executaria as atividades propostas para o PSAP KONA BLUE.
- Em conjunto com o Conselheiro Geral, foi decidido que o programa, como proposto, não exigia medidas de segurança extraordinárias.
- O PSAP KONA BLUE foi aprovado antes da emissão de qualquer documentação formal final, como guia de classificação de segurança, SOP, acreditação de instalações ou plano AIS.
- O escritório SAPCO determinou que todo o pessoal com acesso ao programa KB PSAP seria administrativamente desautorizado (administratively debriefed) [§ p.50].
Carta do Senador Reid ao Subsecretário de Defesa (24 de junho de 2009)
O documento inclui carta do Senador Harry Reid ao Honorável William Lynn III, Subsecretário de Defesa, datada de 24 de junho de 2009 [§ p.51–53], na qual Reid solicita a criação de um SAP Restrito com Lista de Acesso Restrito (Bigoted Access List) para porções específicas do AATIP.
A carta argumenta que as tecnologias associadas ao AATIP possivelmente envolvem conceitos sofisticados de [§ p.52]:
"mecânica quântica, ciência nuclear, teoria eletromagnética, gravitações e termodinâmica. Dado que todos estes têm o potencial de ser usados com efeitos catastróficos por adversários, um grau incomumente alto de segurança operacional e discrição de acesso é necessário."
Reid solicitava proteção SAP específica para:
- A metodologia usada para identificar, adquirir, estudar e engenheirar as tecnologias avançadas associadas ao AATIP.
- Alocação de pessoal, suporte e supervisão.
- Aplicação e engenharia das tecnologias [§ p.51–52].
O Anexo 1 da carta lista a Lista Preliminar de Acesso Restrito FY10 (FY10 Preliminary Bigoted List), incluindo [§ p.54]:
- Honorável William Lynn III, Subsecretário de Defesa
- Honorável Senador Harry Reid de Nevada
- Honorável Senador Daniel Inouye do Havaí
- Robert T. Herbert (Senado dos EUA)
- [Demais entradas redatadas]
- Pessoal do ONI (USN) e ONI (USMC) [redatados]
- Pessoal do USDI [redatado]
Contratados listados incluíam pessoal da Bigelow Aerospace Advanced Space Studies LLC (BAASS) [§ p.54].
Info Memo da DIA sobre o AATIP (1 de dezembro de 2010)
O Info Memo do Diretor da DIA, Ronald L. Burgess Jr., ao Subsecretário de Defesa para Aquisição, Tecnologia e Logística, resume o histórico do AATIP [§ p.55–56]:
- O programa foi patrocinado no FY2008 Defense Supplemental Appropriation Act pelos Senadores Reid e Inouye, com acréscimo de US$ 10 milhões.
- A RFP identificou 12 áreas técnicas de estudo: sustentação, propulsão, controle, armamentos, redução de assinatura, materiais, configuração, geração de energia, tradução temporal, efeitos humanos, interface humana e integração tecnológica [§ p.55].
- A DIA concedeu contrato à BAASS — a única proposta, sediada em North Las Vegas, Nevada.
- A BAASS identificou e trabalhou com acadêmicos e cientistas para produzir 26 relatórios técnicos até junho de 2009. Um dos 26 relatórios, intitulado Advanced Space Propulsion Based on Vacuum (Spacetime Metric) Engineering, foi publicado em março de 2010 [§ p.55].
- O FY2010 Defense Appropriations Act incluiu um acréscimo de US$ 12 milhões. Doze relatórios adicionais foram produzidos [§ p.55].
- Em novembro de 2009, a DIA concluiu revisão do programa e determinou que não havia fundamentos suficientes para classificar o programa, invocar ACCM, ou estabelecer SAP restrito [§ p.56].
- LTG Burgess e William Lynn se reuniram com o Senador Reid e determinaram que os relatórios eram de valor limitado para a DIA, mas poderiam ser de mérito para outras organizações, e que, ao término do contrato, o projeto poderia ser transferido para outra agência [§ p.56].
Nota sobre Redações e Transparência
Em todos os documentos liberados, nomes de empresas contratadas (referidas como "Company X", "Company Y", "Company Z" nos organogramas) e nomes de pessoal foram redatados com base em revisão legal e de política. O método de tachado (strike-out) foi utilizado para preservar a visibilidade das classificações originais, que variavam de SECRET a TOP SECRET//KONA BLUE//NOFORN. A tabela de reuniões do DHS S&T de 2011 tem a coluna de presença integralmente redatada [§ p.34].
Glossário
- PSAP
- Prospective Special Access Program — Programa Especial de Acesso Prospectivo; fase preliminar antes da aprovação formal de um SAP completo
- SAP
- Special Access Program — Programa de Acesso Especial; categoria de programa governamental altamente classificado com controles de acesso além do padrão
- SAPOC
- Special Access Program Oversight Committee — Comitê de Supervisão de Programas de Acesso Especial; órgão responsável por aprovar ou rejeitar SAPs no DHS
- SAPCO
- Special Access Program Control Office — Escritório de Controle de Programas de Acesso Especial; escritório administrativo responsável pela gestão de SAPs
- AAV
- Advanced Aerospace Vehicle — Veículo Aeroespacial Avançado; terminologia utilizada nos documentos para descrever os fenômenos/objetos sob investigação
- AATIP
- Advanced Aerospace Threat and Identification Program — Programa Avançado de Identificação de Ameaças Aeroespaciais; predecessor do KONA BLUE conduzido pela DIA
- AATI
- Advanced Aerospace Threat and Identification — variação abreviada do nome do programa predecessor na DIA
- BAASS
- Bigelow Aerospace Advanced Space Studies LLC — contratada única da DIA para o AATIP, sediada em North Las Vegas, Nevada
- NOFORN
- Not Releasable to Foreign Nationals — marcação de controle indicando que o material não pode ser divulgado a cidadãos estrangeiros
- SCIF
- Sensitive Compartmented Information Facility — Instalação de Informações Compartimentadas Sensíveis; sala ou edifício certificado para discussão e armazenamento de informações altamente classificadas
- DIA
- Defense Intelligence Agency — Agência de Inteligência de Defesa; agência federal responsável pelo programa predecessor AATIP
- FOUO
- For Official Use Only — Para Uso Oficial Apenas; designação de controle aplicada a informações não classificadas mas sensíveis
- Remote viewing
- Visualização remota — técnica parapsicológica de percepção extrassensorial planejada para uso no 'Centro de Consciência' do KONA BLUE
- CONУС
- Continental United States — Estados Unidos Continentais (excluindo Alasca e Havaí)
Perguntas frequentes
- O que era o KONA BLUE?
- KONA BLUE era um Programa Especial de Acesso Prospectivo (PSAP) não reconhecido e isento de obrigações do DHS Ciência & Tecnologia, criado em 11 de julho de 2011 e encerrado em 10 de fevereiro de 2012. Tinha como objetivo investigar, identificar e analisar materiais avançados sensíveis e tecnologias, bem como avaliar dados científicos e técnicos emergentes potencialmente disruptivos em suporte à segurança nacional.
- Por que o KONA BLUE foi encerrado?
- A Secretária Adjunta do DHS Jane Holl Lute ordenou o encerramento imediato do PSAP em dezembro de 2011, após reunião de revisão, por considerar que as justificativas para estabelecimento como SAP (avaliação de ameaça/vulnerabilidade) eram inadequadas e que os requisitos de orçamento e pessoal não eram suficientes. O programa foi encerrado antes de qualquer documentação formal final ter sido emitida.
- Qual é a relação entre o KONA BLUE e o AATIP?
- O AATIP (Programa Avançado de Identificação de Ameaças Aeroespaciais) foi o programa predecessor conduzido pela DIA, financiado com US$ 22 milhões por congressistas como o Senador Reid. Quando a DIA concluiu que o programa devia ser transferido para outra agência, houve esforço para migrá-lo para o DHS como SAP — esse esforço resultou na proposta KONA BLUE. O KONA BLUE foi essencialmente a tentativa do DHS S&T de continuar e expandir a pesquisa do AATIP.
- O programa mencionava posse de materiais de origem não identificada?
- Sim. O documento de justificativa para o SAP afirmava explicitamente: 'A tecnologia AAV recuperada existe e é acessível apenas dentro de uma construção SAP' e 'A recuperação e integração de dados históricos de pessoal de alto valor com conhecimento da tecnologia AAV recuperada e localização atual do material recuperado é acessível apenas dentro de uma construção SAP.' O documento não especifica a natureza ou origem desses materiais além do termo 'veículo aeroespacial avançado (AAV)'.
- O que eram os 'estudos de consciência' mencionados nos documentos?
- O programa previa um 'Centro de Consciência' que gerenciaria a aquisição, treinamento e utilização de visualizadores remotos e comunicadores. O centro planejava desenvolver capacidades de comunicação remota e transferência de dados 'através da barreira dimensional/espaço-tempo', desenvolver contramedidas de visualização remota e estudar interações de consciência com tecnologia. O documento classifica essas técnicas como 'não ortodoxas'.
- Qual era o orçamento projetado para o KONA BLUE?
- O financiamento inicial previsto para FY12 era de US$ 12 a 15 milhões. A proposta completa de longo prazo previa US$ 12 milhões em FY12, US$ 25 milhões em FY13, US$ 35 a 50 milhões em FY14, com valores a definir para FY15 a FY18. O total inicial discutido em reuniões era de US$ 10 milhões via transferência do Senado.
- Quem estava na lista de acesso restrito do AATIP?
- A Lista Preliminar de Acesso Restrito FY10 incluía: o Subsecretário de Defesa William Lynn III, o Senador Harry Reid, o Senador Daniel Inouye, Robert T. Herbert do Senado dos EUA, e pessoal do ONI (Marinha e Fuzileiros Navais) e USDI. Contratados listados incluíam pessoal da Bigelow Aerospace Advanced Space Studies LLC (BAASS). Os demais nomes estão redatados.
- Os documentos confirmam a existência de materiais físicos de origem extraterrestre?
- Não. Os documentos não confirmam nem afirmam a existência de materiais de origem extraterrestre. Eles referenciam 'tecnologia AAV recuperada' e 'materiais de origem única' sem especificar a natureza ou proveniência desses materiais. A terminologia utilizada é consistentemente ambígua e o documento não faz afirmações conclusivas sobre a origem dos fenômenos investigados.
Entidades citadas
- Kristie Canegallo· person
- Kathleen H. Hicks· person
- Richard D. McComb· person
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