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AARO · 06 de agosto de 2026

E-mails FOIA: Astrônomo Avi Loeb e Diretor do AARO Sean Kirkpatrick discutem UAP, meteoros interestelares e análise de objetos sobre a Ucrânia (2022)

Documento obtido via FOIA revela troca de e-mails entre o astrofísico Avi Loeb (Harvard) e Sean Kirkpatrick, diretor do AARO/DoD, entre setembro e outubro de 2022, abordando UAP detectados na Ucrânia, meteoros interestelares catalogados pela NASA e reunião presencial entre os dois pesquisadores.

Contexto e Origem do Documento

Este conjunto de e-mails foi divulgado em resposta a pedido de acesso via FOIA (Lei de Liberdade de Informação — Freedom of Information Act) registrado sob o número 23-F-0010 junto ao AARO (Escritório de Resolução de Anomalias em Todos os Domínios — All-domain Anomaly Resolution Office) do Departamento de Defesa dos EUA. [§ p.23] O documento contém 28 páginas, sendo as páginas 24 a 28 completamente redigidas sob a isenção FOIA (b)(6), que protege informações pessoais de indivíduos.

A última página visível indica que partes do conteúdo foram igualmente retidas sob isenção FOIA (b)(5), referente a "processo deliberativo privilegiado". [§ p.23]


Troca de E-mails: Kirkpatrick Contata Loeb (20 de setembro de 2022)

A cadeia de mensagens tem início em 20 de setembro de 2022, quando Sean M. Kirkpatrick, Ph.D., recém-nomeado diretor do AARO, envia a primeira mensagem a Avi Loeb. [§ p.22] Kirkpatrick se apresenta e explica:

"I have recently been named to standup and lead the office below for the Department of Defense, with support from the IC to address the UAP mission space. I was wondering if I could have some of your time for discussion on the topic area?"

A assinatura de Kirkpatrick inclui o título "Diretor, All-domain Anomaly Resolution Office" e uma citação em latim: "Universum mutatio est. Vita nostra est quod cogitationes nostra facere est." [§ p.22]

Loeb responde no mesmo dia (20/09/2022, às 11h05), demonstrando familiaridade com o currículo de Kirkpatrick e mencionando sobreposição entre a pesquisa científica do diretor do AARO e seu próprio trabalho no programa SDI (Strategic Defense Initiative) nos anos 1980. Loeb propõe reunião em sua residência em Cambridge ou em seu escritório em Harvard, e menciona que havia sido convidado para testemunhar perante o Comitê de Estudo da NASA em Washington, D.C., em 24 de outubro de 2022. [§ p.20-21]


Agendamento da Reunião

Kirkpatrick confirma disponibilidade para visitar Boston. Em troca de mensagens entre 20 de setembro de 2022, os dois acordam que se encontrarão na residência de Loeb em 3 de outubro de 2022 às 16h00. [§ p.18-19] Loeb descreve sua casa como um "ambiente sem ruídos, onde podemos falar livremente sem interrupção".

O convite formal de calendário registra: [§ p.17]


Meteoros Interestelares: IM1 e IM2

Em 20 de setembro de 2022, Loeb envia a Kirkpatrick informações detalhadas sobre o primeiro meteoro interestelar confirmado, designado CNEOS 2014-01-08 (IM1), e anuncia a descoberta de um segundo, CNEOS 2017-03-09 (IM2), em coautoria com o estudante Amir Siraj. [§ p.9-16]

Dados técnicos do IM1

Loeb fornece o vetor de velocidade geocêntrica do meteoro: [§ p.9]

Loeb solicita a Kirkpatrick uma precisão adicional de localização ("precisamos de mais um dígito significativo"), afirmando que isso "economizaria muito tempo na área de busca da expedição". [§ p.9]

Confirmação governamental do IM1

O primeiro meteoro interestelar havia sido confirmado com nível de confiança de 99,999% por uma carta do Comando Espacial dos EUA (US Space Command) à NASA. [§ p.12]

Descoberta do IM2

O segundo meteoro interestelar, IM2, era dez vezes mais massivo que o IM1 e media aproximadamente um metro. Deslocava-se a 40 km/s em relação ao Padrão Local de Repouso (Local Standard of Rest) da Via Láctea, comparado a 60 km/s do IM1. [§ p.12]

Resistência material anômala

Ambos os meteoros desintegraram-se na baixa atmosfera terrestre apesar de suas velocidades excepcionalmente altas. A pressão de aríete (air ram pressure) fornece estimativa da resistência mecânica do material: [§ p.12-13]

Loeb conclui que ambos eram mais resistentes do que meteoritos de ferro, os mais duros encontrados no Sistema Solar. IM1 e IM2 ocupam as posições 1º e 3º no ranking de resistência material entre os 273 meteoros do catálogo CNEOS. A probabilidade de isso ocorrer por acaso com rochas do Sistema Solar é de aproximadamente 1 em 10.000 (99,99% de nível de confiança). [§ p.13]

Interpretações

Loeb apresenta duas hipóteses principais para a origem de IM1 e IM2: [§ p.13-14]

  1. Origem natural: Supernovas produzem "projéteis" ricos em ferro. Imagens de raios-X do remanescente de supernova Vela revelaram ondas de choque geradas por projéteis expelidos do sítio da explosão.
  2. Origem artificial: Os objetos podem ser sondas interestelares de propulsão química, lançadas há aproximadamente um bilhão de anos, similares às sondas interestelares humanas (Voyager 1 e 2, Pioneer 10 e 11, New Horizons).

Loeb menciona ainda a hipótese de uma "nave-mãe" carregando CubeSats ou microdispositivos, que seriam liberados por atrito com a atmosfera de um planeta habitável — comparados a sementes de dente-de-leão. [§ p.14]

Expedições planejadas

Loeb anuncia planos para duas expedições de recuperação de fragmentos: [§ p.14]


Resposta de Kirkpatrick sobre os Meteoros Interestelares

Kirkpatrick responde ao e-mail sobre IM1/IM2 com perguntas técnicas e conceituais: [§ p.10]

"That's very interesting. I'm not familiar with the air ram pressure estimate. What's the error bar on that estimate? 10%?"

Kirkpatrick também questiona:

Kirkpatrick conclui: "In any event that's exciting to find two objects. I suspect there's more." [§ p.10]


Análise dos UAP na Ucrânia

Em 4 de outubro de 2022, Loeb envia a si mesmo (como registro) um ensaio intitulado "'Down To Earth' Limits on Unidentified Aerial Phenomena in Ukraine", com cópia do artigo científico anexado (arXiv_U.pdf). [§ p.1-4]

O ensaio responde a um relatório de astrônomos ucranianos — Zhilyaev, Petukhov e Reshetnyk (2022) — sobre detecção de UAP (Fenômenos Aéreos Não Identificados) sobre a Ucrânia. O relatório descreve dois tipos de objetos: luminosos e escuros (denominados "Phantoms").

Características reportadas dos objetos "Phantom"

Segundo o relatório ucraniano, os objetos escuros apresentavam: [§ p.2-3]

Análise crítica de Loeb

Loeb questiona a validade das medições. Ele argumenta que um objeto com área frontal de 10 m², movendo-se a 10 km/s supersônico a 10 km de altitude, geraria uma onda de choque (bow shock) com potência mecânica de 1,5 tera-Watt. Com base em dados de meteoros, cerca de 10% da energia cinética é irradiada na faixa óptica, o que implicaria uma bola de fogo visível com luminosidade acima de 150 giga-Watt — indetectável como objeto escuro. [§ p.4]

"I concluded that the reported speeds and sizes of the 'Phantom' objects would have generated fireballs of detectable optical luminosity at their suggested distances, and so these objects could not have appeared dark."

Hipótese alternativa

Se os objetos estivessem dez vezes mais próximos do que indicado pelos astrônomos ucranianos: [§ p.4]

A luminosidade de bola de fogo escala com a quinta potência da distância. Com distância reduzida por fator 10, a luminosidade seria de apenas alguns megawatts (MW). Se o projétil tiver diâmetro frontal de apenas 10 cm, a luminosidade seria de meros 10 kilo-Watts — equivalente a uma lâmpada de 100W vista a 100 metros. [§ p.4]

Objeto luminoso a alta altitude

Os astrônomos ucranianos também identificaram um objeto luminoso e variável a 1.170 km de altitude, detectado por observações em dois sítios simultâneos. Loeb conclui que se trata provavelmente de um satélite. [§ p.4]

Conclusão sobre UAP na Ucrânia

"Altogether 'down to Earth' explanations can account for the reported UAP above Ukraine."

Loeb complementa com citação de Oscar Wilde: "We are all in the gutter, but some of us are looking at the stars." [§ p.4]


Contexto Científico: Considerações sobre Origem de UAP

No ensaio sobre a Ucrânia, Loeb também discorre sobre o contexto teórico mais amplo relacionado ao interesse em UAP. Embora seja uma análise do cientista — não uma posição oficial do DoD — o conteúdo foi enviado ao diretor do AARO. Os principais pontos incluem:

Formas hipotéticas de equipamento extraterrestre [§ p.3]

  1. Lixo espacial (space trash): similar às sondas humanas Voyager 1 e 2, Pioneer 10 e 11, e New Horizons, como apareceriam daqui a um bilhão de anos
  2. Equipamento funcional: dispositivos autônomos equipados com Inteligência Artificial (IA), capazes de:
    • Sobreviver ao longo trajeto interestelar (protegidos contra raios cósmicos, raios-X e raios gama)
    • Auto-reparar-se mecanicamente
    • Reproduzir-se dados os recursos de um planeta habitável
    • Adaptar-se via Aprendizado de Máquina (Machine Learning)

Propulsão e velocidades [§ p.3]

Auto-replicação e mensagens [§ p.3]

Alcance temporal [§ p.4]

A uma velocidade de 30 km/s, uma sonda cruzaria duas vezes a distância do Sol ao centro da Via Láctea em meio bilhão de anos. A fração de estrelas semelhantes ao Sol com planetas na zona habitável varia entre 3% e 100%. Sondas auto-replicantes poderiam alcançar dez bilhões de planetas habitáveis em menos de um bilhão de anos.


Participação no SALT New York (setembro de 2022)

Em 28 de setembro de 2022, Loeb envia a Kirkpatrick um link de vídeo de sua participação no evento SALT New York (12–14 de setembro de 2022), onde discutiu o Projeto Galileu (Galileo Project) com Alex Klokus, sócio-fundador da Kyber Capital. O evento foi realizado no Centro Javits e é descrito como "fórum global de liderança intelectual e networking na interseção de finanças, tecnologia e política pública". [§ p.7-8]

Kirkpatrick responde em 28/09/2022: "Thanks Avi. Looking forward to seeing you next week."


Redações e Isenções FOIA

Diversas partes do documento foram redigidas:


Sobre os Participantes

Avi Loeb é Professor Frank B. Baird Jr. de Ciências na Universidade de Harvard, diretor fundador da Iniciativa de Buracos Negros de Harvard (Harvard's Black Hole Initiative), diretor do Instituto de Teoria e Computação do Centro Harvard-Smithsonian de Astrofísica, e ex-presidente do departamento de astronomia de Harvard (2011–2020). É chefe do Projeto Galileu (Galileo Project), preside o conselho consultivo do projeto Breakthrough Starshot, e é ex-membro do Conselho de Assessores do Presidente em Ciência e Tecnologia (President's Council of Advisors on Science and Technology). É autor do livro "Extraterrestrial: The First Sign of Intelligent Life Beyond Earth" e coautor do livro didático "Life in the Cosmos", ambos publicados em 2021. [§ p.5]

Sean M. Kirkpatrick, Ph.D. é descrito no documento como recém-nomeado diretor do All-domain Anomaly Resolution Office (AARO), subordinado ao Departamento de Defesa com apoio da Comunidade de Inteligência (IC). Seu endereço de e-mail institucional indica vinculação a: HQE OSD OUSD INTEL & SEC (USA). [§ p.22]

Glossário

UAP
Fenômeno Aéreo Não Identificado (Unidentified Anomalous Phenomena) — designação oficial do DoD para objetos aéreos não identificados
AARO
All-domain Anomaly Resolution Office — Escritório de Resolução de Anomalias em Todos os Domínios, criado pelo DoD para investigar UAP
FOIA
Freedom of Information Act — Lei de Liberdade de Informação dos EUA, que permite solicitar documentos governamentais
CNEOS
Center for Near Earth Object Studies — Centro de Estudos de Objetos Próximos à Terra da NASA, que mantém catálogo de eventos de bolas de fogo
IM1 / IM2
Interstellar Meteor 1 e 2 — designações para os dois meteoros de origem interestelar identificados por Loeb e Siraj no catálogo CNEOS
Bow shock
Onda de choque frontal gerada quando um objeto se move em velocidade supersônica através de um fluido, como a atmosfera terrestre
Air ram pressure
Pressão de aríete atmosférico — produto da densidade do ar pela velocidade ao quadrado do meteoro; usado para estimar a resistência mecânica do material
Local Standard of Rest
Padrão Local de Repouso — referencial inercial da Via Láctea que representa a média dos movimentos das estrelas vizinhas ao Sol
Isenção FOIA (b)(5)
Isenção que protege documentos contendo 'processo deliberativo privilegiado' do governo, impedindo sua divulgação pública
Isenção FOIA (b)(6)
Isenção que protege informações pessoais identificáveis de indivíduos em documentos governamentais
SDI
Strategic Defense Initiative — Iniciativa de Defesa Estratégica, programa de pesquisa militar dos EUA dos anos 1980 mencionado por Loeb como área de trabalho anterior
CubeSat
Formato padronizado de nanosatélite, citado por Loeb como possível tipo de dispositivo que uma hipotética nave-mãe interestelar poderia transportar
Projeto Galileu
Galileo Project — iniciativa científica de Harvard liderada por Loeb para coletar dados empíricos sobre objetos tecnológicos anômalos de possível origem extraterrestre

Perguntas frequentes

Por que Loeb considerou a Ucrânia um local inadequado para estudos de UAP?
Loeb argumentou que o conflito militar gerava muito 'ruído' de atividade humana no espaço aéreo, dificultando a distinção de objetos de origem não humana e comprometendo a relação sinal-ruído necessária para pesquisa científica rigorosa. [§ p.2]
Qual foi a conclusão de Loeb sobre os objetos 'Phantom' reportados sobre a Ucrânia?
Loeb concluiu que, nas distâncias reportadas e nas velocidades indicadas, os objetos teriam gerado bolas de fogo com luminosidade visível superior a 150 giga-Watts e não poderiam ter aparecido como escuros. Se dez vezes mais próximos, suas características seriam compatíveis com projéteis de artilharia. [§ p.4]
O que tornava os meteoros interestelares IM1 e IM2 anômalos em relação a outros meteoros?
Ambos apresentaram resistência material excepcionalmente alta — 194 MPa e 75 MPa respectivamente — superior ao limite máximo de meteoritos de ferro (50 MPa). Eles ocupam as posições 1 e 3 entre 273 meteoros catalogados no CNEOS, com probabilidade de ocorrência aleatória de cerca de 1 em 10.000. [§ p.13]
Que pedido técnico Loeb fez a Kirkpatrick sobre os dados do meteoro IM1?
Loeb solicitou um dígito significativo adicional na localização do impacto, que segundo o catálogo CNEOS estava precisa apenas dentro de 10 km. Mais precisão reduziria significativamente a área de busca da expedição de recuperação. [§ p.9]
Qual foi o motivo do primeiro contato de Kirkpatrick com Loeb?
Kirkpatrick havia sido recém-nomeado diretor do AARO (All-domain Anomaly Resolution Office) do DoD e buscou a expertise de Loeb para discussão sobre o tema de UAP, oferecendo-se para se deslocar até onde fosse conveniente. [§ p.22]
Quais partes do documento foram retidas pelo governo?
Informações pessoais foram redigidas sob isenção FOIA (b)(6), incluindo endereço e telefone de Loeb e dados pessoais de Kirkpatrick. Uma página foi retida inteiramente sob isenção (b)(5) por 'processo deliberativo privilegiado'. As páginas 24 a 28 foram integralmente redigidas. [§ p.23-28]
O que são os meteoros interestelares segundo o documento?
São objetos de escala métrica provenientes do espaço interestelar que colidem com a Terra em trajetórias gravitacionalmente desvinculadas do Sol, ou seja, movem-se mais rápido do que a velocidade de escape solar. IM1 e IM2 são os dois únicos exemplos identificados no catálogo CNEOS da NASA. [§ p.12]
Loeb menciona alguma hipótese de origem artificial para os meteoros?
Sim. Loeb apresenta como hipótese — sem afirmar como conclusão — que IM1 e IM2 poderiam ser sondas interestelares de propulsão química de origem artificial, lançadas há aproximadamente um bilhão de anos, dado que são mais rápidos e resistentes do que rochas do Sistema Solar. [§ p.13-14]

Entidades citadas

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