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JRE · 07 de agosto de 2026

Joe Rogan Experience #2028: Jeremy Corbell e George Knapp debatem divulgação UAP, delatores e programas secretos

Em episódio do podcast Joe Rogan Experience, os jornalistas investigativos Jeremy Corbell e George Knapp discutem o avanço do processo de divulgação sobre Fenômenos Aéreos Não Identificados, o testemunho de David Grusch perante o Congresso americano e as pressões institucionais contra delatores.

Contexto do episódio

O episódio #2028 do Joe Rogan Experience reuniu dois dos jornalistas investigativos mais proeminentes na cobertura de UAP nos Estados Unidos: Jeremy Corbell, documentarista responsável por divulgar imagens UAP confirmadas pelo Pentágono, e George Knapp, repórter investigativo do mercado de Las Vegas com décadas de apuração sobre o tema. O episódio cobre uma ampla gama de temas: o estado atual da divulgação institucional, o testemunho histórico de David Grusch, a resistência política e burocrática ao tema, e registros históricos de programas de estudo soviéticos e americanos sobre UAP.

Divulgação: orgânica ou orquestrada?

Uma das primeiras questões levantadas por Rogan é se o atual movimento de divulgação seria coordenado ou espontâneo. Corbell defende que, ao contrário do que parece, o processo tem sido orgânico: diferentes pessoas avançaram independentemente, encorajando umas às outras, sem um maestro central. Knapp, com 36 anos de cobertura do tema, afirma nunca ter imaginado ver tantos avanços em vida, mas reconhece que ainda há um longo caminho a percorrer.

Ambos admitem a possibilidade de desinformação misturada ao processo — um risco inerente quando agências de inteligência e o Pentágono passam a se pronunciar publicamente sobre o assunto. Corbell observa que a ausência de um adulto no controle da narrativa, paradoxalmente, lhe dá mais credibilidade: se fosse uma operação coordenada de mídia, seria mais organizada.

O testemunho de David Grusch

Grande parte do episódio é dedicada a David Grusch, ex-funcionário da Agência Nacional de Inteligência Geoespacial (NGA) e do Escritório de Reconhecimento Nacional (NRO), que testificou sob juramento perante o Congresso em julho de 2023 afirmando ter conduzido uma investigação sobre programas de acesso especial (special access programs) e encontrado evidências de recuperação de aeronaves de origem não humana e engenharia reversa.

Corbell esclarece um ponto frequentemente distorcido:

"Grush não disse o número 12. Isso não está no dossiê dele. Isso não é informação autorizada. Se alguém disse isso, não foi ele."

O que Grusch efetivamente declarou foi que, após entrevistar mais de 40 testemunhas — classificadas por ele como hostis e não-hostis —, encontrou evidências suficientes para acreditar na existência de programas ocultos com tecnologias de origem desconhecida. A Inspeção Geral da Comunidade de Inteligência (ICIG) conduziu sua própria investigação e classificou as alegações de Grusch como "credíveis e urgentes" — um dado relevante frequentemente omitido no debate público.

Grusch apresentou sua queixa sob a proteção do Presidential Whistleblower Protection Act e foi assessorado por Chuck McCullough, ex-Inspetor Geral da Comunidade de Inteligência. O advogado esteve presente na audiência, sentado diretamente atrás de Grusch, intervindo quando necessário.

Represálias e tentativas de silenciamento

Corbell e Knapp descrevem em detalhes as tentativas de desacreditar Grusch após seu testemunho. Um artigo publicado pelo The Intercept utilizou registros de saúde mental — especificamente o histórico de PTSD de Grusch como veterano de guerra — para questionar sua credibilidade. Corbell afirma que isso era previsível e que o próprio Grusch havia alertado sobre a possibilidade desde o início:

"No primeiro dia que falei com ele, perguntei: que sujeira vão levantar sobre você? Ele disse: tive PTSD, lidei com isso, sobrevivi."

Rogan observa a perversidade da estratégia: usar o fato de um veterano ter buscado ajuda psicológica para invalidar seu testemunho é, na prática, punir comportamento saudável. Corbell acrescenta que o episódio serve como aviso a outros potenciais delatores.

Além disso, o Comitê de Inteligência da Câmara e o Comitê de Supervisão chegaram a um acordo informal para encerrar as audiências sobre UAP na Câmara, segundo os entrevistados, por considerar que o assunto poderia ser "embaraçoso para o Departamento de Defesa".

O programa soviético e os documentos de Knapp

Knapp relata suas viagens à Rússia durante o período da Glasnost (primeira viagem em 1993), onde obteve acesso a documentos classificados do programa soviético de estudo de UAP — o maior do gênero já conduzido, segundo ele, entre 1978 e 1988. A ordem soviética determinava que toda unidade militar do império reportasse qualquer avistamento ao Ministério da Defesa, centralizando as informações na mesa do Coronel Boris Sokolov.

Os documentos obtidos por Knapp foram posteriormente entregues ao governo americano e ao programa AAWSAP (Programa Avançado de Aplicações de Sistemas de Armas Aeroespaciais), contratado pela DIA com Robert Bigelow como contratante principal. Especialistas russos foram contratados para analisar a estrutura do programa soviético.

Entre os dados mais impactantes: registros de tentativas de abate de UAP pela força aérea soviética, com três casos em que os UAPs revidaram, derrubando as aeronaves — dois pilotos morreram. O Ministério da Defesa soviético teria então emitido a ordem: "Deixem-nos em paz — eles podem ter capacidades incríveis de retaliação."

O papel do papel histórico e o Memorando Twining

Knapp argumenta que a trilha documental — produzida antes da Lei de Liberdade de Informação (FOIA), quando os autores não esperavam que o público jamais lesse esses registros — é a base mais sólida de evidências. O Memorando Twining de 1947, escrito pelo General Nathan Twining (que se tornaria o primeiro chefe do Estado-Maior Conjunto da Força Aérea), afirma explicitamente que os objetos avistados "não são fictícios ou imaginários", que são reais, e que não são tecnologia americana nem soviética.

Esse documento, aliado a memos subsequentes da CIA e do FBI da década de 1940 e 1960, constitui, na avaliação de Knapp, uma narrativa interna consistente de que o fenômeno é real e não identificado.

Relevância para o debate atual

O episódio #2028 do JRE é considerado um dos mais densos em conteúdo factual sobre o tema UAP produzidos para o público geral. Não apresenta conclusões definitivas sobre a natureza dos fenômenos, mas mapeia com precisão o estado do processo de divulgação institucional, os mecanismos de resistência, e os limites do que pode ser dito publicamente por delatores sob proteção legal. O áudio e vídeo originais estão disponíveis no YouTube pelo link da fonte.

Glossário

UAP
Fenômeno Aéreo Não Identificado (Unidentified Anomalous Phenomena) — nomenclatura oficial adotada pelo DoD em substituição a 'OVNI'
Special Access Program (SAP)
Programa de acesso especial — categoria de programa classificado com controles de acesso mais rígidos que os secretos convencionais
ICIG
Inspetor Geral da Comunidade de Inteligência — órgão de fiscalização interna das agências de inteligência americanas
AAWSAP
Programa Avançado de Aplicações de Sistemas de Armas Aeroespaciais — programa da DIA contratado com Robert Bigelow para estudar UAP
NGA
Agência Nacional de Inteligência Geoespacial — agência de inteligência americana especializada em imagens e geoespacial
NRO
Escritório de Reconhecimento Nacional — agência responsável por satélites de reconhecimento dos EUA
Doser / Pre-publication review
Processo de revisão pré-publicação pelo qual funcionários com acesso a informações classificadas submetem seus textos ou declarações para aprovação antes de torná-los públicos
FOIA
Lei de Liberdade de Informação (Freedom of Information Act) — lei americana que garante acesso público a documentos governamentais
Whistleblower
Delator — funcionário que denuncia irregularidades dentro de uma organização, geralmente sob proteção legal específica
UAP Task Force
Força-tarefa criada pelo Congresso americano para investigar fenômenos aéreos não identificados, predecessora do AARO
Church Committee
Comitê do Senado americano dos anos 1970 que investigou abusos das agências de inteligência e estabeleceu mecanismos de supervisão congressional
PTSD
Transtorno de Estresse Pós-Traumático — condição de saúde mental comum entre veteranos de combate

Perguntas frequentes

O que David Grusch afirmou sob juramento perante o Congresso?
Grusch declarou ter investigado mais de 2.000 programas de acesso especial, entrevistado mais de 40 testemunhas e encontrado evidências de programas ocultos com tecnologias de origem desconhecida e possível desvio de recursos. Afirmou que a Inspeção Geral da Comunidade de Inteligência classificou suas alegações como 'credíveis e urgentes'.
Grusch afirmou que os EUA possuem 12 aeronaves UAP recuperadas?
Segundo Corbell, não. Esse número não consta no dossiê autorizado de Grusch. Corbell afirma que ouviu o número de outras fontes, mas não de Grusch, e que atribuir essa afirmação a ele seria impreciso.
Qual foi o programa soviético de estudo de UAP descrito por Knapp?
Entre 1978 e 1988, a URSS ordenou a todas as unidades militares que reportassem qualquer avistamento ao Ministério da Defesa, centralizando os dados na mesa do Coronel Boris Sokolov. Knapp obteve documentos desse programa durante viagens à Rússia em 1993, posteriormente entregues ao governo americano.
Por que tentaram desacreditar Grusch usando seu histórico de PTSD?
Corbell e Knapp descrevem isso como uma estratégia deliberada de desacreditar a testemunha em vez de refutar seu conteúdo, similar ao que foi feito com Bob Lazar. Rogan observa a ironia de punir um veterano por ter buscado tratamento de saúde mental.
O que é o Memorando Twining e qual sua importância?
É um documento de 1947 escrito pelo General Nathan Twining afirmando que os objetos avistados são reais, não fictícios, não são tecnologia americana e não parecem ser soviéticos. Knapp o cita como parte de uma trilha documental interna que antecede a FOIA.
Qual é o mecanismo de 'doser' mencionado em relação ao que Grusch pode dizer publicamente?
O processo de pré-publicação ('doser') permite que Grusch submeta o que pretende dizer publicamente para que agências identifiquem o que é classificado. Elas não atestam a veracidade do conteúdo — apenas definem os parâmetros do que pode ser dito sem violar classificações.

Entidades citadas

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