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TDB · 24 de agosto de 2026

Cientistas desenvolvem novo método para investigar fósseis em cavernas subaquáticas da Austrália

Pesquisadores da Universidade Griffith criaram um framework analítico para identificar como restos de megafauna extinta e outros animais foram preservados em sistemas de cavernas submersas. O estudo utiliza marcadores químicos e moleculares para reconstruir condições ambientais em ambientes de difícil acesso.

Novo Protocolo para Arqueologia Subaquática

Uma análise recente de ossos encontrados em dois sistemas de cavernas subaquáticas no sul da Austrália forneceu aos pesquisadores uma nova estrutura de investigação sobre como remanescentes animais, incluindo a megafauna extinta, foram depositados nestes ambientes submersos. Embora ossos bem preservados sejam frequentemente localizados em cavernas inundadas, a interpretação de como eles se acumularam e os processos ambientais que os alteraram ao longo do tempo sempre representou um desafio técnico significativo devido à limitação de ferramentas analíticas específicas.

O estudo, liderado por Meg Walker e pelo Professor Julien Louys, do Centro de Pesquisa Australiano para Evolução Humana da Universidade Griffith, identifica marcadores físicos, químicos e moleculares que fornecem pistas sobre as condições ambientais experimentadas por cada espécime. Os resultados, publicados na revista científica PLOS One, estabelecem um precedente para futuras investigações em locais de difícil acesso.

Metodologia e Coleta de Dados

Com o suporte de mergulhadores especializados da Cave Divers Association of Australia, a equipe examinou ossos recuperados de Green Waterhole e Gouldens Sinkhole. Esta última atinge 63 metros de profundidade através de um poço de quase 30 metros de largura. A metodologia envolveu a datação por radiocarbono em 41 espécimes, seguida por avaliações em múltiplas escalas: desde a análise visual da distribuição espacial e desgaste superficial até o uso de fluorescência de raios X portátil, microscopia eletrônica de varredura e análise de proteínas.

Através destas técnicas, foram identificados resíduos químicos, sinais de danos bacterianos e vestígios de DNA antigo. O grupo também comparou os ossos submersos com espécimes recuperados de cavernas secas próximas para distinguir as alterações causadas pelo ambiente aquático daquelas ocorridas em terra firme.

A Influência da Luz e do Ambiente

A pesquisa revelou que a luz desempenhou um papel crucial nas alterações ósseas. Próximo às entradas das cavernas, onde a luz solar penetra, algas e plantas aquáticas deixaram manchas biológicas escuras, enquanto cianobactérias produziram perfurações circulares nas superfícies externas. Em contraste, nas áreas de escuridão total, os ossos mantiveram suas características originais de forma quase intacta. Esta descoberta é vital, pois demonstra que manchas escuras não indicam necessariamente que o osso foi enterrado em sedimentos, mas apenas que foi exposto à luz.

Em cavernas secas, o padrão de degradação foi distinto: sem água ou algas, bactérias terrestres penetraram o osso de dentro para fora, e raízes de plantas criaram sulcos em busca de nutrientes.

Aplicações para a Megafauna do Pleistoceno

Embora os ossos analisados nesta fase pertencessem a espécies introduzidas ou contemporâneas (como ovelhas Merino e gado trazidos por colonos europeus por volta de 1840), o objetivo final é aplicar este framework aos fósseis da megafauna do Pleistoceno. Cavernas como Tank Cave e Englebrechts Cave contêm restos de Diprotodon (marsupial do tamanho de um rinoceronte), Thylacoleo carnifex (o maior predador marsupial conhecido) e cangurus de face curta que atingiam 2 metros de altura.

Alguns desses fósseis permanecem imperturbados há mais de 60.000 anos. A aplicação deste novo modelo de análise poderá ajudar a esclarecer se fatores como atividade humana ou mudanças ambientais foram os principais responsáveis pela extinção desses gigantes. O documento original detalhando estas descobertas científicas pode ser acessado através da fonte oficial da agência TDB/The Debrief.

Glossário

Megafauna
Conjunto de animais de grandes proporções corporais que viveram em um determinado período geológico, como o Pleistoceno.
Sinkhole
Uma depressão ou buraco no solo causado por alguma forma de colapso da camada superficial, comum em terrenos cársticos onde existem cavernas.
Radiocarbono
Método de datação que utiliza o isótopo carbono-14 para determinar a idade de materiais orgânicos de até 50 mil anos.
Pleistoceno
Época geológica que ocorreu entre 2,5 milhões e 11,7 mil anos atrás, marcada por ciclos de glaciações.

Perguntas frequentes

Qual o principal objetivo deste novo método?
Criar um sistema de referência para interpretar como fósseis se formaram e mudaram em cavernas submersas, permitindo diferenciar danos ambientais de processos naturais.
O que a presença de manchas escuras nos ossos indica?
Diferente do que se pensava anteriormente, as manchas indicam exposição à luz solar e crescimento de algas/cianobactérias, não necessariamente enterramento em sedimentos.
Quais animais foram identificados no estudo?
Gado, cangurus, emus, ovelhas Merino, porcos, dingos e possums, datados principalmente da era da colonização europeia (após 1840).

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