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TDB · 01 de setembro de 2026

Cientistas descobrem 'relógio magnético' em cerâmicas antigas para detecção de fraudes

Pesquisadores da UC San Diego desenvolveram um método forense que utiliza a magnetização viscosa remanescente para distinguir artefatos arqueológicos genuínos de falsificações modernas. A técnica baseia-se na estabilidade de partículas magnéticas sob diferentes temperaturas.

Arqueometria e Forense: O Relógio Magnético em Cerâmicas

Uma nova pesquisa publicada no Proceedings of the National Academy of Sciences (PNAS) apresenta um avanço significativo na autenticação de artefatos históricos. Cientistas da Universidade da Califórnia, San Diego, identificaram que cerâmicas antigas possuem um "relógio magnético" interno. Este fenômeno permite diferenciar objetos produzidos há mais de um milênio de falsificações contemporâneas sofisticadas que inundam o mercado ilícito de antiguidades.

O fundamento técnico reside na Magnetização Viscosa Remanescente (VRM). Enquanto a cerâmica é disparada em um forno, ela adquire uma assinatura baseada no campo magnético da Terra naquele momento (magnetização térmica remanescente). Contudo, com o passar dos séculos, partículas magnéticas menores e menos estáveis alinham-se gradualmente ao campo magnético terrestre atual. Esse sinal secundário acumula-se com o tempo, criando um registro duradouro da idade do objeto.

Durante os experimentos liderados pelo Dr. Yoav Vaknin, observou-se que objetos com mais de 1.000 anos retêm essa assinatura magnética mesmo quando aquecidos até 234°F (112°C). Em contrapartida, todos os 26 objetos modernos testados perderam o sinal de VRM ao atingirem essa temperatura. Essa distinção térmica oferece uma ferramenta robusta para curadores de museus e autoridades policiais que combatem o tráfico de bens culturais.

"Espero que nosso novo método seja útil para curadores de museus que desejam exibir apenas artefatos autênticos... e para autoridades policiais em seu esforço para eliminar o comércio ilícito de antiguidades", afirmou o Dr. Vaknin.

A técnica foi validada em artefatos disputados apreendidos pela Autoridade de Antiguidades de Israel, confirmando a antiguidade das peças envolvidas em investigações de tráfico. Embora o método não forneça uma data de fabricação exata e possua limitações para itens com menos de mil anos, ele serve como uma linha de evidência física mensurável e difícil de ser replicada por falsificadores.

Para entusiastas e pesquisadores, a aplicação de geofísica na arqueologia representa um salto na precisão forense. O estudo completo, intitulado “Viscous Remanent Magnetization (VRM) Authentication Method for Archaeological Artifacts”, detalha as simulações de computador que apoiaram os resultados empíricos. O documento original em inglês pode ser consultado através da fonte oficial do The Debrief.

Glossário

VRM
Magnetização Viscosa Remanescente (Viscous Remanent Magnetization); magnetização adquirida gradualmente por materiais expostos a um campo magnético ao longo do tempo.
Magnetização Térmica Remanescente
Assinatura magnética adquirida por um material quando resfria abaixo de certas temperaturas críticas em um campo magnético.
Arqueometria
Aplicação de métodos científicos, como geofísica e química, em investigações arqueológicas.
PNAS
Proceedings of the National Academy of Sciences; uma das revistas científicas mais citadas do mundo.

Perguntas frequentes

Como o método diferencia objetos antigos de modernos?
Através da temperatura de resistência da magnetização viscosa; objetos antigos mantêm o sinal acima de 112°C, enquanto os modernos o perdem abaixo disso.
O método pode datar precisamente um objeto?
Não, o estudo indica que a técnica confirma a antiguidade (se é genuíno), mas não revela a data exata de fabricação.
Quais são as limitações da técnica?
É menos eficaz para artefatos com menos de 1.000 anos ou falsificações muito sofisticadas que envelheceram por décadas ou séculos.

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