FBI · 06 de agosto de 2026
Arquivos do FBI sobre UAP/Discos Voadores — Parte 13: Correspondências, Relatos de Avistamentos e Investigações (1950–1966)
A Parte 13 dos arquivos desclassificados do FBI sobre objetos voadores não identificados reúne memorandos internos, cartas de civis ao Diretor J. Edgar Hoover e relatórios de campo cobrindo o período de 1950 a 1966. Os documentos revelam a política formal do Bureau de não investigar avistamentos de OVNIs, encaminhando todos os casos à Força Aérea, além de registros de vigilância sobre clubes de discos voadores e pesquisadores civis.
Visão Geral do Conjunto Documental
Este conjunto de documentos — catalogado como arquivo 62-83894 — abrange comunicações internas do FBI, cartas recebidas de civis, memorandos institucionais e relatórios de agentes de campo relacionados a avistamentos de Objetos Voadores Não Identificados (OVNIs), também denominados à época como "discos voadores" ou "prato voadores". O período coberto vai de aproximadamente 1950 a 1966, com documentos originados em diversas localidades dos EUA e de correspondentes internacionais.
Política Oficial do FBI em Relação a OVNIs
Um dos elementos centrais deste arquivo é a reiteração sistemática da política do FBI de não investigar relatos de objetos voadores não identificados. Memorandos internos datados de 30 de setembro de 1960, 2 de outubro de 1961, 2 de outubro de 1962 e 4 de outubro de 1963, todos assinados por W. R. Wannall e endereçados a W. C. Sullivan, repetem a mesma conclusão:
"At this time there appears to be no necessity for additional instructions for the field or insertion in the FBI Handbook or Manuals relative to flying saucers." [§ p.136]
A política descrita nesses memorandos remonta ao Boletim do Bureau número 57 (10/01/1947), à Carta SAC número 38 (25/03/1949) e à Carta SAC número 83 (29/08/1952). Em todos os casos, o procedimento estabelecido era: ao receber um relato de avistamento, o agente de campo deveria encaminhar imediatamente os fatos à Força Aérea dos Estados Unidos, sem conduzir investigação independente.
Em 12 de novembro de 1957, a Força Aérea assegurou ao Bureau que seria notificada de qualquer desenvolvimento nessa área de interesse. O memorando de outubro de 1963 concluiu que, nos 12 meses anteriores, nenhuma reclamação havia sido recebida sobre discos voadores, e que nos 24 meses anteriores apenas uma havia sido registrada — com os fatos imediatamente encaminhados à Força Aérea. [§ p.125]
Avistamento de Socorro, Novo México (24 de abril de 1964)
Um dos casos mais documentados neste arquivo é o avistamento de Socorro, Novo México, em 24 de abril de 1964. O escritório do FBI em Albuquerque enviou múltiplos comunicados ao Diretor sobre o incidente.
Segundo teletipos datados de 25 e 27 de abril de 1964, uma testemunha — descrita como sóbria, confiável, madura e não propensa a fantasias — relatou ter visto, por volta das 17h50 (horário local), uma chama no céu a sudoeste de Socorro. Ao investigar, acreditando que um galpão de dinamite havia explodido, a testemunha avistou, a aproximadamente 240 metros de distância, um objeto esbranquiçado que inicialmente pareceu um automóvel capotado. Havia duas pessoas com macacões brancos próximas ao objeto. [§ p.116]
A testemunha se aproximou por uma estrada acidentada até cerca de 30 metros do objeto. Não havia mais pessoas visíveis. Ouviu dois ou três golpes sonoros, seguidos de um rugido e chamas azuladas e alaranjadas. O objeto se elevou verticalmente até a altura de um carro, cessou o ruído e as chamas, e então disparou em alta velocidade em linha quase horizontal, desaparecendo sobre uma montanha distante. [§ p.116]
O objeto foi descrito como oval, semelhante a um futebol americano, possivelmente com cerca de seis metros de comprimento, com uma insígnia vermelha de aproximadamente 75 cm de altura e 60 cm de largura centralizada no objeto. Não havia outras testemunhas conhecidas do ruído, das chamas ou do objeto. [§ p.117]
O Comandante do Stallion Range Center, Socorro, foi informado imediatamente. Agentes da OSI da Base Aérea de Kirtland, Albuquerque, examinaram o local e entrevistaram a testemunha. O Capitão R. T. Holder, Comandante do Stallion Range Center, juntamente com o agente SA Byrnes, verificou o local e realizou entrevistas. Foram encontradas quatro marcas de queimaduras irregulares no solo e quatro depressões regulares de aproximadamente 40 por 15 cm, com cerca de 8 a 10 cm de profundidade, em padrão retangular com espaçamento médio de aproximadamente 3,6 metros. [§ p.119]
Uma observação incomum feita no local de Socorro foi que não havia efeitos de explosão (blast effects). Entre as manchas queimadas havia áreas não queimadas, incluindo tufos de capim marrom não queimado. [§ p.110]
A OSI de Albuquerque declarou que o incidente não era conhecido por estar relacionado a exercícios militares. Oficiais militares contatados afirmaram que os dois incidentes relatados não faziam parte de nenhum exercício militar de seu conhecimento e que até então não havia explicação. O FBI de Albuquerque conduzia nenhuma investigação, mantendo apenas ligação com o Exército. [§ p.120]
Em 28 de abril de 1964, o Diretor do FBI enviou um comunicado ao escritório de Albuquerque instruindo que os fatos fossem fornecidos à Força Aérea local e que fosse submetido um memorando com papel timbrado. [§ p.115]
Um segundo incidente foi relatado em La Madera, Novo México, na madrugada de 26 de abril de 1964. Uma testemunha de 35 anos, descrita como sóbria e assustada, relatou ter saído para atender cavalos barulhentos por volta de 1h15 e ter notado, a aproximadamente 90 metros da casa, algo com formato semelhante a um tanque de butano, possivelmente de 3,6 a 4,2 metros de altura e tão longo quanto um poste de telefone, aparentemente no chão e rodeado de chama branco-azulada que parecia sair de orifícios. Assistiu à cena por cerca de um minuto, quando a chama se apagou. O objeto não se moveu e permaneceu silencioso. Na manhã seguinte, visitou o local e viu uma área carbonizada. [§ p.118]
Avistamento na Rota 1, Henderson, Carolina do Norte (6 de abril de 1956)
Um memorando interno datado de 13 de abril de 1956 — endereçado de A. H. Belmont para L. V. Boardman — descreve entrevistas com uma testemunha sobre um avistamento ocorrido ao amanhecer do dia 6 de abril de 1956. A testemunha estava dirigindo na Rota 1 próxima a Henderson, Carolina do Norte, acompanhada de seu noivo. [§ p.1]
A testemunha foi entrevistada em 9 de abril de 1956. Seu noivo foi entrevistado adicionalmente em 12 de abril de 1956 pelo Supervisor. A testemunha havia revisado um memorando datado de 10 de abril de 1956 antes de ser questionada sobre outros detalhes que pudessem ser de utilidade para a Força Aérea.
Ela relatou ter visto o objeto por apenas alguns segundos, sendo ainda escuro no momento da observação, embora estivesse próximo ao amanhecer. Declarou que, quando o dia clareou, observou o céu nublado e que começou a chover aproximadamente 30 minutos depois. O objeto havia se aproximado do carro pelo lado do motorista, vindo diretamente à frente, a uma altura que ela estimou em menos de 7,5 metros. Ela não conseguiu estimar a velocidade do objeto. Descreveu-o como oval, muito brilhante, com coloração azul-clara, não emitindo qualquer som audível. [§ p.1]
Clube de Discos Voadores de Detroit (1954–1955)
O arquivo contém extensa documentação sobre o Detroit Flying Saucer Club (DFSC), classificado sob a rubrica de "Espionagem — X". O escritório do FBI em Detroit (número 65-2677) produziu múltiplos comunicados ao Diretor entre dezembro de 1954 e janeiro de 1955.
Um memorando de 30 de novembro de 1954 descreve cronologicamente as atividades do clube. Em 18 de maio de 1954, uma informante relatou que havia frequentado reuniões sobre discos voadores que ela achava potencialmente subversivas. Em 27 de maio de 1954, foi informado que George Adamski havia falado em Detroit sobre discos voadores, tendo causado preocupação por declarações como "somos americanos, mas... deveríamos reduzir nosso armamento e nos explodiríamos com a Bomba H, porque visitantes do espaço exterior tinham medo de que tínhamos começado algo que sairia do controle". [§ p.26]
A primeira reunião oficial do DFSC ocorreu em 19 de agosto de 1954. O clube tinha sede na 5432 Cass Avenue, Detroit 2, Michigan. Seus propósitos declarados incluíam: trocar ideias e se conscientizar sobre o tema dos discos voadores; convidar palestrantes nacionais sobre prato voadores para Detroit; difundir informação; e engajar em aspectos de interesse de cada membro, como astronomia, engenharia, espiritual e curiosidade. [§ p.27]
Uma reunião de líderes de grupo discutiu como lidar com questões surgidas nas reuniões do grupo. Os tópicos incluíam: (1) religioso; (2) representação do grupo no Conselho de Diretores do clube. Os líderes de grupo deveriam controlar discussões sem ofender crenças religiosas. [§ p.29]
Em reunião subsequente, foi mencionado que um "disco" havia pousado às 4h30 da manhã de 30 de setembro de 1954 na Rotunda Drive e Southfield (Detroit) com "homens esverdeados estranhos em uniformes marrons", e "forças psíquicas invisíveis" — sem mais explicações. [§ p.29]
Em teletype de 5 de janeiro de 1955, o escritório de Detroit informou que um membro havia declarado duas vezes estar "trabalhando em conjunto com o FBI e que havia sido instruído a relatar a Washington, D.C., para uma conferência". O membro foi advertido a não fazer declarações deixando a impressão de que tinha qualquer ligação com o FBI. O clube também pretendia apresentar suas informações "ao Pentágono" e esperava ver "alguém em inteligência da Força Aérea". [§ p.14]
Em 18 de janeiro de 1955, o Diretor instruiu por teletype que a investigação de avistamentos de discos voadores estava dentro da jurisdição da Força Aérea, e não do Bureau. O Bureau não desejava que o escritório local obtivesse informações do clube sobre discos voadores. As informações deveriam ser incluídas em um relatório preparado pelo escritório local, e uma cópia deveria ser fornecida à OSI localmente. [§ p.13]
O escritório de Detroit também reportou que um palestrante havia feito declarações de que:
- Um membro da organização havia realmente voado em um disco do da Base Sandia, Novo México, para a cidade de Nova York, sendo a viagem de ida e volta em apenas 30 minutos;
- Clubes de discos voadores haviam recebido mensagens do espaço exterior;
- O propósito dos contatos com a Terra estava limitado, naquele momento, a preparar as pessoas para receber pousos do espaço exterior;
- Os discos eram amigáveis aos EUA;
- "Todos os planetas, exceto a Terra, conquistaram o espaço exterior" e que "pessoas do espaço exterior consideram as da Terra a forma mais baixa de existência universal".
O palestrante foi avaliado pelos agentes como sendo apenas um leigo (ex-USAF, 2ª Guerra Mundial) que havia sido levado além do âmbito dos fatos científicos ao de uma possível ficção científica. [§ p.15]
Pesquisa Civil sobre Objetos Interplanetários — Leonard Stringfield
O arquivo inclui documentação substancial sobre Leonard H. Stringfield, Diretor da Civilian Research, Interplanetary Flying Objects (CRIFO), organização sediada em 7017 Britton Avenue, Cincinnati 27, Ohio.
O escritório de Cincinnati (arquivo 100-11671) produziu memorandos em novembro de 1954, descrevendo as atividades de Stringfield. Uma fonte de confiabilidade desconhecida informou que Stringfield havia criado a organização devido ao seu intenso interesse em discos voadores. Ele escrevia e publicava mensalmente um boletim multi-litografado ("Newsletter") com uma circulação mundial de aproximadamente 4.000 cópias, ao preço de assinatura de US$ 2,00 por ano. [§ p.38]
A edição de 1º de outubro de 1954 do boletim CRIFO reportou que Stringfield havia tido uma conversa privada com o Tenente-Coronel John O'Mara, Subcomandante de Inteligência, USAF, em 21 de setembro de 1954. Segundo Stringfield:
"Flying saucers 'do exist' the Colonel told me, and he added, in effect, past contradictions were unfortunate." [§ p.50]
O Coronel O'Mara teria dito que havia "três categorias" de discos: (1) o disco controlado do espaço exterior; (2) um dispositivo americano secreto semelhante a um disco; e (3) fenômenos naturais inexplicáveis. Quando Stringfield perguntou se todos os discos vistos por americanos eram dispositivos americanos (700 por semana), o Coronel respondeu: "Definitivamente não! Algo existe".
Segundo a mesma fonte, Stringfield afirmava que a Força Aérea dos EUA mantinha uma censura rigorosa sobre notícias relativas a discos voadores, que tinha vários milhares de cientistas trabalhando em um projeto de pesquisa sobre discos, e que qualquer pessoal militar trabalhando no projeto estava sujeito a conselho de guerra imediato se revelasse qualquer fato sobre o assunto. [§ p.39]
Stringfield também declarava acreditar que seu telefone residencial estava sendo monitorado, presumivelmente pela Força Aérea, e que por isso fazia suas ligações para o Tenente-Coronel O'Mara e para Frank Edwards (ex-comentarista de rádio da AFL) a partir de seu escritório na DuBois Company, 1120 West Front Street, Cincinnati. Stringfield mantinha que a Força Aérea dos EUA era responsável pela demissão de Edwards como comentarista de rádio por causa do interesse de Edwards em discos voadores. [§ p.39]
Um informante considerou a possibilidade de que o verdadeiro propósito da organização CRIFO poderia ser coletar fragmentos de informação sobre um projeto de desenvolvimento secreto muito sigiloso da Força Aérea dos EUA. [§ p.40]
Correspondência do FBI com o Exterior: Caso de Inteligência Naval (1954)
Um memorando do Escritório de Washington do FBI, datado de 2 de agosto de 1954, descreve entrevista com funcionário do Bureau de Aeronáutica da Marinha dos EUA. O Escritório de Inteligência Naval havia encaminhado um dossiê ao Bureau de Aeronáutica sobre mensagens recebidas por uma pessoa que recebia transmissões por controle de pensamento do "espaço exterior". [§ p.63]
Segundo o relato, esta pessoa recebia mensagens que transcrevia sem esforço, podendo escrever continuamente por quatro ou cinco horas sem se cansar. O Escritório de Inteligência Naval tinha em seu poder as transmissões das mensagens recebidas. As transmissões relacionavam-se a discos voadores, localização e razão de sua presença, vida em outros planetas, vida no além e profecias bíblicas. [§ p.60]
A pessoa teria descrito duas naves espaciais das quais recebia mensagens: designadas M-4 e L-11, medindo 240 km de largura, 320 km de comprimento e 160 km de profundidade, cada uma contendo naves menores de aproximadamente 45 a 60 metros de comprimento. Havia aproximadamente 5.000 dessas naves menores. "Affa" era descrito como Gerente ou Comandante da nave M-4, proveniente do planeta Urano, e "Ponnar" como Gerente ou Comandante da nave L-11, proveniente do planeta Hatann. [§ p.60]
O propósito dos contatos com a Terra seria proteger a Terra da destruição causada pela explosão da bomba atômica, bomba de hidrogênio e guerras de vários tipos, que perturbavam o campo magnético de força que envolve a Terra. [§ p.65]
O FBI encaminhou a informação à OSI da USAF e não tomou nenhuma ação adicional no assunto. [§ p.61]
Correspondência de Hoover sobre o Livro de Harold T. Wilkins
Em 9 de novembro de 1964, um cidadão de Orange, Texas, escreveu ao Diretor Hoover descrevendo fatos do livro de Harold T. Wilkins Flying Saucers On The Attack (Citadel Press, Nova York, 1954), especificamente um apêndice que narrava a história de dois homens que teriam chegado de outro planeta em meados de dezembro de 1952, pousado no Deserto Mojave e se empregado em Los Angeles. Segundo o livro, o FBI teria enviado agentes para investigá-los, mas eles teriam desaparecido. O correspondente perguntava se a história era verdadeira. [§ p.93]
Hoover respondeu em 16 de novembro de 1964:
"While I would like to be of assistance in connection with your inquiry, I must advise that information contained in the files of the FBI is confidential and available only for official use... Please do not infer either that we do or do not have information of the type you mentioned." [§ p.92]
Artigo sobre Censura de OVNIs: Manuscrito de Funcionário do Exército
Em 23 de maio de 1964, o Departamento de Defesa entregou ao FBI um manuscrito de um funcionário civil do Exército, empregado em Newport News, Virgínia, intitulado "Let's Challenge the UFO Censors". A atenção do FBI foi direcionada para a página 6, onde o autor alegava que revelaria o papel do FBI no monitoramento das atividades de pesquisa de OVNIs de funcionários civis do Exército. [§ p.97]
O autor declarava ter sido entrevistado em 17 de setembro de 1963 por um Agente Especial do escritório de Norfolk do FBI, que o havia contatado em resposta a uma carta sua ao Xerife do Condado de Sussex, Virgínia, solicitando dados de avistamentos de OVNIs. O agente indagou sobre a carta ao Xerife e também sobre uma carta similar enviada em 8 de agosto de 1963 ao Comandante da Base Naval de Norfolk. O agente explicou que, como seu escritório havia sido consultado pelos destinatários das duas cartas, estava simplesmente buscando informações para escrever "um memorando para os arquivos". [§ p.98]
Um memorando interno do FBI concluiu que a referência ao Bureau na página 6 do manuscrito "não é completamente verdadeira" e que "deixa a impressão errada" de que o FBI estava investigando o autor, quando na realidade apenas o entrevistou para responder a consultas de outras agências. O FBI recomendou que o manuscrito fosse devolvido ao Departamento de Defesa informando que o Bureau não concordava com a caracterização do autor de sua entrevista pelo FBI nem com sua representação equivocada do papel do Bureau na investigação de OVNIs. [§ p.98]
Cartas de Cidadãos a J. Edgar Hoover
Adolescente de Springfield, Massachusetts (12 de fevereiro de 1956)
Um estudante de 15 anos da Technical High School de Springfield escreveu a Hoover descrevendo um livro de Harold T. Wilkins (Flying Saucers Uncensored) que narrava a história de dois homens que supostamente vieram de Vênus e visitaram um jornalista de Los Angeles em março de 1953. Perguntava se o FBI havia sido notificado e se havia tentado investigar. [§ p.3]
Hoover respondeu em 21 de fevereiro de 1956:
"I wish to advise that no matter such as you described was ever reported to the FBI." [§ p.2]
Carta do Hotel Gralynn, Miami, Flórida (c. 1955)
Uma correspondente do Hotel Gralynn em Miami escreveu ao Sr. (sic) Hoover com um pedido urgente, afirmando que suas cartas anteriores ao Presidente haviam sido ignoradas. Descrevia discos voadores como "reais" e afirmava que sua construção era "incrível", constituindo uma ameaça. Sugeria que o FBI designasse observadores com olhos de formato específico, nariz em formato de "ponte", paciência e nervos calmos. [§ p.4]
Outros trechos da mesma correspondência sugeriam que o FBI deveria recrutar "Space Girls 50 visible" para a Fortaleza de Inverno, obter telescópios portáteis, e perguntava se o FBI poderia encontrar os discos voadores que ela queria. [§ p.7]
Carta sobre Fotografia da Revista "Real" (julho de 1966)
Dois correspondentes — um de Cleburne, Texas, e outro de Pomona, Califórnia — escreveram separadamente ao FBI em julho de 1966 referindo-se a uma fotografia publicada na revista Real que mostrava dois agentes do FBI conduzindo um homem revestido de prata, com cerca de 45 a 60 cm de altura, por uma rua americana. [§ p.76]
Hoover respondeu a ambos:
"I can assure you the photograph you mentioned does not represent employees of this Bureau and the FBI has never had custody of an occupant from a foreign planet." [§ p.76]
Correspondência Internacional: Irlanda e Reino Unido (1954)
Em 27 de outubro de 1954, um correspondente de Glengariff, County Cork, Irlanda, escreveu a Hoover encaminhando dois recortes de jornais sobre discos voadores. Hoover respondeu em 26 de novembro de 1954, informando que encaminharia cópias ao Diretor de Investigações Especiais, O Inspetor Geral, Departamento da Força Aérea, O Pentágono, Washington. [§ p.32]
Em dezembro de 1954, o escritório do FBI em Phoenix, Arizona, recebeu de um residente local um formulário-carta que havia sido enviado a ele de 16 Hill, Londres N.16, Inglaterra, com carimbo postal "Stoke, Newington, 10-26-54". O formulário, assinado por alguém que se identificava como "Aerial Phenomena Investigator", solicitava informações sobre avistamentos de discos voadores para atualizar relatórios e sistema de arquivamento. [§ p.21]
O formulário solicitava os seguintes dados: forma, composição, velocidade, altitude, direção, padrão de manobra, cor, som, duração da observação, condições do céu, visibilidade, direção do vento, nome/idade/endereço e observações gerais. [§ p.24]
Incidente de Alaska: Carta Encontrada em Livro (1955)
Em data aproximada de abril de 1955, o Departamento da Força Aérea — Quartéis-Generais da USAF, Washington 25, D.C. — enviou ao Diretor do FBI cópias de uma carta recentemente encaminhada a esse escritório pelo Diretor de Investigações Especiais do Alaskan Air Command. A carta havia sido fornecida pelo Major William H. Greenhalgh Jr., Comandante do 5004th Air Intelligence Service Squadron, Elmendorf AFB, Seattle, Washington. O Major Greenhalgh informou que a carta foi entregue ao Flight A de sua organização pelo Dr. Kennidy, DDS, Nome, Alaska, que a havia encontrado em um livro que havia emprestado ao Sr. Small havia mais de um ano. O Sr. Small era tipógrafo do Nome Nugget, jornal publicado três vezes por semana. [§ p.10]
A carta em questão era da OC Research Laboratory, St. Clair Shores, Michigan, assinada por Charles A. Yost, Coordenador, datada de novembro de 1954. Yost escrevia reconhecendo o interesse da destinatária e afirmava que sua pesquisa tinha conexão com "discos voadores", embora fosse uma questão secundária para seu foco principal em elétrica. [§ p.12]
Memorandos sobre Cobertura Jornalística e Revistas (1954)
Em agosto de 1954, Hoover respondeu a um correspondente de Zanesville, Ohio, que havia enviado um artigo de revista:
"I would like to advise you that the article you mentioned is entirely incorrect with reference to the FBI, and there is no information on the matter which I can give you." [§ p.56]
Uma nota interna indicava que o artigo havia sido previamente trazido à atenção do Bureau, e o campo havia informado ao editor da revista que a história era falsa no que dizia respeito ao papel do Bureau. O editor declarou que lamentava o erro e publicaria uma retratação na próxima edição. [§ p.56]
Recortes de Jornais Incluídos no Arquivo
O arquivo inclui recortes de jornais encaminhados por correspondentes:
Rome Daily American, 17 de outubro de 1954: "Villagers See 'Saucer' Landing" — moradores de Po, Itália, relataram uma cratera de 6 metros e um bosque de álamos carbonizados após avistamento de um objeto prateado em forma de disco que pousou suavemente no pântano do rio Pó e depois subiu perpendicularmente a alta velocidade. O Ministério da Defesa italiano afirmou que nenhum objeto havia sido registrado na rede de radar. [§ p.35]
Rome Daily American, 28 de setembro de 1954: "Windshield 'Cancer' Epidemic Moving To Northern Italy" — misterioso fenômeno de explosões de para-brisas estava se movendo em "caminho de furacão" pela Itália, atingindo desde o Piemonte norte até Roma e Gênova, sem explicação conhecida. [§ p.36]
Cincinnati Times Star, 28 de setembro de 1954: "'Saucers' No Myth, Says Researcher" — artigo sobre a entrevista de Stringfield com o Tenente-Coronel O'Mara. [§ p.48]
Cincinnati Post, 11 de outubro de 1954: "See 'Em?—Saucers Cover City" — vários discos foram relatados sobre Cincinnati; no caso alemão, criaturas de 90 cm de altura saíram de um disco caído. [§ p.46]
Newsletter CRIFO — Outubro de 1954
O arquivo inclui cópia da newsletter da CRIFO de 1º de outubro de 1954 (Vol. I, No. 7). A publicação reportava a entrevista de Stringfield com o Coronel O'Mara em 21 de setembro de 1954, descrevendo as "três categorias" de discos. Também discutia o enigma dos satélites terrestres — se seriam de Moscou, meteóricos ou de Marte — e um incidente em Logan, Utah, onde uma explosão violenta criou uma cratera que gerou mais de 500 chamadas telefônicas à polícia. Investigações concluíram que a cratera não foi produzida por queda de meteorito convencional. [§ p.52]
A newsletter mencionava o caso de um jato F-94-C Starfire que explodiu ao perseguir um OVNI próximo a Utica, Nova York, em 2 de julho de 1954. O jato havia sido enviado "em missão de interceptação de defesa aérea ativa". A newsletter relatava que uma fonte havia ouvido uma transmissão que descrevia: "O jato havia contatado com sucesso o OVNI, mas ainda não conseguia identificá-lo". [§ p.53]
Correspondência de Leonard Stringfield sobre Chamada Telefônica Anônima (1961)
Em 25 de setembro de 1961, Stringfield recebeu uma chamada telefônica anônima de um homem com voz firme e clara que falava bom inglês. O chamador disse em efeito: "Estamos ligando para todas as pessoas-chave e responsáveis nesse assunto". O chamador alertou Stringfield a esperar "a maior onda de avistamentos de objetos voadores não identificados como resultado de explosões nucleares russas na faixa de cem megatons". O chamador indicou as datas de 15 a 19 de outubro como o período de maior atividade de OVNIs nos anos. [§ p.141]
Em 2 de outubro de 1961, Stringfield telefonou ao escritório do FBI em Cincinnati apontando um artigo no Cincinnati Enquirer de 1º de outubro de 1961, que continha um parágrafo sobre oficiais do Departamento de Defesa temendo que a Rússia culminaria sua campanha de intimidação com uma explosão espetacular no espaço, visível a centenas de milhões de pessoas. Stringfield considerou que isso se relacionava bem com o que o chamador anônimo havia lhe dito. [§ p.142]
Glossário
- OVNI / UFO
- Objeto Voador Não Identificado (Unidentified Flying Object) — denominação para fenômenos aéreos não identificados
- OSI
- Office of Special Investigations — Escritório de Investigações Especiais da Força Aérea dos EUA
- SAC
- Special Agent in Charge — Agente Especial Responsável pelo escritório regional do FBI
- CRIFO
- Civilian Research, Interplanetary Flying Objects — organização civil de pesquisa de OVNIs fundada por Leonard Stringfield em Cincinnati, Ohio
- DFSC
- Detroit Flying Saucer Club — Clube de Discos Voadores de Detroit, investigado pelo FBI sob a classificação Espionagem-X
- USAF
- United States Air Force — Força Aérea dos Estados Unidos, agência com jurisdição primária sobre investigações de OVNIs
- AFB
- Air Force Base — Base da Força Aérea
- G-2
- Seção de Inteligência Militar do Exército dos EUA
- Bufiles
- Bureau Files — arquivos internos do FBI utilizados para verificar antecedentes de correspondentes
- Project Blue Book
- Projeto Livro Azul — programa oficial da USAF para investigação de avistamentos de OVNIs
Perguntas frequentes
- Qual era a política oficial do FBI em relação a relatos de OVNIs?
- A política do FBI era não investigar relatos de objetos voadores não identificados, encaminhando imediatamente todos os fatos à Força Aérea dos EUA. Essa política foi reiterada em memorandos de 1947, 1949, 1952, 1957, 1960, 1961, 1962 e 1963.
- O FBI investigou o avistamento de Socorro, Novo México, em 1964?
- O FBI não conduziu investigação própria. O escritório de Albuquerque manteve apenas ligação com o pessoal militar. O local foi examinado por agentes da OSI da Base Aérea de Kirtland e por um capitão da Força Aérea, que encontraram quatro manchas de queimadura irregulares e quatro depressões regulares no solo, mas não conseguiram explicar as observações da testemunha.
- O FBI tinha custódia de ocupantes de 'planetas estrangeiros'?
- Segundo resposta de Hoover em julho de 1966: 'I can assure you the photograph you mentioned does not represent employees of this Bureau and the FBI has never had custody of an occupant from a foreign planet.'
- O que Leonard Stringfield afirmava sobre a censura da Força Aérea aos dados sobre OVNIs?
- Stringfield afirmava que a USAF mantinha censura rigorosa sobre notícias de discos voadores, possuía vários milhares de cientistas em projeto de pesquisa e que qualquer militar que revelasse informações estava sujeito a conselho de guerra imediato.
- O Clube de Discos Voadores de Detroit foi investigado pelo FBI?
- O escritório do FBI em Detroit recebeu informações voluntárias de fontes sobre as atividades do clube e produziu um relatório cronológico. O Bureau não conduziu investigação formal, mas emitiu instruções para que membros do clube fossem advertidos a não dar a impressão de conexão com o FBI.
- O Tenente-Coronel O'Mara da USAF confirmou a existência de discos voadores?
- Segundo Stringfield, em conversa de 21 de setembro de 1954, O'Mara disse: 'Flying saucers do exist' e que contradições passadas 'foram infelizes'. O coronel também disse 'Definitivamente não! Algo existe' quando perguntado se todos os discos avistados seriam dispositivos americanos. O documento reflete o relato de Stringfield, não uma declaração oficial da USAF.
Entidades citadas
- J. Edgar Hoover· person
- Leonard H. Stringfield· person
- Socorro, New Mexico· location
- Detroit Flying Saucer Club· agency
- Lt. Col. John O'Mara· person
- W. R. Wannall· person
- Frank Edwards· person
- Kirtland Air Force Base· location
- Henderson, North Carolina· location
- CRIFO· agency
- Elmendorf AFB· location
- Harold T. Wilkins· person
- April 24, 1964· date
Documentos relacionados
Precisamos levar isso mais a sério, diz especialista em UAP
FOX
A Necessidade de Maior Transparência nos Arquivos UAP, Diz Deputada Anna Paulina Luna
FOX
Investigação dos Locais de Queda de OVNIs e Mistérios Alienígenas
HISTORY
Novos Detalhes sobre Avistamentos UAP Revelados
FOX
Investigação Global de Fenômenos Aéreos Não Identificados por Nick Pope
HISTORY