FBI · 06 de agosto de 2026
Arquivos do FBI sobre Discos Voadores: Investigações de 1947 — Seção 1
Documentos do FBI datados de julho e agosto de 1947 registram dezenas de relatos de avistamentos de objetos voadores não identificados em vários estados dos EUA. O material inclui memorandos internos, telegramas, recortes de jornais e correspondências entre o FBI, o Exército e civis. A coleção revela coordenação institucional precoce sobre o fenômeno conhecido na época como 'discos voadores'.
Contexto e Estrutura do Documento
Este conjunto de documentos compõe a Seção 1 do arquivo UFO do FBI, obtido via FOIA (Lei de Liberdade de Informação). O material abrange o período de junho a setembro de 1947, período imediatamente posterior ao avistamento de Kenneth Arnold em 24 de junho de 1947 sobre as Cascades, Washington — o episódio que popularizou o termo 'disco voador' na mídia americana.
Os documentos incluem: recortes de jornais, memorandos internos do FBI (Office Memoranda), telegramas em teletipo, cartas de civis ao Diretor J. Edgar Hoover, e comunicações entre o FBI e o Exército (Army Air Forces Intelligence / G-2).
Avistamento de Dick Rankin — Bakersfield, Califórnia (23 de junho de 1947)
Um dos primeiros documentos é um recorte do jornal The Oregonian, datado de 3 de julho de 1947, intitulado "Pilot Recalls Seeing Discs" ("Piloto Recorda Ter Visto Discos") [§ p.2].
Dick Rankin, irmão do falecido aviador Tex Rankin e piloto experiente com mais de 7.000 horas de voo, relatou ter visto os objetos sobre Bakersfield, Califórnia, em 23 de junho de 1947, enquanto tomava sol no jardim. Segundo o relato publicado:
"Hesitei em falar sobre eles até notar toda a agitação nos jornais. Fiquei intrigado com sua forma estranha por um tempo e finalmente concluí que eram os novos XF5U-1 'flying flapjacks' da Marinha, que são finos e redondos, com duas hélices e cauda atarracada."
Rankin descreveu os objetos como voando em altitude de aproximadamente 2.700 metros (9.000 pés), em formação, a cerca de 480 a 640 km/h (300 a 400 milhas por hora). Ele inicialmente contou dez objetos indo para o norte; ao retornarem por volta das 14h15, havia apenas sete na formação [§ p.2].
O artigo também registra que a Marinha e o fabricante haviam anunciado oficialmente que apenas uma aeronave XF5U-1 foi construída e jamais saiu de Connecticut.
A seção final do depoimento de Rankin, preservada em cópia datilografada [§ p.3], conclui:
"Estou plenamente convicto de que este é um amplo pronunciamento em vista do fato de que tem havido tanta publicidade nos jornais do país. Estou em perfeito juízo em todos os sentidos e estou firmemente convencido de que os artigos que vi são algum tipo de máquina voadora, embora não possa dizer de onde vieram ou para onde iam. Digo o que disse sem nenhuma ideia de publicidade ou ganho pessoal."
Declaração de Piloto Civil — Bakersfield, 30 de julho de 1947
Um memorando do FBI datado de 30 de julho de 1947 [§ p.4], originado em Portland, Oregon, registra a declaração de um piloto civil (nome suprimido) com aproximadamente 7.000 horas de experiência de voo, que atuou como piloto para o Serviço Florestal dos EUA.
O declarante relata ter visto dez objetos em 14 de junho de 1947, por volta do meio-dia, voando do sul para o norte em altitude estimada de 2.590 metros (8.500 pés), sobre Bakersfield, Califórnia. Inicialmente ele pensou tratarem-se de aviões militares em missão de treinamento. Os objetos se assemelhavam às fotografias do XF5U-1 da Marinha (o chamado 'flying flapjack'). Quando os objetos retornaram ao sul às 13h15, havia apenas sete — possivelmente porque três teriam desviado em outra direção [§ p.4].
Comunicação do Quartel-General da Quarta Força Aérea ao FBI — Agosto de 1947
O documento de agosto de 1947 [§ p.5] é uma carta do Major William R. Graham, Subchefe de Estado-Maior A-2 (Inteligência) do Quartel-General da Quarta Força Aérea, Hamilton Field, Califórnia, endereçada ao Agente Especial Responsável do FBI em San Francisco.
A carta encaminha uma cópia de MOIC (Military Order of Intelligence Coordination) e um recorte de jornal sobre o assunto.
Avistamentos em Portland — 4 e 5 de julho de 1947
Relatos Civis — Oregon Journal, 5 de julho de 1947
O recorte do Oregon Journal [§ p.6] traz múltiplos relatos de avistamentos sobre Portland:
- E.T. Evans, 3435 SW Macadam Avenue: viu três objetos voando em direção ao leste sobre a ponte Ross Island, por volta das 14h. Descreveu-os como "discos metálicos brilhando ao sol".
- Sra. Lawrence J. Hayward, 3124 NE 21st Avenue: avistou um disco "como uma nova moeda girando no ar" sobre o bairro Sandy District, parecendo mover-se lentamente.
- Thomas J. Dwyer, 1232 NE 59th Avenue: viu dois objetos brancos ou prateados voando para o sudeste por volta das 17h, e outro indo para o nordeste às 18h30.
- C.J. Ranje, Tigard: reportou quatro discos voando perto do Monte Jefferson por volta das 11h enquanto dirigia perto de Redmond.
- Sherman Cook, 2000 SE 45th Avenue: recuperou um pedaço de papel que havia caído de grande altura — o papel media 23,5 x 46 cm.
Também há um relato da seção "Discos de Prata, Lançados por Avião" ("SILVER DISKS, DROPPED BY PLANE"), via AP, sobre um caixa de estrada de ferro que alegou ver discos prateados sendo lançados de um avião [§ p.6].
Relatório do FBI sobre Oregon Journal — 5 de julho de 1947 [§ p.7]
O recorte descreve reportagem com título "Tripulação de Avião Confirma Relatos de Discos Voadores: Cinco Avistados":
- O capitão E.J. Smith, da United Airlines, relatou ter avistado cinco objetos — finos e lisos na parte inferior, ásperos no topo — logo após a decolagem do voo de Boise, Idaho, às 20h04. Eles seguiram em direção noroeste por cerca de 70 km antes de desaparecerem. O capitão Smith declarou: "Não posso dizer se eram em forma de pires, ovais ou qualquer outra coisa, mas não eram aeronaves conhecidas nem eram nuvens."
- Em Seattle, um guarda-costeiro chamado Frank Ryman afirmou ter fotografado um 'disco voador branco' sobre o extremo norte do Lago Washington.
- Um funcionário de parque de diversões, Don Metcalfe, 19 anos, relatou ver vários objetos como discos giratórios no céu na sexta-feira.
- Em Vancouver, WA, o delegado John Sullivan e outros avistaram 20 a 30 objetos "como um bando de gansos" voando cinco milhas de distância, emitindo um zumbido baixo.
- O Coronel Powell da Guarda Nacional do Oregon inspecionou a área de avião e não encontrou "nada suspeito".
Relatório do Agente do FBI — Portland, 7 de julho de 1947 (CONFIDENCIAL)
Este documento [§ p.8], classificado originalmente como CONFIDENCIAL, foi preparado por Keith A. Sorensen, Agente Especial, Sexto Exército. Relata entrevistas com membros da Polícia de Portland:
- W.M. Lissy e P.M. Ellis, patrulheiros do Departamento de Polícia de Portland, ambos com licença de piloto privado, descreveram ter visto três discos planos e redondos com coloração esbranquiçada, voando em formação em linha reta em direção sul a partir de Portland. O último disco oscilava rapidamente de lado. A altitude estimada era de 12.200 metros (40.000 pés).
NOTA DO AGENTE: "Todos os informantes mencionados aqui são conhecidos por este Agente como oficiais muito confiáveis e dignos de confiança, não sofrendo de alucinações. O tempo na área de Portland neste momento estava claro, com pouca ou nenhuma formação de nuvens visível do solo. A temperatura no solo era de 28°C (82°F)."
Memorando Interno FBI — Discos Voadores e Sabotagem — Milwaukee, 12 de agosto de 1947
O SAC Milwaukee reporta ao Diretor do FBI [§ p.17] dois incidentes anteriores às instruções do Boletim do Bureau nº 42, Série 1947 (de 30 de julho de 1947):
- Relato de 7 de julho de 1947: chamada telefônica ao Bureau sobre disco voador. Nenhuma investigação foi conduzida.
- Relato de 11 de julho de 1947: um responsável pela Patrulha Aérea Civil de Wisconsin informou que um objeto em forma de disco, de 48 cm (19 polegadas) de diâmetro, havia sido encontrado em 10 de julho nos arredores do Parque de Exposições do Condado de Jackson, perto de Black River Falls, Wisconsin.
O objeto foi descrito como possivelmente feito de papelão coberto por material de tinta de avião prateada (silver airplane dope material), com uma pequena cauda de madeira como leme, uma célula fotoelétrica RCA, e um pequeno motor elétrico com hélice no centro. A opinião era de que poderia ter sido fabricado por um jovem. A informação foi repassada ao Coronel do G-2 do Quinto Exército em Chicago [§ p.17].
Telegrama Urgente do FBI Portland — Avistamento de Ex-Piloto Naval — 11 de agosto de 1947
Telétipo urgente [§ p.19] do FBI Portland ao Diretor:
"DISCOS VOADORES. MATÉRIA DE SEGURANÇA X. UM [NOME SUPRIMIDO] EX-PILOTO DA MARINHA E ATUALMENTE [LOCAL SUPRIMIDO] MYRTLE CREEK, OREGON, RELATA TER AVISTADO UM OBJETO MISTERIOSO EM DUAS OCASIÕES NA TARDE DE 6 DE AGOSTO ENQUANTO VOAVA A APROXIMADAMENTE 1.500 METROS ACIMA DE MYRTLE CREEK. HATFIELD A SER ENTREVISTADO."
Assinado por: BOBBITT.
Memorando — SAC New Haven — "Pires Voadores" e Lei de Energia Atômica — 18 de julho de 1947
O SAC de New Haven relata ao Diretor do FBI [§ p.55] que um informante identificado como científico, empregado nos Laboratórios de Pesquisa da American Cyanamid em Stamford, Connecticut, anteriormente vinculado ao MIT e ao Projeto Manhattan, apresentou teoria pessoal sobre os discos voadores:
O informante sugeriu que os discos poderiam ser bombas de germes ou bombas atômicas radiocontroladas em órbita ao redor da Terra, direcionáveis por rádio a qualquer alvo. Ele observou que avistamentos haviam ocorrido em Cidade do México, Nova Orleans, Filadélfia, Nova York, Boston, Halifax, Newfoundland, Paris, Milão, Bologna e Iugoslávia [§ p.55-56].
Memorando ao General Schulgen — Inteligência das Forças Aéreas do Exército — 10 de julho de 1947
O Agente Especial E.G. Fitch relata ao Assistente Diretor D.M. Ladd [§ p.44] reunião com o Brigadeiro General George F. Schulgen, Chefe da Seção de Inteligência de Requisitos do Army Air Corps Intelligence:
O General Schulgen declarou que as Forças Aéreas do Exército adotaram a posição de que todo esforço deveria ser empreendido para determinar se os discos voadores de fato existiam e, em caso afirmativo, aprender tudo sobre eles. Cientistas do Army Air Corps Intelligence estavam sendo mobilizados para verificar se tal fenômeno poderia ocorrer. A pesquisa era conduzida com a hipótese de que os objetos voadores poderiam ser um fenômeno celestial ou um engenho mecânico estrangeiro controlado [§ p.44].
O General também indicou que a possibilidade existia de que os primeiros relatos de avistamentos teriam sido falsos, promovidos por indivíduos em busca de publicidade pessoal, ou relatados por razões políticas — possivelmente por indivíduos com simpatias comunistas, com o objetivo de causar histeria e medo de uma arma secreta soviética [§ p.44].
Schulen pediu cooperação do FBI para localizar e questionar os primeiros indivíduos que avistaram os discos, a fim de determinar se eram sinceros ou motivados por publicidade ou política.
Posição do Diretor Hoover — Acesso aos Discos Recuperados
Em anotação manuscrita no memorando de 10 de julho de 1947 [§ p.45], o Diretor J. Edgar Hoover escreveu:
"Eu o faria, mas antes de concordar com isso devemos insistir em acesso pleno aos discos recuperados. Por exemplo, no caso de Iowa, o Exército pegou o disco e não nos deixou fazer um exame sumário."
Esta nota é significativa: documenta que pelo menos um disco físico havia sido recuperado anteriormente (referência ao "caso Iowa"), e que o Exército impediu o exame pelo FBI.
Acordos de Cooperação FBI-Forças Aéreas — 24 de julho de 1947
O memorando de E.G. Fitch a D.M. Ladd [§ p.38], datado de 24 de julho de 1947, informa que o General Schulgen se comprometeu a:
- Garantir cooperação total ao FBI.
- Emitir instruções ao campo para que todos os discos recuperados fossem disponibilizados ao FBI para exame.
- Compartilhar resultados de estudos científicos com o Bureau.
Schulen também indicou que havia diminuição nos avistamentos relatados — possivelmente porque o fenômeno havia perdido valor de publicidade — mas que considerava necessário seguir a investigação para determinar a origem dos discos. O General também sugeriu que o Bureau mantivesse em mente, em qualquer entrevista sobre avistamentos, a possibilidade de histeria de massa criada por indivíduos subversivos [§ p.38].
Boletim do Bureau nº 42 — 30 de julho de 1947
O documento [§ p.47] reproduz a Seção B do Boletim do Bureau nº 42, Série 1947, que formalizou a cooperação do FBI com a inteligência das Forças Aéreas do Exército:
"DISCOS VOADORES — O Bureau, a pedido da Inteligência das Forças Aéreas do Exército, concordou em cooperar na investigação de discos voadores. As Forças Aéreas informaram confidencialmente que é possível soltar três ou mais discos em números ímpares, amarrados entre si por um fio, de um avião em alta altitude, e que esses discos obteriam velocidade tremenda em sua descida e desceriam à terra em arco."
As instruções determinavam que os escritórios de campo deveriam:
- Investigar cada avistamento para determinar se era genuíno, imaginário ou uma brincadeira.
- Notificar o Bureau imediatamente por teletipo.
- Compartilhar informações com o Exército pelos canais de ligação habituais.
Objetos Não Identificados — Williams Field, Chandler, Arizona — 7 de julho de 1947
Memorandum para o Oficial Responsável [§ p.35], preparado pelo Agente Especial Lynn C. Aldrich, CIC-AAF, FDTRC:
Tenente William G. McGinty, estudante em Williams Field: relatou ter visto, em 30 de junho de 1947, às 09h10 MST, dois objetos redondos voando a velocidades inconcebíveis, em linha reta descendente, sobre o Grand Canyon, Arizona, a 7.620 metros (25.000 pés). Os objetos eram possivelmente de cor cinza claro e estimados em 2,4 metros (oito pés) de diâmetro.
Capitão Malcolm G. Armstrong, instrutor em Williams Field: relatou que seu irmão, 1º Tenente E.B. Armstrong, estacionado no HQ 10th AF em Brooks Field, Texas, havia visto uma formação de objetos inexplicáveis na vizinhança do Lago Mead, Nevada, em altitude de aproximadamente 3.050 metros (10.000 pés), indo em direção sul.
O documento foi declarado DESCLASSIFICADO em 6 de novembro de 1978, pela autoridade do DEP CDR USAINSCOM FOI/PO, AUTH Para 1-603 DOD 5200 [§ p.35].
Fotografias de Objetos Não Identificados — Williams Field / Phoenix, Arizona — 8 de julho de 1947
Memorandum [§ p.12] do Agente Especial Lynn G. Aldrich, dirigido ao Oficial Responsável:
Em 8 de julho de 1947, o agente obteve fotografias de objetos não identificáveis (Exibições 1 e 2) do editor-gerente do jornal Arizona Republic. As fotos foram tiradas por William Rhoads, 4333 N. 11th St., Phoenix, Arizona, ao pôr do sol em 7 de julho de 1947. Os objetos fizeram três círculos na vizinhança da residência de Rhoads. As fotos foram tiradas com câmera box, tamanho 620. A altitude estimada era de 300 metros (1.000 pés).
NOTA DO AGENTE: "Ver Exibições 1 e 2, fotografias de objetos não identificáveis, ampliadas aproximadamente 20 vezes. Nenhum relatório adicional foi recebido por este escritório sobre objetos vistos por pessoal militar."
Avistamentos e Entrevistas em Portland — Memorandum de 7 de julho de 1947
O documento [§ p.13], preparado por Judith A. Sorensen, SA CID, Sexto Exército, detalha entrevistas conduzidas após alerta radiofônico da Polícia de Portland às 13h05 de 4 de julho de 1947:
- Oficial Kenneth A. McDowell, em serviço na Delegacia 1, viu cinco grandes discos indo para o leste e três indo para o leste — ao total oito discos. Ele não conseguiu determinar a cor, mas os discos tinham movimento oscilatório de cima para baixo e viajavam em grande velocidade. Nenhum som audível.
- Sargento Claude Cross, Polícia Estadual do Oregon, viu três discos seguindo um ao outro, em altitude indeterminada e velocidade terrível, em direção ao norte/noroeste. Notou um reflexo de cor bronzeada nos objetos. Nenhum som.
- Patrulheiro Earl W. Patterson, Departamento de Polícia de Portland, ex-piloto do Air Corps durante a guerra: ao ouvir o alerta, avistou um disco voando em direção sudoeste. O disco era de alumínio na cor, sem rastro de vapor ou fumaça, viajando a velocidade terrífica — mais rápido do que qualquer objeto voador que já havia visto. Estimou altitude de 30.000 pés [§ p.13].
Crash do Avião da AAF em Kelso, Washington — Agosto de 1947
O teletipo de 5 de agosto de 1947 do FBI Portland [§ p.27] relata informação do The Oregonian: o Capitão William L. Davidson e o Tenente Frank M. Brown do Quartel-General da 4ª AAF em San Francisco estavam em Portland em 27 de julho para entrevistar um piloto experiente que havia relatado em 14 de junho uma formação de dez discos voadores sobre Bakersfield, Califórnia.
O teletipo revela ainda que em 1º de agosto, a aeronave em que os investigadores da AAF viajavam caiu em Kelso, Washington, e ambos foram mortos. Os destroços foram examinados pela Inteligência da AAF de McChord Field. O Tacoma News Tribune e a United Press publicaram história de que o avião carregava peças de um disco que havia atingido um barco de Harold Dahl e Fred Crisman em Tacoma, WA.
A análise dos fragmentos mostrou que eram de uma escória de fábrica de Tacoma (Tacoma slag mill), não de disco algum [§ p.28].
Disco Recuperado — North Hollywood, Califórnia — 9 de julho de 1947
O memorando do SAC Los Angeles ao Diretor do FBI [§ p.60], datado de 17 de julho de 1947, relata que na noite de 9 de julho de 1947, um "disco voador" aterrissou na vizinhança das ruas Radford e Magnolia em North Hollywood, Califórnia. Uma mulher desconhecida telefonou aos bombeiros relatando que o disco caiu em seu jardim e pegou fogo.
O dispositivo foi descrito como dois discos convexos de aço de aproximadamente 60 cm (2 pés) de diâmetro, fundidos na borda exterior. Uma aleta de ferro galvanizado vertical foi aparafusada ao topo, e o que parecia ser um tubo de rádio estava instalado no centro. Peso total: aproximadamente 9 kg (20 libras).
O objeto foi entregue ao Major do G-2 em Fort MacArthur, San Pedro, Califórnia, que posteriormente relatou que o objeto era definitivamente uma farsa e não poderia ter voado por conta própria [§ p.60].
Disco Recuperado em Seattle — 16 de julho de 1947 (CONFIDENCIAL)
Teletipo urgente [§ p.57] do FBI Seattle ao Diretor, datado de 16 de julho de 1947:
Uma mulher em Seattle relatou que um disco voador havia pousado por volta das 21h42 da noite anterior, que estava em chamas e foi extinto imediatamente. O disco estava a curta distância de seus escritórios. Agentes foram imediatamente despachados para recuperar e examinar o objeto com especialistas em eletrônica da Marinha (ONI).
O disco foi descrito como circular de cerca de 56 cm (22 polegadas), composto por uma peça circular de três partes com bordas curvadas, preso por um fio através de seu centro. Pintado de cinza claro por fora e vermelho por dentro, com letras pintadas em branco: "U.S.S.R." e também "E.Y.R." (possivelmente impresso ao contrário). No interior, havia duas válvulas de rádio (tubos), um motor elétrico e uma lata cilíndrica. A substância no pano era acreditada ser terebintina (turpentine).
O consenso de todos os presentes era que o disco não poderia voar. O disco ficou em posse do ONI de Seattle [§ p.57-58].
Fragmentos Metálicos — West Rindge, New Hampshire — Julho de 1947
Teletipo do FBI Boston ao Diretor [§ p.53-54], datado de 18 de julho de 1947:
Um oficial de segurança do MIT, Cambridge, Massachusetts, relatou que por volta das 15h de 7 de julho, várias pessoas sentadas em uma varanda observaram fumaça em um gramado em West Rindge, NH, que revelou manchas queimadas no gramado com cerca de 2,5 a 3,8 cm (1 a 1,5 polegadas) de diâmetro. Em grama alta dos dois lados da estrada havia um círculo de aproximadamente 60 metros (200 pés) de diâmetro, onde pequenos incêndios haviam iniciado.
Os incêndios aparentemente foram causados por fragmentação metálica, que foi entregue a um professor do MIT. Os fragmentos mediam aproximadamente 35 cm (14 polegadas) de diâmetro e 1,4 cm (9/16 de polegada) de espessura, usinados mecanicamente. Alguns fragmentos indicavam terem sido queimados e submetidos a calor terrível.
Um metalurgista do MIT declarou que possivelmente eram escórias de um avião jato turbo. Os cientistas estavam tratando o assunto como informação classificada [§ p.53-54].
Correspondência do Diretor Hoover com o Departamento de Guerra
Em 5 de agosto de 1947, Hoover enviou ao Diretor de Inteligência do Estado-Maior Geral do Departamento de Guerra no Pentágono [§ p.30] cópias de cartas recebidas de civis sobre "discos voadores", informando que as cartas haviam sido reconhecidas e que cópias foram encaminhadas "para sua consideração."
O documento é marcado como CONFIDENCIAL e enviado POR MENSAGEIRO ESPECIAL (BY SPECIAL MESSENGER).
O "Round Robin" de San Diego — Memorando de Importância — 8 de julho de 1947
Documento peculiar [§ p.22], intitulado "THE ROUND ROBIN — THE FLYING ROLL", de San Diego, Califórnia, 8 de julho de 1947:
Um memorando anônimo, endereçado a cientistas, autoridades aeronáuticas e militares, e publicações, lista nove afirmações sobre os discos:
- Parte dos discos carregam tripulação; outros são controlados remotamente.
- Sua missão é pacífica. Os visitantes contemplam se estabelecer neste planeta.
- Esses visitantes são semelhantes a humanos, mas muito maiores.
- Não são seres terrestres encarnados, mas vêm de seu próprio mundo.
- Não vêm de nenhum "planeta" como usamos a palavra, mas de um planeta etérico que se interpenetra com o nosso e não é perceptível para nós.
- Os corpos dos visitantes, e as naves, automaticamente "se materializam" ao entrar na taxa vibratória da matéria densa.
- Os discos possuem um tipo de energia radiante que desintegrará qualquer nave atacante.
- A região de onde vêm não é o "plano astral", mas corresponde aos Lokas ou Talas. Estudantes de assuntos esotéricos entenderão esses termos.
- Provavelmente não podem ser alcançados por rádio, mas possivelmente por radar.
Nota: Este documento foi arquivado pelo FBI como correspondência recebida, sem endosso ou refutação. O documento foi encaminhado ao Departamento de Guerra para consideração.
Análise Institucional: Perfil da Investigação em 1947
A leitura transversal dos documentos desta seção revela o seguinte quadro institucional:
- O FBI inicialmente relutou em assumir a investigação de discos voadores, considerando a maioria dos relatos como brincadeiras ou publicidade pessoal.
- O Exército (Army Air Forces) solicitou cooperação ativa do FBI, comprometendo-se a compartilhar discos recuperados — promessa que, conforme a anotação de Hoover, não havia sido cumprida pelo menos em um caso anterior.
- A inteligência militar (G-2) avaliou a possibilidade de que os fenômenos fossem de origem soviética, ou manipulação comunista para causar histeria.
- Objetos físicos foram recuperados em múltiplos estados — todos identificados como fabricações humanas (farsa, lixo, dispositivos artesanais).
- Nenhum dos documentos desta seção apresenta conclusão sobre a origem dos avistamentos de objetos genuinamente não identificados como os reportados por pilotos experientes e policiais.
Glossário
- MOIC
- Military Order of Intelligence Coordination — Ordem Militar de Coordenação de Inteligência; documento de comunicação entre unidades militares de inteligência
- SAC
- Special Agent in Charge — Agente Especial Responsável; chefe de um escritório de campo do FBI
- G-2
- Seção de Inteligência do Estado-Maior do Exército americano; equivalente à inteligência militar terrestre
- CIC
- Counter Intelligence Corps — Corpo de Contra-Inteligência do Exército americano
- AAF
- Army Air Forces — Forças Aéreas do Exército; predecessora da USAF (Força Aérea independente), existente até 1947
- ONI
- Office of Naval Intelligence — Escritório de Inteligência Naval dos EUA
- XF5U-1
- Aeronave experimental da Marinha americana, apelidada de 'flying flapjack', de formato circular achatado com duas hélices; citada como possível explicação para avistamentos
- b7c
- Código de redação FOIA — indica texto suprimido por proteger informações pessoais de terceiros que poderiam violar privacidade (identificação de pessoas)
- flying flapjack
- Apelido popular do XF5U-1 da Marinha; 'panqueca voadora'; aeronave de forma circular que alguns usaram para explicar avistamentos de 1947
- FOIA
- Freedom of Information Act — Lei de Liberdade de Informação; lei americana que permite acesso público a registros governamentais
- dope material
- Silver airplane dope — verniz ou tinta de avião prateada usada em superfícies de aeronaves; mencionada na descrição de um objeto fabricado encontrado em Wisconsin
- Lokas / Talas
- Termos do esoterismo hindu mencionados no documento 'Round Robin'; referem-se a planos ou dimensões de existência na cosmologia teosófica
Perguntas frequentes
- O FBI concluiu o que eram os discos voadores investigados em 1947?
- Não. Os documentos desta seção não apresentam conclusão definitiva sobre a natureza dos avistamentos genuinamente não identificados. Os objetos físicos recuperados foram todos identificados como fabricações humanas (farsas ou dispositivos artesanais), mas avistamentos de pilotos experientes e policiais permaneceram sem explicação nos arquivos.
- O Exército compartilhou discos recuperados com o FBI conforme prometido?
- Não integralmente. O Diretor Hoover anotou em memorando de julho de 1947 que, no caso de Iowa, 'o Exército pegou o disco e não nos deixou fazer um exame sumário'. O General Schulgen prometeu cooperação futura, mas Hoover condicionou o acordo ao acesso pleno aos materiais recuperados.
- Qual foi a posição institucional do FBI sobre investigar os discos voadores?
- O FBI relutou em assumir a investigação, considerando que grande parte dos relatos eram brincadeiras. Um analista interno recomendou não participar, pois não acreditava que o Bureau 'alcançaria algo com essas investigações'. No entanto, o FBI acabou concordando em cooperar com a inteligência das Forças Aéreas após pedido formal do General Schulgen.
- Havia suspeitas de envolvimento soviético nos avistamentos de 1947?
- Sim. O General Schulgen indicou ao FBI que a possibilidade existia de que os primeiros relatos fossem obra de 'indivíduos com simpatias comunistas' para causar histeria e medo de uma arma secreta soviética. A inteligência militar também investigou se os objetos poderiam ser engenhos mecânicos estrangeiros controlados.
- Houve mortes de investigadores militares ligadas ao caso dos discos voadores em 1947?
- Sim. Os documentos registram que o Capitão William L. Davidson e o Tenente Frank M. Brown, da 4ª AAF HQ, foram mortos quando sua aeronave caiu em Kelso, Washington, em 1 de agosto de 1947. Eles estavam investigando relatos de discos voadores em Portland. O Exército classificou a missão como 'top secret'.
- Qual o significado da anotação manuscrita de Hoover sobre 'acesso pleno aos discos recuperados'?
- A anotação documenta que pelo menos um disco físico havia sido previamente recuperado (no 'caso Iowa') e que o Exército impediu o FBI de examiná-lo. Hoover condicionou a cooperação com o Exército à garantia de acesso irrestrito a qualquer material futuro. Este é um dos pontos mais citados do arquivo.
- O que era o documento 'Round Robin — The Flying Roll' arquivado pelo FBI?
- Era um memorando anônimo de San Diego, de 8 de julho de 1947, que afirmava — com base em meios 'supernormais' — que os discos carregavam tripulação de outro 'planeta etérico', tinham missão pacífica, e possuíam energia radiante capaz de destruir qualquer aeronave atacante. O FBI o arquivou como correspondência recebida e o encaminhou ao Departamento de Guerra, sem endossá-lo.
- Pilotos experientes avistaram os objetos? O FBI considerou seus relatos confiáveis?
- Sim. Vários pilotos com milhares de horas de voo, como Dick Rankin e o Capitão E.J. Smith da United Airlines, relataram avistamentos. Policiais de Portland com licença de piloto privado também foram entrevistados. O agente do FBI em Portland anotou que os informantes policiais eram 'muito confiáveis e dignos de confiança, não sofrendo de alucinações'.
Entidades citadas
- J. Edgar Hoover· person
- Kenneth Arnold· person
- Dick Rankin· person
- George F. Schulgen· person
- William R. Graham· person
- E.J. Smith· person
- William L. Davidson· person
- Frank M. Brown· person
- Hamilton Field· location
- Portland, Oregon· location
- Williams Field· location
- Kelso, Washington· location
- XF5U-1· aircraft
- Bureau Bulletin No. 42, Series 1947· incident
- D.M. Ladd· person
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