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FBI Photo B20/B21 (2025): O Bureau Submete Imagens de UAP ao AARO com Redações e Sem Relatório de Missão

Em 2025, o FBI encaminhou ao AARO duas imagens estáticas de fenômenos anômalos não identificados, capturadas por sistema militar americano. As fotografias chegaram com redações aplicadas e sem o relatório de missão correspondente. O operador que registrou as imagens declarou não ter conseguido identificar os objetos.

Contexto: O FBI como Notificador de UAP

A submissão de registros fotográficos de UAP — sigla em inglês para Unidentified Anomalous Phenomena, ou Fenômenos Anômalos Não Identificados — pelo FBI ao AARO (All-domain Anomaly Resolution Office, Escritório de Resolução de Anomalias em Todos os Domínios) representa um desdobramento relativamente recente na arquitetura institucional americana de rastreamento desses fenômenos.

O AARO foi criado em 2022 pelo Departamento de Defesa dos EUA para centralizar a coleta, análise e reporte de avistamentos em domínios aéreo, marítimo, subaquático e espacial. A inclusão do FBI nessa cadeia de notificação indica que agências federais civis de segurança também operam como fontes de dados para o escritório — um passo além do escopo originalmente militar do programa.

Os documentos aqui analisados, FBI Photo B20 [§ Section 1] e FBI Photo B21 [§ Section 2], datam formalmente de 1º de janeiro de 2025, embora essa data precise ser lida com cautela: a própria descrição oficial adverte que a data registrada na imagem é incorreta, resultado de o sistema de captura não ter seu horário configurado corretamente.

O Que Está nos Documentos

Os dois registros compartilham a mesma descrição narrativa base e pertencem ao mesmo evento ou conjunto operacional. Cada um consiste em uma imagem estática — não um vídeo — derivada de sistema militar americano não especificado. Antes de ser encaminhada ao AARO, a imagem original foi submetida a redações, ou seja, partes do conteúdo foram suprimidas por razões que os documentos não explicam.

A descrição técnica da imagem é direta:

"A imagem monocromática exibe textura granulada com uma mira de retículo central em forma de cruz. Um ou dois pequenos objetos escuros são visíveis logo acima e à direita do centro do retículo."

O uso da expressão "um ou dois" é revelador: mesmo a descrição analítica oficial não consegue determinar com precisão quantos objetos estão presentes. A granulação da imagem — característica comum de sensores imageadores operando em condições de baixa luminosidade, longa distância ou compressão de dados — impede uma contagem definitiva.

A presença de um retículo central sugere fortemente que o sistema de captura é óptico ou termográfico com capacidade de mira, possivelmente embarcado em aeronave, drone ou plataforma de vigilância terrestre. O retículo é um elemento padrão em sensores de rastreamento e designação de alvos das Forças Armadas americanas.

O operador que realizou o registro declarou expressamente não ter conseguido identificar positivamente o UAP — formulação que, no jargão do AARO, significa que o objeto não pôde ser associado a nenhuma aeronave conhecida, fenômeno natural catalogado ou artefato de sensor.

Lacunas Documentais Significativas

Dois elementos ausentes tornam a análise desses registros particularmente limitada:

1. Ausência de Mission Report (Relatório de Missão): O protocolo padrão do AARO prevê que avistamentos sejam acompanhados de um relatório de missão detalhando condições operacionais, posição geográfica, altitude, velocidade estimada do objeto, comportamento observado e dados do sensor. No caso das fotos B20 e B21, esse relatório não foi fornecido. Isso impede qualquer análise de trajetória, velocidade ou comportamento do objeto.

2. Data/hora incorreta no sistema: A ausência de timestamp confiável é uma falha crítica de cadeia de custódia. Sem saber quando exatamente a imagem foi capturada, torna-se impossível cruzar o avistamento com dados de radar, tráfego aéreo civil ou eventos atmosféricos do mesmo período.

Essas lacunas não são necessariamente indicativas de encobrimento — falhas de configuração de sistema são corriqueiras em operações de campo, e a ausência de relatório de missão pode refletir procedimentos internos do FBI distintos dos padrões militares. Porém, do ponto de vista analítico, elas reduzem substancialmente o valor investigativo dos registros.

Por Que Importa

O FBI como Fonte UAP

Historicamente, o envolvimento do FBI com OVNIs — como eram chamados antes da padronização do termo UAP — remonta aos anos 1940 e 1950, quando o Bureau colaborou com a Força Aérea em investigações como o Projeto Sign e o Projeto Blue Book. Naquele período, o papel do FBI era majoritariamente reativo: recebia relatos de civis e os repassava aos militares.

A submissão ativa de imagens ao AARO em 2025 inverte essa lógica: agora o Bureau age como produtor de dados, não apenas como intermediário. Isso levanta questões sobre que tipo de operação ou plataforma de vigilância do FBI gerou essas imagens — informação que permanece obscurecida pelas redações aplicadas.

Imagens Estáticas vs. Vídeo

A maioria dos casos UAP de maior repercussão pública — como os vídeos FLIR1, Gimbal e GoFast divulgados pelo Pentágono entre 2017 e 2020 — envolve sequências de vídeo que permitem analisar movimento, aceleração e comportamento do objeto ao longo do tempo. Uma imagem estática oferece uma fatia temporal única e estática, o que limita drasticamente as inferências possíveis sobre a natureza do fenômeno.

No entanto, imagens estáticas têm valor documental próprio: preservam detalhes de forma que vídeos comprimidos frequentemente perdem, e são mais difíceis de fabricar de maneira convincente sem deixar rastros de edição detectáveis em análise forense.

Redações: O Que Foi Ocultado?

A aplicação de redações antes da submissão ao AARO é incomum. O protocolo padrão prevê que as agências enviem dados brutos ao escritório, que então aplica classificações. O fato de o FBI ter redagido o material antes de enviá-lo sugere que partes da imagem — possivelmente identificadores do sistema, metadados geoespaciais ou características do sensor — foram consideradas sensíveis demais para circular mesmo dentro do AARO.

Isso pode indicar que o sistema de captura em questão tem características táticas ou de inteligência que o Bureau prefere não revelar a outras agências.

Análise: O Que os Documentos Dizem — e o Que Não Dizem

Os documentos são explícitos em um ponto central: o operador não identificou o objeto. Isso é um fato documentado. Tudo além disso — a natureza do objeto, sua origem, seu comportamento — permanece fora do alcance desses registros.

A descrição narrativa inclui um aviso formal que merece destaque:

"Esta descrição narrativa é fornecida apenas para fins informativos. Os leitores não devem interpretar qualquer parte desta descrição como reflexo de julgamento analítico, conclusão investigativa ou determinação factual sobre a validade, natureza ou significância do evento descrito."

Esse tipo de formulação é padrão nos releases do AARO e serve tanto como proteção institucional quanto como lembrete metodológico: a publicação de dados brutos não equivale a uma conclusão sobre o que esses dados representam.

O Que Falta Saber

Para que esses registros adquiram valor investigativo pleno, seriam necessários:

Até que essas informações estejam disponíveis, as fotos B20 e B21 permanecem o que são: dois pequenos objetos escuros em uma imagem granulada, capturados por um sistema que não conseguiu identificá-los, encaminhados por uma agência que removeu partes do contexto antes de compartilhá-los.

Glossário

UAP
Unidentified Anomalous Phenomena — Fenômenos Anômalos Não Identificados. Termo adotado pelo governo americano para substituir 'OVNI', com escopo ampliado para incluir objetos subaquáticos e transmedium.
AARO
All-domain Anomaly Resolution Office — Escritório de Resolução de Anomalias em Todos os Domínios. Criado pelo Pentágono em 2022 para centralizar investigações de UAP.
FBI
Federal Bureau of Investigation — Agência federal americana de investigação criminal e inteligência doméstica, subordinada ao Departamento de Justiça dos EUA.
Retículo
Grade ou mira em forma de cruz visível no visor de sistemas ópticos e de armas. Indica o ponto de foco ou alvo do sensor no momento da captura.
Mission Report
Relatório de Missão. Documento padrão que acompanha registros operacionais, descrevendo condições de captura, localização, horário, comportamento observado e dados do sensor utilizado.
Redação (Redaction)
Supressão deliberada de informações em documento oficial antes de sua divulgação ou compartilhamento, geralmente por razões de segurança nacional ou proteção de fontes e métodos.
FLIR
Forward-Looking Infrared — Sistema de imageamento infravermelho com visão frontal, utilizado em aeronaves militares para detecção e rastreamento de objetos por diferença de temperatura.

Perguntas frequentes

O que são as fotos B20 e B21 do FBI?
São duas imagens estáticas de UAP capturadas por sistema militar americano e submetidas pelo FBI ao AARO em 2025. As fotos mostram um ou dois pequenos objetos escuros acima e à direita de uma mira de retículo central em imagem monocromática granulada.
Por que a data nas imagens é incorreta?
Segundo a descrição oficial, o sistema de captura não tinha seu horário configurado corretamente no momento do registro. Isso significa que o timestamp visível na imagem não reflete a data e hora reais do evento.
O FBI identificou o que está nas imagens?
Não. O operador declarou expressamente que não conseguiu identificar positivamente o UAP registrado. Os documentos não oferecem nenhuma hipótese sobre a natureza do objeto.
Por que as imagens foram redagidas antes de chegar ao AARO?
Os documentos não explicam o motivo das redações. Uma possibilidade é que partes da imagem revelassem características do sistema de sensor ou dados geoespaciais que o FBI considerou sensíveis. O protocolo padrão prevê que dados brutos sejam enviados ao AARO sem edição prévia, tornando essa redação anterior incomum.
O que é o AARO?
O AARO, sigla para All-domain Anomaly Resolution Office (Escritório de Resolução de Anomalias em Todos os Domínios), é o órgão do Departamento de Defesa dos EUA criado em 2022 para centralizar a coleta e análise de avistamentos de UAP em domínios aéreo, marítimo, subaquático e espacial.
Esses documentos provam a existência de naves extraterrestres?
Não. Os documentos registram que um operador militar não conseguiu identificar objetos capturados em imagem. Não há qualquer afirmação, nos documentos ou na análise do AARO, sobre a origem ou natureza dos objetos. A ausência de identificação não equivale à confirmação de qualquer hipótese específica.

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